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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Linha recta



Linha recta

Preciso de paz para sorrir
paz e tempo para dormir.
Mentiras de sorriso enganador
não sou doente nem demente.
sem nostalgia contagias
as alma até um dia.
Com sorriso puta... 
escapas por entre as nuvens 
obra do espelho enganador.
Escapa-se de mim os medos,
a solidão e as noites negras, 
escapa-me o segredo da motivação. 
Ontem e amanhã não sei!
Cheio de coisas na cabeça
custa deslizar sobre os cacos 
de um castelo-de-areia 
que não soube consertar
nem quis reparar.
Agora sei explicar
esse olhar perverso
de sorriso puta...
Ontem eu tive pressa
hoje devagar ouvi o juiz
dar-te o sabor da frustração 
e mostrar-te as manhas das manhãs.
Preciso de paz para sorrir
E tempo... pouco para dormir.
Foram três orgasmos, 
seguidas vejam só!
Sem pudor, na  Web site
com a Lucy nas horas de 
angariação casa de bordel
fina meretriz de high society
meretriz de si própria dançou   
no dia da prova do veneno.

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

ADMIRÁVEL MUNDO!!!                                                                                    

1 litro custa 4600,00 euros.
Já nos acostumámos aos roubos de toda a espécie, é o que é...
Há não muito tempo, as impressoras eram caras e barulhentas.
Com as impressoras a jacto de tinta, o mercado doméstico mudou, pois fomos seduzidos pela qualidade, comodidade, velocidade e facilidade dessas novas impressoras.
Aí veio a grande golpada dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais baratas, e fazer tinteiros cada vez mais caros. Uma HP DJ3845 vendida nas principais lojas por 70 € vem com um conjunto de tinteiros. A reposição dos dois tinteiros (10 ml o preto e 8 ml o de cor), fica à volta de 45 €.
Nos modelos mais baratos, o conjunto de tinteiros pode custar mais do que a própria impressora.
Olhe o absurdo:
Pode acontecer que valha mais trocar a impressora do que fazer a reposição dos tinteiros!
Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço).
As impressoras HP1410 e 3920 que usam os tinteiros HP 21 e 22, vêm agora com tinteiros só com 5 (cinco) ml de tinta!
Um Cartucho HP, com uns míseros 10ml de tinta custa 19 €. Isto dá 1.9€ por mililitro.
Só para comparação, Champagne Veuve Clicquot City Travelle custa por mililitro 0.43 €.
A Lexmark vende um tinteiro para a linha de impressoras X, o tinteiro 26, com 5,5 ml de tinta de cor por 25 €. Fazendo as contas: 1000ml / 5.5ml = 181 tinteiros x 25 € = 4525 €.
4525 € por um litro de tinta!
Com este valor podemos comprar aproximadamente:
- 300gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 45 impressoras que utilizam este tinteiro;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.
Pior ainda: Se fizer meia dúzia de impressões e deixar passar 15 dias, quando voltar a imprimir já não há tinta!!!

Está indignado? Faça alguma coisa!

Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A dança do escorpião na selva tropical


A dança do escorpião na selva tropical

As guerrilheiras deviam ser todas boazonas de certeza!
Se estavam no salão foi porque tinham sido convidados pelo comandante local das FARC para um "caliente réveillon" dos guerrilheiros.
O Capitão-de-Fragata foi convidado a mostrar uns passos de bolero e a ensaiar o fandango Ribatejano às moças. O homem é super corajoso. Quer num ou noutro caso acho bem que o macho latino aproveite uma pausa na missão da ONU para seduzir as guerrilheiras com o charme português e armar a sua espingarda. Deve ser super excitante dançar com uma dama com uma granada no meio das coxas e sabre na liga, igualzinho à dança do escorpião. Se o nosso Capitão- de-fragata dormiu com a guerrilheira, imagino as pistolas debaixo das almofadas de ambos.
Só espero que a factura da conta da pensão não vá parar às Finanças para nós pagarmos as aventuras do James Bond português..
Os portugueses são danados para se relacionarem com o mulherio doutras latitudes. Desta vez a Agência de notícia Esponhola, EFE estáva lá e filmou as passadas. Trata-se de um capitão-de-fragata mais dois comparsas integrados em missão de paz da ONU na Colômbia, com o objectivo de supervisionar o cessar-fogo e entrega das armas, acordados em agosto do ano passado, para pôr fim ao conflito armado que já vai com mais de 52 anos de duração. O nosso Capitão justifica-se:
- Fomos convidados pelas guerrilheiras para dançarmos e com medo de sermos mal interpretados, acedemos à tentação sentir o colar tropical juntinho ao peito. Não queríamos que elas achassem que éramos maricas! Maricas, isso é que não!

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Todos juntos

Todos juntos...

Mário Soares conseguiu unir todos os Portugueses em torno da sua homenagem: conseguiu unir os colonialistas mais ferrenhos que o acusaram de entregar as colónias aos colonizados sem exigir nada em troca, conseguiu juntar os que o acusam de negócios de diamantes com Savimbi e Fátima Roque. Conseguiu unir os retornados que o apelidaram de ladrão, conseguiu unir a extrema-direita que o acusa de pisar a bandeira nacional em Paris, juntou-se a extrema-esquerda que o acusa também de ter recebido benesses do regime fascista. Juntaram-se os amigos verdadeiros e os falsos admiradores, detractores e curiosos. Juntaram- se ignorantes, analfabetos e sábios, gente importante, anónimos, burros e espertos, políticos e não políticos, poetas, pintores, artistas escritores, jornalistas, comentadores revolucionários, militares, polícias e muitos ladrões certamente. Juntaram-se todos à sua volta.
Eu também pensei em juntar-me ao grupo e assim poder aparecer nas televisões. Preparei um discurso para vomitar, assim que aparecessem a CMTV ou a TVI. Comprei um lenço branco e um cravo vermelho, cortei as unhas para melhor cerrar os punhos. Mas afinal não fui à festa! Não fui, porque momentos antes de me fazer à estrada para ir carpir lágrimas, vi uma reportagem onde o Sr. Soares, a certa altura disse: "Demos a independência a Cabo Verde porque não tínhamos tempo para olharmos para eles"
Quando ouvi isso fiquei irritado por saber que o senhor não teve tempo para olhar para Cabo Verde e por isso botou as ilhas borda fora, confirmando o que o meu professor de Economia afirmara nos anos 70.
Quando os portugueses chegaram às ilhas não havia lá ninguém! Portanto Cabo Verde nunca foi colónia, era simplesmente um território Português. O Sr Dr. Mário Soares deu o que não devia e os Cabo-Verdianos pediram e receberam o que não deviam.
Por isso também eu me associo de corpo e alma ao grupo, não obstante reconhecer que o defunto  me merece todo o respeito pelos altos cargos que ocupou,  via votos.

Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ainda o cheiro






No quarto ainda o cheiro no ar
horas passam devagar
tranco as memórias
és um ficheiro sem histórias
navegas na minha tez
mas não perdes a sensatez.


Mão fria no meu peito
assim é o teu jeito.
Danças de ventre enlevas
numa loucura sem reservas.
Sempre a primeira vez
assim eu quero, talvez…

Impudor sem limites
aquietas os apetites
frémitos de prazer
com sussurros animais
reguei com humidade a alma
numa corrente de água calma.

A tua boca vende a lua
à bolina, vamos numa falua.
Lábios que procuram os meus
como teia em telas de museus.
Aninhados e trémulos em mim
com sorriso de Aladino, por fim.

Cansados de brotar luxúria
sem palavras de lamúria
saboreia o odor sem saber
numa paixão por entender
prostrar e respirar fundo
ir num sono profundo.
Rodopiar como velas de moínho
ir com o vento e…
seguir o nosso destino.

Adérito Barbosa 
in livro "Clave de dó sem dor"

Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mau demais...


Os que macaqueiam
fizeram o céu desabar.
É complicado adormecer
com monstros no sótão.
Conheço os ruídos da inocência
mas entendo perfeitamente os dos  artistas.
Quando não se tem vergonha,
o limite da desonra incomoda!
O pesadelo chegou cedo demais
ficou arrastando-se na mente
ninguém imagina o horror...
E os anos passaram... e as bestas cresceram...
Nas horas breves esqueceram
acreditei ter feito tudo bem
mas afinal fiz tudo mal!!
Foram dois, podia ter sido nenhum
Mau demais para ser verdade...

Adérito Barbosa in olhosemlente

sábado, 24 de dezembro de 2016

Carta ao Sr. Primeiro Ministro, José Ulisses Correia e Silva

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro da República de Cabo Verde, Sr. Dr. José Ulisses Correia e Silva.

Chegou ao conhecimento dos Caboverdianos, através de uma informação em viva voz da Senhora Ministra da Educação, Maritza Rosabal, que estão a ser preparadas alterações no sistema de ensino de Cabo Verde, passando o ensino do Português para 2ª língua, enquanto o “Dialecto Crioulo” passa a língua materna, o que será implementado já no início do próximo ano lectivo. De entre várias questões e problemas que estarão em cima da mesa, registam-se as seguintes: Sendo esta uma questão sensível, não consta que essa intenção tenha feito parte do seu programa eleitoral, pelo que supostamente o seu governo não está mandatado para esse acto, até porque nunca houve um debate sério, nem consta que a sociedade civil Caboverdiana a tenha debatido de uma forma alargada. Sabe-se apenas que essa ideia pertence a meia dúzia de indivíduos que vegetam à volta do poder.

• Como será possível tal ideia, se a língua oficial de Cabo Verde é o Português, consagrada, aliás, na Constituição de República de Cabo Verde?

• A sucessiva degradação do ensino do português nas Escolas e no número de falantes, para não falar da escrita, prejudica o desenvolvimento cultural dos jovens estudantes de Cabo Verde desde o pré-escolar ao ensino superior;

• O quadro de pessoal docente está abaixo das necessidades, sem que se vislumbre qualquer medida para resolver este problema, deixando milhares de alunos à mercê da ignorância e do desfalecimento intelectual e cultural; A degradação e desvirtuamento da utilização da língua portuguesa a favor do crioulo é um atentado ao conhecimento;

• Este conjunto de questões suscitam grandes preocupações quanto ao sentido das medidas, quanto à sua abrangência e, essencialmente, quanto à qualidade dos futuros quadros;

• A estes problemas soma-se o antigo problema do crioulo falado nas outras ilhas, que continua a ser composto por sotaques, fonias das culturas das dez diferentes ilhas, a inexistência de material didático e de formação criteriosa, não existindo sequer qualquer estudo aprofundado do dialecto crioulo. O crioulo é sempre uma menoridade linguística que foi usada pelos escravos, por não entenderem nem o português, nem o flamengo Belga, nem o Inglês, sem esquecer que a única razão que leva os portugueses a ajudar o arquipélago reside no facto de Cabo Verde pertencer aos PALOP e ter como língua oficial o Português;

• Acresce, ainda, o facto de a Sra. Ministra ser de origem Cubana, vivendo uma realidade cultural mais próxima de Cuba, com os seus costumes e muito longe do português, mas sim perto do Espanhol Cubano ou Castelhano;

• A Senhora Ministra, sabe-se, é casada com um alto funcionário da Câmara Municipal da Praia, activista ferrenho do crioulo e que, segundo se sabe, há longos anos luta pela implementação do crioulo, num puro culto de ignorância, privilegiando o isolamento do resto do mundo - não se vendo outra coisa no horizonte, senão prejudicar a geração de jovens num futuro próximo;

• Como explica que Angola, com todo aquele poderio económico ainda por explorar, com cerca de 25 milhões de habitantes, e cerca de 48 dialectos, consegue fazer com que os seus cidadãos falem todos praticamente o português correctamente e Cabo Verde não? Como explica que S. Tomé, sendo um território minúsculo, consegue manter os seus cidadãos a falar o português correctamente e Cabo Verde não? Como explica que Moçambique com cerca de 26 milhões de habitantes consegue que os seus cidadãos falem português, apesar das influências dos países da Commonwealth? Como se explica que Timor se empenha muito para manter o português nas suas escolas e Cabo Verde não? Será que os Caboverdianos são mais inteligentes que os outros? Olhe que não, olhe que não, sr. Ministro!

• Explica-se tudo apenas pela teimosia dos nossos governantes, pelas influências do jogo do poder em quererem ser diferentes dos outros, primando pelo isolamento num mundo cada vez mais global. Esse isolamento reflecte-se na boca dos governantes Caboverdianos, quando nos discursos os ouvimos falar incorrectamente o português. Quando um líder africano fala, sabemos logo se é Caboverdiano ou não, pelo simples facto de se expressarem muito mal na língua oficial do seu próprio País. Isso é triste, preferia ouvi-los a exprimir-se em crioulo e teríamos assim a certeza de que ninguém os escuta nem os entende.

Assim sendo, ao abrigo do direito à indignação, venho por este meio pedir que abandonem a ideia da implementação do crioulo nas escolas de Cabo Verde, o que não é mais do que um exercício de vaidade e de pura ignorância, prejudicando o futuro dos jovens.
Não obstante do que atrás foi exposto, lembro a V. Exa que o português é a quinta língua mais falada no mundo, com 244 milhões de falantes e é uma das línguas oficias na Comissão Europeia e na ONU. Também não se entende o discurso assumido por V. Exa, no que se refere à intenção de Cabo Verde entrar para o espaço Schengen. Cabo Verde já fez parte integrante da Europa, quis sair nos anos de alucinações dos Independentistas, agora quer entrar como falante do crioulo na Comunidade; como explica isso? – É caso para perguntar se os governantes estão bem da cabeça. Pode dizer: – Ah, o Primeiro-ministro português António Costa é a favor… Pois sim, ele andou a entreter os Caboverdianos com uma questão, que afinal, não é questão - ele é muito hábil e bastante engenhoso na diplomacia.

O comunicado do Governo, saído esta semana, foi um exercício patético - querer explicar o inexplicável. Saiba V. Exa. que não vamos permitir tamanha ousadia em defesa dos interesses culturais dos jovens estudantes e do futuro de Cabo Verde, que bem precisa de gente capaz. Acreditando na sua seriedade e honestidade intelectual, peço-lhe em nome de uma boa educação, que faça a Sra. Ministra abandonar essa ideia, que não tem pés nem cabeça.

Utilizando uma expressão sua: - Nós, a massa crítica, esperamos nunca o ver “DOENTE COM SINTOMAS DO PODER”. Votos de uma boa governação.
Feliz Natal e um excelente Ano 2017.

Melhores cumprimentos
Adérito Barbosa

Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...