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terça-feira, 30 de maio de 2017

Se eu fosse

Se eu fosse sol
tomaria duche de água fria agora
Gelo eu fosse
estendia-me numa pradaria na hora
televisão seria sem imagem
neste paralelo vivo a vida
que posso.

Sem conhecimento sou patego
quem sabe até labrego
sonhador aspiro ser poeta
para trincar a escrita nas horas
miseráveis.

Estou incapaz de entender
o ritmo do vento que passa
nesta serra onde não se ama.
Não sei onde estou,
nem entendo, mas está na hora.
Como posso esperar que alguém me escute
se sou mudo entre surdos?

Com a cabeça vazia de formas
sempre fiz o meu melhor.
Desde palavras que não disse
às que não ouvi
luto com as ideias dos vivos
para manter a alma quente.

Imagino seguro este lugar
mas aqui só há granizo e frio.

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Outra vez a mesma conversa.


Caro Cor. Duarte Costa, 
Eu sou militar e Pára-quedista na reforma extraordinária como saberá certamente. 
Não tenho curso de Comandos nem curso de Ranger tirado nos USA. Alistei-me em 1978 na Força Aérea Portuguesa porque queria servir o meu País na Força Aérea. Estivesse eu no activo quando houve a transferência para o Exército alegaria isso para não transitar - disso não duvide! 
Saí publicamente em sua defesa quando os Pára-quedistas o insultaram, assim também sou capaz de o contrariar publicamente dizendo que o Sr não tem razão absolutamente nenhuma! 
Sendo Oficial no activo, o recato deveria ser o seu melhor lugar. Julgo saber que o Sr. não é advogado nem dono da instituição Comando que muito respeito. 
A minha formação alerta-me que pode haver algum excesso da sua parte e laivo de vedetismo, violando a condição do seu posto e do cargo que ocupa.
Quanto à morte dos instruendos Comandos, deixe-me que lhe diga que é INACEITÁVEL. 
O único local onde um soldado pode tombar é no campo de batalha e mesmo assim pode-se discutir e muito a razão de ele estar ali.
Assim sendo, digo-lhe frontalmente que não vale branquear a irresponsabilidade de um punhado de instrutores Comando, nem fazer campanha, favor dos Comandos nem vir pra aqui com carta da mãe de um instrutor para arrastar multidões de seguidores, aqueles que adoram lamber as botas dos Coronéis mesmo quando eles digam e façam disparates. Garanto-lhe que isso não o leva a lado nenhum, nem leva os Comandos instrutores a lado nenhum, nem os familiares dos instrutores a lado nenhum. Ninguém está acima da lei nem acima dos interesses dos familiares dos alunos falecidos. 
Devem ser apuradas as responsabilidades, sim! 
Devem ser punidos os responsáveis, sim! 
Devem ser punidos os chefes Militares, sim!
Deveria ter havido consequências políticas a nível das chefias Militares, sim!
Que a comunicação social deve fazer eco disso, também!
Meu caro, eu nunca aceitaria que um filho meu morresse às mãos de meia dúzia de Rambos, quer sejam Pára-quedistas, Comandos, Rangers ou Fuzileiros.
A única maneira do País fazer justiça é investigar e punir exemplarmente os responsáveis pelas mortes dos Militares.


Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 21 de março de 2017

FARISEU

FARISEU

Naquele tempo, Afonso Costa, Advogado e Ministro, fez parte de vários Governos (dirigiu três  até 1923), sendo considerado um dos grandes responsáveis pela instabilidade durante a I República.  Ao sentir o cerco dos fariseus e os pedidos de clemência do povo, mergulhado na ignorância e sufocado na miséria, ele, um “expert”  em questões religiosas, que se  doutorou  em Coimbra com a dissertação "A Igreja e a questão social”, obra em que ataca violentamente a então recente encíclica “Rerum novarum”, pois  fé era coisa que ele não tinha, também não tinha nada para dar ao povo, a não ser explicar as mortes de soldados Portugueses na Flandres, visto que foram mandados para lá à trouxe-mouxe e  por ele super mal equipados e preparados, tipo carne para canhão.
Afonso Costa arranjou três trabalhadores infantis  lá da Cova da Iria – a Pepa, o Éder e a Patrícia - e fez deles os únicos capazes de ver coisas que ninguém via e de  falar com Santinhas que visionaram o fim da guerra e PORTUGAL como campeão europeu; Afonso Costa resolveu o problema dele, desviando as atenções da sua má governação para um canto. Muito mais tarde, lá mais para a frente, Salazar fez o resto e assim fundaram a maior empresa Portuguesa de sempre, que vende milhões de fé e nada de facturas, nada de taxas nem de impostos!
Com a poderosa máquina de “marketing” da Igreja em funcionamento, os fiéis poderão escolher entre uma grande variedade de “souvenirs”: porta-chaves de 5 a 25 €, medalha de ouro oficial da visita a 1300€, camisolas com a imagem do Papa a 20€ e todo o tipo de velas e velinhas para pagar promessas, que se estima serem às toneladas, a preços muito diversos e até o programa comemorativo da visita custa dinheiro! O Vaticano cobra um cachê nunca inferior a 12 milhões  - pelo menos foi assim no Reino Unido.
Digam lá se o Afonso Costa foi ou não um visionário!
E eu, será que eu sou um fariseu?

Adérito Barbosa in olhosemlente
Fotos-google

domingo, 19 de março de 2017

Geometrias

Geometrias

Multiplicar à mão a ilusão
num plano inclinado
vectores verticais primeiro
horizontais só mais tarde
longe dos soldados e noivas
aprisionar a tempestade a um canto
que os nossos olhos verão os raios
do alto de um céu
traçar curtas distâncias
crescendo teimosamente na relva
do Golfe entre o buraco e a bandeira.
Espero como um enólogo a prova
mergulhado no gelo carbónico
sinto o frio das flores
sobre os campos de neve a respirar
o cheiro do campo na cidade
Como agulha entrar pela veia azul
de sangue vermelho
em direção ao coração indefeso
que teima em defender-se
da vontade de um abraço.

Adérito Barbosa in olhosemlente
Foto-google

segunda-feira, 13 de março de 2017

Piedade de Deus

Por piedade
Deus conferiu aos poetas a graça
De saberem  escrever cartas de amor,
De sorrir todos os dias,
De descobrir que o amor é uma mentira,
Uma invenção dos amantes
Que cativa os corações dos fracos.
Se te espreito, sou malandro
Espera o tempo passar
Os anos vão confirmar
Que o que faço por ti
Não faço a mais ninguém!
Espreito-te na penumbra
Porventura nas tuas palavras
A ausência da luz é bom
Para os olhos cor de gato
E do teu corpo basta a silhueta
Para te pintar na imaginação.
Nunca cantei de cor poemas
Sem antes ver neles versos de amor.
E Deus, por piedade, conferiu-me a graça de saber escrever cartas de amor
E viver para te amar!

Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 6 de março de 2017

A vergonha da deusa Temis

A vergonha da deusa Temis

Deusa Temis tirou a venda, largou a balança, deixou cair a espada, sentou-se no chão, segurou a cabeça, desgrenhou o cabelo de tanta vergonha quando soube que ele também tem amigos endinheirados.  Lembro-me bem de o ouvir,  o melhor Juiz do mundo, na SIC, numa entrevista miserável ao estilo moralista, afirmando  “que não tinha amigos ricos, razão pela qual  tinha que viver do seu trabalho”.
Pois bem, a mentira parece ter mesmo a perna curta. Sabe-se agora que o melhor Juiz do mundo, o tal a quem chamam de Super, também tem amigos endinheirados, a quem recorre para pedir dinheiro para as obras.
Diz-se que pediu dinheiro a um Procurador, o tal que está detido por ser suspeito de corrupção, branqueamento de capitais, violação do segredo de justiça e falsificação de documentos.
- E agora, como é?
Se o maior Juiz do mundo mandou boquinhas foleiras,  muito para além da sua competência, com comentários jocosos  sobre um processo que tinha em mãos, sobre amigos endinheirados - Onde está a moral?
Adérito Barbosa in olhosemlente
Foto-Google

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Sinto sede

Sinto sede...
só água desta garrafa bebo.
Sentado nesta soleira, juro que estou bêbado, vejo fusco a vida
e sinto a noite a vir contra mim.
Solto as amarras do coração e escuto o fluir do líquido na garganta que dói e os loucos versos de paixão que esta minha pele transpirada recita aos esqueletos mortos do armário.
Fiquei só porque não posso ter
o direito sobre o que não é meu!
Agora sou poeta, outrora fora pintor de quadros que dei cor e forma de corpo de mulher.
Lasco um pouco mais a mente, entro num lugar vazio, vejo no espelho tímido a filha de Coronel.
Não veio e talvez jamais venha, Escuta!...  A noite foi longa e nela perdi-me nas voltas que tracei. Quero saber os mistérios da meia noite e a tua boca a ler os sonetos do teu caderno, enquanto fluo-me
ao encontro da deriva do mar bravio
e revolto.
É melhor olhar de novo do alto de mim, dobrar as pernas ainda assim me permito sentar.
Pensar sem negar,
vestir sem rasgar a tua pele em mim, contornar as margens do imaginário, preencher os espaços vazios e deixar-me cair no vácuo de Galileu,
flutuar e tecer os fios da solidão de pernas para o ar.
Quero ir embora de mim
nesta noite de sede, febre e de arrepios.

Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...