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segunda-feira, 3 de julho de 2017

O corporativismo dos que se julgam intocáveis

O corporativismo dos que se julgam intocáveis

Se os Oficiais das Forças Armadas se atreverem a manifestar, devem ser todos detidos, castigados segundo o RDM e posteriormente expulsos das fileiras sem nenhuma compensação financeira.
Sabem porquê?
Porque quando entrei para os Pára-quedistas, um militar que perdesse a sua arma incorria num crime; quem o punia? - Comandante!
Um soldado que adormecesse nas Torres de Vigia incorria num crime; quem o punia? - Comandante!
Quem faltasse ao serviço incorria num crime; quem o punia? - Comandante!
Quem faltasse às formaturas, não cumprisse com as rondas incorria num crime; quem o punia?- Comandante!
Quem faltasse à escala serviço da guarda, ao içar da bandeira ou à escala de saltos incorria numa pena. Quem o punia? - Comandante!
Quem se ausentasse do quartel era considerado desertor e sabia o que o esperava quando fosse apanhado.
Agora vejam só:
Os comandantes não são capazes de garantir a segurança dos depósitos de armas e já não é crime!
Os Oficiais das Forças Armadas acham-se intocáveis, só pode!

Foto: Pára-quedistas portugueses na Alemanha com Leopardo II

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 25 de junho de 2017

O amanhã foi ontem

O amanhã foi ontem

Hoje vou para longe.
Mas agora já não sei onde é o longe.
Juro, amanhã vou saber
O que é sentir medo.

Esta noite vou aprender
A lamber as chamas.
Ninguém vai gostar
Do trilho da solidão.

Como é lindo o sorriso amargo.
Hoje quero ir sozinho
Para onde ninguém foi
Escrever com angústia o calor.

Hoje quero ir com o fogo
Pela nacional 236
Chorar com os mortos
Na courela dos inocentes
Onde não arde o pecado carnal
Que se fez nas noites mais incendiárias.

O fogo nasceu dentro de nós.
Vejo diabos vestidos de anjos,
Pilatos sacudindo água do capote,
Mas nós já sabemos
O que é arder dentro do inferno.

Não, eu quero ver a razão do fogo
Que atiça o corpo
Que é lenha na lareira do poder
Dos que nos queimam
Entre leis, credos e outras merdas!

Amanhã voltarei
Para o refúgio longe das cinzas
De alma lavada com orvalhos
De olhos abertos ao futuro
De história que não esta.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sábado, 10 de junho de 2017

Há dias assim

Há dias assim,
há dias em que não me apetece,
pensar em nada, nem ouvir ninguém.
Há dias também que me apetece nem falar.
Há dias em que não quero ninguém em mim,
nem ao cinema quero ir.
Nesses dias encomendo a mim,
 à minha mente, à mente que cada dia mais preguiçosa parece ficar,
que me reavive a lembrança
mais uma vez, igual ao que já me faz há muitos anos. Que nunca me deixe esquecer
as pessoas fantásticas,
que me deixe sonhar com elas baixinho, que me deixe guardá-las no coração sem truques e destacar a maior entre todas que tenho.
Há dias assim. Há dias como hoje que, com toda a vontade do mundo, reuno letras que, reunidas, nem sempre saem bem e muitas das vezes não ficam como eu quero. Mas sei que hoje vão sair bem.
Ficar bem, para cantar uma canção à guitarra - daquelas que me fazem sentir feliz e eleger a Maria Leonidia Cunha, amiga  de uma vida - a  Maior entre todos os Amigos.
Há dias assim, como o de hoje,
em que sinto a satisfação de ter uma amiga como tu, LEO!
Há dias que um homem consegue surpreender-se a si próprio, não achas?

Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 30 de maio de 2017

Se eu fosse

Se eu fosse sol
tomaria duche de água fria agora
Gelo eu fosse
estendia-me numa pradaria na hora
televisão seria sem imagem
neste paralelo vivo a vida
que posso.

Sem conhecimento sou patego
quem sabe até labrego
sonhador aspiro ser poeta
para trincar a escrita nas horas
miseráveis.

Estou incapaz de entender
o ritmo do vento que passa
nesta serra onde não se ama.
Não sei onde estou,
nem entendo, mas está na hora.
Como posso esperar que alguém me escute
se sou mudo entre surdos?

Com a cabeça vazia de formas
sempre fiz o meu melhor.
Desde palavras que não disse
às que não ouvi
luto com as ideias dos vivos
para manter a alma quente.

Imagino seguro este lugar
mas aqui só há granizo e frio.

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Outra vez a mesma conversa.


Caro Cor. Duarte Costa, 
Eu sou militar e Pára-quedista na reforma extraordinária como saberá certamente. 
Não tenho curso de Comandos nem curso de Ranger tirado nos USA. Alistei-me em 1978 na Força Aérea Portuguesa porque queria servir o meu País na Força Aérea. Estivesse eu no activo quando houve a transferência para o Exército alegaria isso para não transitar - disso não duvide! 
Saí publicamente em sua defesa quando os Pára-quedistas o insultaram, assim também sou capaz de o contrariar publicamente dizendo que o Sr não tem razão absolutamente nenhuma! 
Sendo Oficial no activo, o recato deveria ser o seu melhor lugar. Julgo saber que o Sr. não é advogado nem dono da instituição Comando que muito respeito. 
A minha formação alerta-me que pode haver algum excesso da sua parte e laivo de vedetismo, violando a condição do seu posto e do cargo que ocupa.
Quanto à morte dos instruendos Comandos, deixe-me que lhe diga que é INACEITÁVEL. 
O único local onde um soldado pode tombar é no campo de batalha e mesmo assim pode-se discutir e muito a razão de ele estar ali.
Assim sendo, digo-lhe frontalmente que não vale branquear a irresponsabilidade de um punhado de instrutores Comando, nem fazer campanha, favor dos Comandos nem vir pra aqui com carta da mãe de um instrutor para arrastar multidões de seguidores, aqueles que adoram lamber as botas dos Coronéis mesmo quando eles digam e façam disparates. Garanto-lhe que isso não o leva a lado nenhum, nem leva os Comandos instrutores a lado nenhum, nem os familiares dos instrutores a lado nenhum. Ninguém está acima da lei nem acima dos interesses dos familiares dos alunos falecidos. 
Devem ser apuradas as responsabilidades, sim! 
Devem ser punidos os responsáveis, sim! 
Devem ser punidos os chefes Militares, sim!
Deveria ter havido consequências políticas a nível das chefias Militares, sim!
Que a comunicação social deve fazer eco disso, também!
Meu caro, eu nunca aceitaria que um filho meu morresse às mãos de meia dúzia de Rambos, quer sejam Pára-quedistas, Comandos, Rangers ou Fuzileiros.
A única maneira do País fazer justiça é investigar e punir exemplarmente os responsáveis pelas mortes dos Militares.


Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 21 de março de 2017

FARISEU

FARISEU

Naquele tempo, Afonso Costa, Advogado e Ministro, fez parte de vários Governos (dirigiu três  até 1923), sendo considerado um dos grandes responsáveis pela instabilidade durante a I República.  Ao sentir o cerco dos fariseus e os pedidos de clemência do povo, mergulhado na ignorância e sufocado na miséria, ele, um “expert”  em questões religiosas, que se  doutorou  em Coimbra com a dissertação "A Igreja e a questão social”, obra em que ataca violentamente a então recente encíclica “Rerum novarum”, pois  fé era coisa que ele não tinha, também não tinha nada para dar ao povo, a não ser explicar as mortes de soldados Portugueses na Flandres, visto que foram mandados para lá à trouxe-mouxe e  por ele super mal equipados e preparados, tipo carne para canhão.
Afonso Costa arranjou três trabalhadores infantis  lá da Cova da Iria – a Pepa, o Éder e a Patrícia - e fez deles os únicos capazes de ver coisas que ninguém via e de  falar com Santinhas que visionaram o fim da guerra e PORTUGAL como campeão europeu; Afonso Costa resolveu o problema dele, desviando as atenções da sua má governação para um canto. Muito mais tarde, lá mais para a frente, Salazar fez o resto e assim fundaram a maior empresa Portuguesa de sempre, que vende milhões de fé e nada de facturas, nada de taxas nem de impostos!
Com a poderosa máquina de “marketing” da Igreja em funcionamento, os fiéis poderão escolher entre uma grande variedade de “souvenirs”: porta-chaves de 5 a 25 €, medalha de ouro oficial da visita a 1300€, camisolas com a imagem do Papa a 20€ e todo o tipo de velas e velinhas para pagar promessas, que se estima serem às toneladas, a preços muito diversos e até o programa comemorativo da visita custa dinheiro! O Vaticano cobra um cachê nunca inferior a 12 milhões  - pelo menos foi assim no Reino Unido.
Digam lá se o Afonso Costa foi ou não um visionário!
E eu, será que eu sou um fariseu?

Adérito Barbosa in olhosemlente
Fotos-google

domingo, 19 de março de 2017

Geometrias

Geometrias

Multiplicar à mão a ilusão
num plano inclinado
vectores verticais primeiro
horizontais só mais tarde
longe dos soldados e noivas
aprisionar a tempestade a um canto
que os nossos olhos verão os raios
do alto de um céu
traçar curtas distâncias
crescendo teimosamente na relva
do Golfe entre o buraco e a bandeira.
Espero como um enólogo a prova
mergulhado no gelo carbónico
sinto o frio das flores
sobre os campos de neve a respirar
o cheiro do campo na cidade
Como agulha entrar pela veia azul
de sangue vermelho
em direção ao coração indefeso
que teima em defender-se
da vontade de um abraço.

Adérito Barbosa in olhosemlente
Foto-google

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