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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Maldita Cocaína - Bendita Cocaína

Maldita Cocaína - Bendita cocaína

Na audição parlamentar na comissão de Defesa Nacional, Azeredo Lopes, revelou que o governo está a rever as regras aplicadas aos militares responsáveis pela guarda de material de guerra, ponderando o uso de "força letal", por considerar que as limitações actuais "podem ser excessivas".

Lendo isto, fica-se com a impressão que se o pessoal de Ronda desse de caras com os assaltantes, gritariam amaricadamente: Socorro, Socorro, acudam!!!, Chamem a policia!
Afinal os militares usam armas a fingir... essa é boa!
Agora é assim: os que guardam as armas podem dar tiros, os outros fazem como mostra a foto. Avé Maria...

Bendita cocaína

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Brisa que fica

Todos os dias sinto a brisa marítima e a aragem da Serra. Foi esta vida que sempre sonhei ter quando me reformasse e fi-lo!

O preço desta decisão é muito alto e começo a sentir na alma o peso dos juros - a falta dos meus amigos, daqueles que sempre fizeram parte do meu mundo. É a fraqueza a tomar conta de mim e a saudade a invadir-me o coração.

A civilização aqui só é aquela que  entra pela casa dentro, em forma de notícias nos vários canais de TV. As notícias da IURD com cenas "hollywoodescas" ou com exorcismos de polichinelo, os pastores castrados, as adopções irregulares, as crianças objecto da desfaçatez das autoridades, os filhos esquecidos pelos pais, os lares ilegais, as caras de pau dos intocáveis magistrados, dos juízes, dos procuradores e das senhoritas assistentes sociais, os relatórios forjados dos senhores advogados que,  por dá cá aquela palha, conseguem escrever que o vírus HIV (Sida) desapareceu, os parvos da CMTV que levaram a Gaia duas moças adolescentes, elas também burrinhas, para fazer figuras tristes, a avó que quer as netas - a pensar no dinheiro - as jornalistas da TVI que, sem avaliar a questão afectiva, debitam "bacoradas" e que mais parecem vedetas  em sessão de estreia de cinema, sem falar dos cem mil comentadores, analistas, sociólogos, psicólogos, criminologistas, professores e juristas.
Esta noite vi os justiceiros da televisão "Canalha" trocarem o espadachim por paninhos quentes, preocupados em lavar a água com sabão macaco, tentando livrar a Sra. Procuradora Geral da República de responsabilidades, no caso das adopções irregulares, sem que haja culpados, tal como acontece com a força do vento que por aqui passa, que é forjada nas alturas e se espalha pela planície, ou como o fogo que começa com uma centelha e se estende pela mata fina até à floresta.
Este cenário dá forma à história da ministra Francisca Van Dunem, que  falou na questão da não recondução da Sra. Procuradora no cargo.
Afinal a Francisca tinha um cargo reservado para a Joana no Tribunal Europeu - tudo fumo de pólvora seca.
À semelhança de muitos outros casos praticados pelos Procuradores, porque é que não propõem prender a Joaninha, para ela própria não contaminar a investigação?
Tudo trapalhadas iguais às trapalhadas que o Rio diz saber, mas não diz quais. ‘O vento mudou mas ela não voltou” e agora “o vento mudou e ele voltou” - o homem que andava por aí e que afinal, ficou mesmo por aí...

Civilização portuguesa no seu melhor!



Adérito Barbosa in olhosemlente





domingo, 14 de janeiro de 2018

Tudo claro

Sempre ficou claro para mim,
que nunca entendi a minha loucura, muito menos a loucura dos outros. Entende as loucuras
quem vagueia no sonho pelas noites medindo a coragem daqueles que não são loucos.
Afinal, sou louco ou não?
Nunca fui são, isso sim!
Não sou são! É isso que eu sou.
Teimoso, escrevo sem graça,
desafino quando cantarolo,
engano-me quase sempre
em tudo o que faço!
Finjo que sou cantor,
Às vezes actor,
ludibrio a dor,
Sem pudor e eu nunca me iludi.
Vejam só, nem a voz que me azucrina a alma no escuro ouço,
finjo ser surdo.
É a minha sina, talvez mania de um teimoso.
Nunca se viu nada assim, pois não?
Nunca entendi isso de ser afinal um são.
Tudo é muito claro para mim.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Israel: conhecer bem para entender melhor

Israel: conhecer bem para entender melhor

O reconhecimento feito pelo Presidente Donald Trump, que Jerusalém é de facto a capital de Israel, foi uma decisão extremamente controversa e vista pelo mundo como um explosivo. 
Que efeitos concretos, essa decisão terá no âmbito militar? 
Para responder a essa pergunta, precisa-se primeiro entender a importância que Jerusalém tem para o judaísmo, islamismo e cristianismo.  
A história de Jerusalém como a conhecemos hoje, começou 1000 anos a.c, quando o rei David a conquistou aos Jebuseus, estabelecendo a cidade como capital do reino de Israel. Durante seiscentos anos até ter sido conquistada pela Babilónia, Jerusalém foi a capital do reino de Israel. Após algumas décadas de exílio, os judeus foram autorizados a regressar a Jerusalém e a construir o seu templo sagrado e, assim, por volta de 538 a.c, a cidade voltou a ser o centro do mundo judaico. Os séculos seguintes foram muito conturbados com a cidade mudando constantemente de mãos, mas mantendo sempre o seu estatuto da capital religiosa dos judeus. 
No início da era cristã, no ano VI depois de Cristo, a cidade e grande parte da região, caiu para o controlo directo de Roma, mantendo-se sempre como a capital religiosa dos judeus. No século IV o imperador Constantino cristianizou o império, construiu igrejas e templos cristãos na cidade, tornando-a também assim importante para os cristãos.  Após a morte de Constantino e da divisão do império romano entre ocidente e oriente, os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém durante trezentos anos, até ao século VII, quando Jerusalém foi capturada pelo Califado Ortodoxo, no ano 638.  Convém referir que a religião islamista tinha surgido pouco anos antes, por volta do ano 610. 
Foi a primeira vez em mil e quinhentos anos de história que, Jerusalém, capturada pelos árabes permitiu o regresso dos judeus. O Califado também se comprometeu a preservar os lugares sagrados cristãos construídos pelo imperador Constantino, estabelecendo Jerusalém como uma cidade multi-religiosa, importante tanto para os muçulmanos como também para os cristãos e para os judeus.  
No ano DCC, os árabes construíram a Cúpula da Rocha - o terceiro lugar mais sagrado para a fé islâmica, no local onde supostamente o profeta Maomé subiu ao céu após a sua morte e local onde ambos - judeus e cristãos acreditam que Abraão estava disposto a oferecer o seu filho Isaac em sacrifício a Deus (Gênesis 22: 1-14).
Em 1099 a cidade foi conquistada pelos Cruzados, massacrando grande parte da população de Jerusalém, tanto muçulmanos como judeus. Os judeus que sobreviveram ao massacre foram capturados pelos Cruzados e vendidos como escravos na Europa e outros exilaram-se no Egipto.  Nessa época o ódio dos cristãos pelos judeus estava associado à captura, crucificação e morte de Cristo.
Em 1187, a cidade foi reconquistada pelos árabes, às mãos de Saladino, que expulsou os cristãos permitindo o retorno dos judeus. 
Em 1517, a cidade foi conquistada pelos Otomanos, onde permaneceu por quatrocentos anos até 1917, quando foi incorporada no império britânico, tendo como missão administrar a cidade.
Em 1922, sob o domínio britânico, a população de Jerusalém triplicou, alcançando quase duzentos mil habitantes dos quais dois terços eram judeus - um terço árabe e uma minoria cristã. 
Em 1947, após o fim da segunda guerra mundial, iniciaram-se os planos para a recriação do antigo estado judeu que tinha existido na região durante muitos séculos. 
Assim, Jerusalém seria partilhada no regime internacional entre árabes, judeus e cristãos.
Um dia após a ONU ter oficializado a fundação do estado de Israel, o Egipto, o Iraque, a Síria, a Jordânia, o Líbano, a Arábia Saudita, o Iémen e milhares de voluntários árabes de todo o mundo, juntaram uma força de quase setecentos mil soldados e atacaram Israel em 1949. Após a guerra, a cidade de Jerusalém foi dividida – metade ficou nas mãos de Israel e a outra metade nas mãos da Cisjordânia. Os templos judaicos que ficaram nas mãos dos árabes do lado oriental de Jerusalém foram profanados, os locais cristãos foram abandonados e alguns foram pilhados.  
Em 1967, Síria, Jordânia, Iraque, Koweit, Líbia, Arábia Saudita, Argélia e Sudão formaram uma força impressionante de seiscentos mil homens, dois mil e quinhentos blindados, concentrados em três frentes ao longo da fronteira de Israel, mas os israelitas souberam do plano e atacaram primeiro, apanhando os árabes desprevenidos. Em apenas seis dias de guerra, Israel venceu mais uma vez.  Com o fim da chamada guerra dos seis dias, Israel ocupou a parte oriental de Jerusalém, que estava nas mãos dos árabes desde o fim da guerra de 1949 e ficaram chocados quando encontraram os templos vandalizados pelos árabes. Por causa disso Israel declarou então Jerusalém sua capital. No entanto essa decisão não foi reconhecida pelo mundo e consideraram capital de Israel, Telavive.  
Os árabes ignoraram quase 1500 anos de história que remonta aos tempos do rei David, alegando que os judeus não têm qualquer laço com Jerusalém. Os judeus como é óbvio afirmam que é mentira e que toda aquela região sempre lhes pertenceu, e que por isso não sairão da cidade de Jerusalém. Por sua vez os muçulmanos afirmam categoricamente que aquela região sempre lhes pertenceu e por isso não sairiam da cidade. 
A parte antiga de Jerusalém é extremamente importante para os cristãos por causa do santo sepulcro, local onde Cristo teria sido sepultado. Também é importante para os árabes que haviam construído na cidade a Cúpula da Rocha, terceiro templo mais sagrado da fé islâmica.
Para os judeus, foi ali que nasceu o reino de Israel, no tempo do Rei David, mil anos antes do nascimento de Cristo.
Os árabes alegam que aquela região, bem como todo estado de Israel, lhes pertence, mas é importante notar, que naquela região, nunca houve um estado muçulmano. Toda aquela região pertenceu ao reino de Israel durante séculos, até ao ano de 638, apesar de a cidade ter passado de mão em mão, sempre foi um ponto importante para a fé judaica. Os árabes antigos reconheceram isso e permitiam aos judeus permanecer na região, mantendo e preservando os seus hábitos e os seus locais sagrados.
A confusão toda começou principalmente em 1948, quando a ONU refundou o antigo e histórico estado de Israel, com a cidade de Jerusalém no centro de toda essa complexa e delicada situação.

Referência: Canal “O Mundo Militar”, Livro “Mundo Árabe Medieval”, Ekipédia e Bíblia 

Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Serei


Sou engenheiro, piloto de avião de papel, condutor de papagaio que voa lá bem no alto,  chauffeur de carros de lata, doutor ou mecânico. Serei cientista ou cozinheiro, talvez bombeiro ou policia quem sabe domador de leões e de zebras. Vou ser um homem elegante e bonito com gravata e tudo, culto para dar palestras. Serei professor e ensaista, farei teatro para rir às gargalhadas de mim próprio e alegrar as criancas e à minha mãe, como um palhaço com bolinha vermelha no nariz. Serei artista, cantor com microfone a sério e até astronauta poderei ser. Serei tudo o que eu quiser e serei o que vocês  me deixarem ser. Vou ser aquilo que nem eu mesmo sei. Vou ser piloto do airbus A380, ou Boeing 747-800, vou ser astronauta da NASA e cientista no "CERN" onde caçarei neutrinos.
Serei homem capaz e sensato, serei concerteza porque eu já sou um estudante aplicado. Quando for grande, farei desta terra vermelha fonte de riqueza para todos. Já líder mandarei construir escolas com carteiras, computadores, projectores quadros interactivos com internet.

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 5 de novembro de 2017

Se o amor soubesse

Se o amor soubesse

Sabes o que é afinar a guitarra pelos acordes LÁ do extremo horizonte?
Sabes o que é ver-te atravessar a minha mente todos os dias e não te poder falar?
Como seria bom, se ouvisses as músicas que ensaiei para te cantar.
Como seria bom sentir-te arranhar as cordas do refrão com as tuas mãos maduras, de unhas envernizadas de azul celeste.
Como seria bom se afagasses a alma do meu inverno com os teus lábios, que o resto, tudo o vento levou…
Homens, nem um conheces, dizes tu, sorridente e segura, sem pudor e eu acredito!
Um sorriso como entrada, um beijo para aconchegar
e enganavas-me a sede nas noites de boémias canções que me faziam sonhar sentado perante a angústia de um copo - mais um whiskey para matar o desejo.
Pago para te ouvir, formosa entre “flashes” e psicadélicos.
Tudo é castiço, mas sinto um frio  tremendo nesta hora
e arrepia-se-me a pele, se me imagino mergulhado no teu cabelo!
Calor, só de rajada, quando da janela embaciada  imaginei um dia a silhueta da tua nudez
quando inebriada pela noite, ias dormir.
O resto imaginei, só imaginação…
Da vida nada sei, nem a rota do meu destino conheço.
O que importa mesmo é
que bati fundo
quando confidenciei ao vento
as lágrimas no eflúvio de recordações.
Voltarei a escrever
poemas para ti, mesmo sem ler nos teus teus olhos o descuido de como trataste o amor.
Debruçado sobre esta mesa, digo-te adeus, um adeus frio.
Quando eu morrer
não deixes que os teus olhos
se espelhem nos meus se não verás um corpo
sem alma que já não conhece
as noites de Lisboa.
Sigo na neblina e deixo os poemas para leres porque já não sei entender os ruídos das madrugadas.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sábado, 21 de outubro de 2017

Engravidaram a Chamusca

Engravidaram a Chamusca

A Chamusca, vila pitoresca de linhagem ribatejana, habituou-se a conviver sem ciúmes com a bonita vizinha Golegã.
A Chamusca nunca quis ir por aí e soberba, como sempre, abraçou e cheirou o perfume do pasto do Ribatejo; respira névoa nas manhãs de neblina, quando acorda e, desnuda, deixa ver as rugas do seu corpo nos diques que teimam em aprisionar o rio, onde se banha.
A vila da Chamusca sente o cheiro e os odores do Tejo que, sereno,  corre debaixo da  ponte, ponte essa onde eu próprio, lá atrás, nos idos anos 80, instruendo do curso de minas e armadilhas,  carregado que nem uma mula, encharcado até aos ossos, investido  de comandante de pelotão, recebi uma importante missão - comandar uma operação militar de importância capital para o país, que visava minar e fazer rebentar com explosivo plástico a ponte da Chamusca, assim que nela entrasse a coluna de blindados dos invasores espanhóis.
Esta operação ocorreu durante a madrugada de uma noite invernosa, fria e chuvosa, mas  aquilo correu muito mal.
Chegámos à ponte de madrugada, depois de uma brutal marcha, organizei uma patrulha de sete  homens e mandei-os então minar a ponte.
Como a marcha tinha sido longa, em vez de colocar o pelotão a fazer segurança, a dar protecção à patrulha e a vigiar os movimentos na ponte, de acordo com os livros, permiti que toda a gente se acoitasse, todos juntinhos uns aos outros que nem gatos  e partimos  para uma soneca, até porque eu tinha informações de que os instrutores só chegariam por volta das quatro da manhã, para monitorarem a operação .
Não contava que os instrutores já la estivessem na ponte, escondidos por entre as colunas, à nossa espera.
A caminho do sono, um grande rebuliço. Era o Director do curso e os seus adjuntos no acampamento base.
Assustado e ensonado, mandei rapidamente formar o Pelotão e com parcimónia e cheio de rigor, mandava alinhar o pessoal.
Eis que o Director do curso disse: - Vire-se, vire-se!
Dei meia volta e, quando ia apresentar o bando de dorminhocos pseudo-sabotadores, o Director saiu-se com esta:
- Sr. Barbosa, desculpe que lhe diga! "Vá para o car.... que o foda!" O resto não conto!
É isso mesmo que me apetecia dizer à PJM, aos comandos militares, sobre a soberba história das armas roubadas dos paiós de Tancos encontradas nas lezírias da Chamusca ou terá ou  sido algum militar que engravidou a Chamusca?


Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...