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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Uma justiça de Merda

 

Uma justiça de Merda

Madrugada toda na SIC, dedicada ao caso Sócrates, leia-se Operação Marquês.
Seja lá o que os implicados fizeram - trafulhices que montaram, roubos que perpetraram, mentiras e artimanhas que usaram , repito seja lá o que for que eles fizeram, não me parece sensato, nem honesto, o plantio dos vídeos dos interrogatórios aos implicados no caso em apreço.
Não me parece leal nem justo, que os agentes da justiça semeiem vídeos num claro intuído de intoxicar a opinião pública, participando com batota na guerra-negócio das audiências, levando a que os suspeitos sejam julgados nas TVS longe dos Tribunais, local de excelência onde devem ser tratados esses assuntos.  Esta técnica dos Procuradores assusta-me, hoje são esses tipos, amanhã posso ser eu, um amigo, pai, filhos ou qualquer um de nós.
Este país está de rastos. Afinal os jornaleiros também têm toupeiras na justiça e a justiça é uma espia de si própria.
Sinto nojo de viver num  país onde os justiceiros andam de mãos dadas com as TVs, lançando merda na ventoinha para emporcalhar as mentes .
Que se ponha na prisão quem prevaricou sim, que se prenda quem infringiu as regras,sim! - sejam eles Sócrates, Salgado ou outros.
Mas também não se esqueçam de prender a Cooperativa inteira, desses  justiceiros-Procuradores-agricultores de vídeos dos inquéritos patrocinadores das audiências das TVs.
Afinal quem prende os justiceiros e os jornaleiros. Não me venham falar no direito de informar. Falem-me antes em negócio e em filho da putice.
Todos os dias luto para não me tornar num Carneiro.

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 15 de abril de 2018

O adeus às armas


Não, não estou a falar do romance de Ernest Hemingway, mas sim dos estatutos dos militares.
Desde que passei a ostentar o título de Reformado/DFA, nunca mais peguei numa arma e nem tenciono usá-la.
Soube que é intenção do MDN privar os militares reformados daquilo que consta no verso do seu BI - “direito ao uso e porte de arma, de qualquer natureza” e que os paspalhões dos chefes militares ficaram impávidos e serenos e deixando o Cowboy  Ministro da Defesa Nacional alterar o estatuto dos militares dizendo - todos os militares reformados devem fazer exames psicotécnico que ateste a sua idoneidade e ainda, deve ser sujeito a um despacho favorável do Director da PSP se quiserem ser portadores de armas.
Esta é boa: - Um militar que andou uma vida inteira abraçado às armas foi considerado idóneo para levar pancada, assim que passa à reforma deixa de ter idoneidade.
Para poder ser portador de uma arma o militar agora, terá de ir se agachar sem cuecas perante o Director da PSP acompanhado do competente atestado médico.
Também vos conto outra coisa:
Em Junho 2015 fui operado pela 4.ª vez à coluna vertebral. Entretanto fiz um requerimento ao EMFA, solicitando a reabertura do processo de averiguação por acidente em serviço.
A JSFAP, actualizou a desvalorização dos 0,45 para 0,65.
De entre outras diligências a Direcção de Pessoal da FAP, enviou o meu processo em novembro de 2017 para a CGA com meu conhecimento, acompanhado de uma nota: - “Actualizar a pensão se a isso tiver direito”.
Passado quatro meses telefonei para a CGA para saber do paradeiro do processo.
Resposta: o processo está cá, e está a guardar tratamento para depois o Sr.  ser chamado à Junta.
Junta? Qual Junta? Eu já fui à Junta de Saúde da FAP disse eu!
Não não, tem que ser visto pelos médicos da CGA.
Conclusão:. A Junta médica da CGA sobrepõe-se à JSFAP.
Alguém entende isto?

Adérito Barbosa in olhosemlente

quinta-feira, 12 de abril de 2018

De alma nua

À minha sobrinha Aisha

De alma nua 

Não se afeiçoem à solidão
nem queiram saber como 
ardem os corações dos poetas
na chama dos vaga-lumes.  
Os poetas são criativos de nada
que sentados na lua inventam cores
longe das inquietudes do mundo.
Os poetas desaprendem com o tempo 
sobretudo quando pincelam 
a poesia com a magia só deles. 
Os poetas vão desaprender com o tempo 
vão deixar de sentir o calor das estrelas
e sonhar de alma nua.
Nos detalhes deixarão de  sentir afectos
e nem à chuva se lhes molhem as ideias.
Agora é tempo de lhes contarmos a verdade, 
dizer-lhes que o corpo das mulheres
tem contornos de um violão,  
cabelos e cordas de cetim.
Vamos saber se eles entendem
os gemidos dos pagãos, 
quando se amam 
nos braços das guitarras.
Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O encanto de acordar Rico...



Dinheiro, muito dinheiro....
Acordei rico. Vejam a proposta que recebi, quando ainda tinha a ramela nos olhos.
Há gajos com sorte. Eu não estou interessado, se houver alguém interessado repasso a proposta.

“Caro Sr. Barbosa.
É a minha necessidade urgente Para um parceiro estrangeiro que me fez entrar em contato com você para esta transação.Eu sou Andre Sayegh trabalhando com o First Gulf Bank aqui em Dubai eu escrevo para contatá-lo sobre uma transação comercial muito importante que será do nosso interesse e benefício para nossas duas famílias.

Um deles, Sr. Watson Barbosa, cujo sobrenome é o mesmo que o seu e tem seu país em seu arquivo como seu local de origem, fez um depósito fixo por 36 meses, avaliado em $ 26.700.000,00 com meu banco. Eu era o seu contabilista antes de subir para o cargo de Chief Executive Officer (CEO). A data de vencimento para este contrato de depósito foi 27 de setembro de 2010. Sadly Watson estava entre as vítimas de morte no terremoto de setembro de 2009 na Indonésia que deixou mais de 1.200 pessoas mortas enquanto ele estava lá em viagem de negócios.
 Desde o último trimestre de 2010 até hoje, a administração do meu banco tem encontrado meios de contatá-lo, a fim de verificar se ele transferirá o depósito ou terá o valor do contrato sacado. Quando descobri que isso vai acontecer, tentei pensar em um procedimento para preservar esse fundo e usar os recursos para os negócios.

Alguns diretores vêm tentando descobrir de mim as informações sobre essa conta e o proprietário, mas mantive-a fechada porque sei que, se souberem que o Sr. Watson está atrasado, eles confiscarão os fundos para si. Portanto, estou procurando a sua cooperação para apresentá-lo como o único a se beneficiar de seu fundo quando ele morrer, já que você tem o mesmo nome, para que o meu chefe de banco pague os fundos para você. Eu fiz o suficiente dentro do arranjo do banco e você só tem que colocar seus dados na rede de informações nos computadores do banco e refletir você como parente mais próximo. Não há risco envolvido; a transação será executada sob um acordo legítimo que nos protegerá de qualquer violação da lei.

Se você concordar com esta proposta, eu não sou uma pessoa gananciosa, então estou sugerindo que compartilhemos os fundos nessa proporção, 50% ----- / 50%, deixe-me saber sua opinião sobre isso e por favor trate esta informação altamente sigiloso e alto sigilo. Vamos passar por cima dos detalhes assim que eu receber sua resposta urgente no Via Email. Por favor envie sua resposta para mim imediatamente através do email abaixo:

Sr. Andre Sayegh
Primeiro banco do golfo de Dubai
Email: andresayegh377@gmail.com”

Você consegue lidar com essa proposta com confiança e honestidade?



Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Soberbo artigo do prof. Rodrigo Oliveira



LULA ERROU


Artigo de Rodrigo Perez Oliveira, professor de Teoria da História da Universidade Federal da Bahia
Não dá mais pra tampar o sol com peneira, negar o óbvio, defender o indefensável: Lula errou, errou feio e vai pagar por isso. Cansei de ficar fazendo malabarismo retórico na internet, defendendo quem tá errado.
Paciência é aquele tipo de coisa que tem limite. Errou tem que pagar. Simples assim.
Não é fácil admitir. Conto quase 32 anos. Votei pela primeira vez aos 16, em Lula. É óbvio!
Durante a metade desses 32 anos de vida, olhei para o governo federal e vi o partido dos trabalhadores lá, tocando o projeto político que me formou.
É que sou da geração REUNI, entendem? Me formei como professor e intelectual, da graduação ao doutorado, na universidade pública administrada pelos governos petistas. Todo aquele papo que vocês já conhecem: primeiro universitário da família, e blá, blá blá.
Trabalhei e estudei muito, muito mesmo. Mas tenho certeza, absoluta certeza, de que não chegaria aqui sem as políticas públicas petistas. Sou um entusiasta da ideia de mérito, pois uma sociedade que não se fundamenta no mérito acaba se transformando no império dos privilégios.
Não podemos entregar a ideia de “mérito” numa bandeja de prata para a direita. Precisamos disputar essa narrativa, e reconhecer que toda a ascensão social da última década se explica pelo encontro virtuoso entre mérito e política pública.
Não foi só mérito. Não foi só política pública. É o encontro entre os dois.
Confesso que é muito difícil pensar o governo federal brasileiro sem o Partido dos Trabalhadores, sem as inaugurações das unidades do Minha Casa Minha Vida. É triste.
Mas o tempo passa, e na medida em que os governos petistas vão cada vez mais se transformando em ausência, vou conseguindo ter uma leitura mais sóbria disso tudo.
E como a sobriedade é o terreno da crítica, cá está a minha crítica ao PT e a Lula. O grande erro do PT foi o grande erro de Lula, pois já há algum tempo, Lula é maior que o PT.
Foi um erro conceitual. Foi um erro de percepção de mundo, de compreensão do que é o Brasil. Justo Lula, tão sagaz, tão sensível para o entendimento da realidade brasileira. Ele errou e errou feio.
Explico.
É que algumas ideias circulam como o ar, entendem?
Algumas ideias estão em todos os lugares, configurando nossos sentidos, mediando nossa relação com o mundo. Se quiserem, podem chamar isso de “senso comum”. A gente nem sabe de onde a ideia veio e por que pensa assim. Mas pensa. É algo tão profundo que se torna quase uma natureza.
O erro de Lula tá aí. Talvez nem dê pra chamar de erro.
Não! Vou chamar de erro sim! Não vou aliviar o sapo barbudo. Não dessa vez! Tô nem aí. Chega! Perdi a paciência! Lula é culpado!
Lula naturalizou uma das principais narrativas de fundação do Brasil, exatamente aquela que define nossas elites como “cordiais”, “paternais”.
Nossos senhores de escravo seriam mais generosos. Por aqui, o racismo teria sido mais brando. Nossos patrões seriam mais bondosos. Nossa Casa Grande seria a morada não apenas da opressão, mas também do cuidado, da proteção.
O mito da cordialidade senhorial brasileira é tão forte, mas tão forte, que, de alguma forma, ele se faz presente em todos nós, prefigura a forma como olhamos e a realidade e interpretamos o Brasil.
O mito da cordialidade senhorial estava em Lula, estimulando sua ação política, a sua interpretação do Brasil.
“Lula gosta de vida boa e cachacinha. Faz tudo pelos pobres, mas nunca quis incomodar os de cima”, disse Marcelo Odebrecht, em delação premiada.
Essa frase merecia mesmo um prêmio, um Oscar! O aforismo define Lula com perfeição: Lula se convenceu de que seria possível melhorar a vida dos pobres sem incomodar os de cima. Lula comprou mito da cordialidade senhorial.
Lula, meus amigos, superestimou as elites brasileiras, achou que essas pessoas fossem capazes de serem melhores do que são. Lula não imaginou que essas pessoas pudessem ser tão baixas, tão ruins.
Lula pensou: “Porra, é só Bolsa Família. Três refeições por dia. O dinheiro vai pro mercadinho, movimenta a economia. Ninguém vai se incomodar com isso”.
Lula pensou: “Qual o problema do pobre estudando na universidade? Quanto mais gente estudando, melhor pra todo mundo, mais educada fica a sociedade”.
Lula pensou: “Quanto mais gente andando de avião, mais as passagens ficam baratas. Melhor pra todo mundo”.
Lula errou, errou feio, errou rude. Lula não imaginava que as elites brasileiras pudessem ser tão mesquinhas.
Lula estava convencido de que dava pra melhorar a vida dos pobres sem incomodar os de cima. Afinal, uma coisa não necessariamente resulta na outra.
Certo?
Não, não e não.
Não porque o cálculo dessa gente não é objetivo. Nossas elites não são racionais. Nossas elites são de tipo antigo, estão atravessadas pela noção de privilégio.
A madame de Copacabana, viúva de militar, pensionista, não quer saber se é melhor, racionalmente falando, viver em um país onde as pessoas comam três vezes por dia. O simples fato de o pobre “ganhar” alguma coisa, uma merrequinha que seja, incomoda a rentista, a parasita que não trabalha, que não produz nada pra ninguém.
O jornalista do Leblon não quer saber se o aquecimento do consumo é algo positivo pra economia do país. O simples fato de descer do prédio e ver as Tvs expostas nas vitrines das Casas Bahia tocando brega, funk e sertanejo lhe enoja. É isso: ele sente nojo, asco daquela estética, daquele tipo de gente.
A professora universitária não quer saber se a passagem de avião tá mais barata. Ela olha pro lado e vê o mestiço ali, de bermuda e chinelo, quase encostando nela. Tá muito perto, tá igualado pela posição de consumidor.
É outra lógica da luta de classes, entendem? É a luta de classes materializada na forma de convívio nos espaços de consumo, de gozo.
Nossa elite não consegue aceitar o gozo do pobre. Para as nossas elites, o pobre só deve gemer de dor. O prazer é monopólio, é privilégio. Nossas elites são sádicas.
É com esse tipo de gente que Lula achou que dava pra governar. Lula achou que eles seriam capazes de ceder um pouco, só um pouquinho.
Lula vacilou, vacilou muito.
Lula achou que não precisava barbarizar, achou que dava pra todo mundo conviver em harmonia.
Lula não quis ser caudilho. Não quis cultivar um dispositivo militar. Não quis fechar a Globo. Não quis fazer culto à imagem. Não quis botar um busto de bronze em cada buraco desse país. Não quis um terceiro mandato. Não quis rasgar a Constituição.
Lula não quis aparelhar o Judiciário.
Em algum momento, Lula achou que o problema do Brasil estava resolvido, e que era hora de sair de cena. Lula chegou a pensar em abandonar a política, e se tornar uma liderança mundial no combate à fome; um líder identificado com uma agenda humanista, suprapartidária.
Tolo!
Lula brincou de republicanismo na terra dos coronéis. Lula errou muito.
Lula achou que nossas elites o perdoariam, o deixariam em paz.
Lula achou que essa gente perdoaria sua ousadia.
Lula achou que poderia se sentar à mesma com eles. Beber o mesmo vinho.
Eles não engolem, eles não aceitam esse peão cachaceiro, insolente. Analfabeto.
Lula errou em se deixar levar pelo mito da cordialidade senhorial, e pagou caro, muito caro.
Pagou com a infelicidade dos filhos e netos, com a morte da companheira de uma vida. Lula sofrerá até o último momento de sua vida.
Lula será odiado por essa gente mesmo depois de morto. O corpo morto de Lula precisará de escolta, de proteção. Eles vão querer mutilar o defunto, arrancar-lhe as vísceras, salgar o terreno onde será cavada a cova, para que nada mais ali brote. Da cova do operário que ousou ser presidente da República fundada pelos bacharéis, do país forjado no escravismo, nada pode brotar.
Lula errou, e errou feio e por isso foi condenado.
O julgamento do dia 24 de janeiro nada teve a ver com o Triplex que não foi comprado. Lula foi julgado e condenado porque superestimou o Brasil.
Lula achou que o Brasil fosse melhor do que é; achou que o Brasil pudesse ser o que jamais foi, o que jamais será. Quanta pretensão, quanta ousadia! Que todos os juízes do Brasil condenem o criminoso!
Foto Ricardo Stuckert

domingo, 8 de abril de 2018

A insustentável leveza de ser de um presidente impreparado

A propósito das dores das costas do Bruno no final do jogo em Alvalade - Sporting Vs Paços de Ferreira.
Qualquer pessoa minimamente esclarecida, sabe quais são as  características de um psicopata: alega doença, diz que tem dores de qualquer coisa, que se sente cansado, vitimiza, mente, nega o óbvio e acredita piamente na sua própria voz e sei lá que mais, quando se lhe pede explicações pelos seus actos tresloucados. 
Foi o caso do Presidente do Sporting, hoje quando os Sportinguistas o assobiaram e lhe mostraram lenços brancos, indicando-lhe a porta de saída.
- Bruno, rua e já!
Adeus.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com 

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...