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quinta-feira, 10 de maio de 2018

ESTAÇÃO CERTA



ESTAÇÃO CERTA

Por Alice Duarte

Se o sol entrar pela vida sem pedir licença,
como falarei sem estilhaçar o ténue cristal da memória?
Por vezes digo “lembras-te”,
só porque queria que te lembrasses.
Sei que se vão apagando os pormenores,
os locais já são só aguarelas sem forma
e as cores escorrem na tela
deixando um borrão indecifrável.
Era eu ou outra de mim?
Tantas, tantas foram… tantas sou,
ainda que não me reconheças.
Tento não destruir o que ficou gravado
nas paredes transparentes que ecoam dentro de mim
sem (me) te ferir,
mas ainda não estão maduros os sons simples da verdade.
A urgência reside apenas na dúvida da estação certa.

Autora: Alice Duarte, 2017h

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O novo chefe dos cantoneiros


A Malta militar está em êxtase, porque um militar paraquedista foi nomeado Comandante Nacional da Proteção Civil.
Ninguém cala a Malta com esse assunto, não há paciência...
Eu fui nomeado chefe dos cantoneiros da minha aldeia, num despacho do Sr. Presidente da Junta e, ninguém diz nada, não saiu nos jornais e não vejo ninguém a congratular-se com a minha nomeação para essa nova e difícil função!
Espero contudo conseguir levar a bom porto as limpezas das ruas e das vacarias. Prometo usar a minha boina verde em serviço.
Vamos lá Malta, entupam as redes sociais com esta notícia que vos dei:
“Adérito Barbosa, novo chefe dos cantoneiros da aldeia”

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Plantar um deserto


Quem plantou um deserto de ideias no meio da minha cabeça hoje?
Quem escondeu as prosas de mim, que não consigo encontrá-las?
Quem fez isso não acredita na ilusão do sonho, na magia da escrita, nem nas manhas das estrelas.
Grito para dentro de mim, sempre que a escrita adormece agarrada à saudade.
Não consigo disfarçar a nostalgia do silêncio
quando ao som das músicas passo em rodapé a minha vida
e vejo escorregar do lápis um fio fininho, como a água da nascente
que corre pelo papel e cresce e cresce até se tornar prosa.
É um prazer inexplicável!
É assim que adormeço quase sempre.
Nunca disfarcei o amor pela magia da escrita e admiração pelos escritores.
Para mim é um acto de liberdade escrever.
Não há liberdade maior do que pôr no papel o que me ocorre,
mesmo sendo coisas estapafúrdias.
Tenho pena, isso sim, de não ser capaz de escrever melhor.

Adérito Barbosa in olhosemlente

Escrita a duas mãos


Da minha amiga Graciete Guedes

Graciete Guedes poetisa, escreveu:

Lembro-me de ti
Para me esquecer de mim
Esqueço-me de ti
Para me lembrar de mim
E nesta dualidade vivo
Trocando os passos
Em danças constantes
No samba ou no tango
Que importa afinal
Tu és o ator
Dos filmes que vejo
O tocador
Do meu violão
A última música
De um disco riscado
Espetáculo acabado
Que não teve fim
G.G.



Adérito Barbosa respondeu.

Eu também me lembro de ti
e nunca me esqueci de mim.
Nunca deixei de estar vivo mesmo morto.
Às vezes trôpego, dancei nas memórias mas não caí.
Não, não sou actor dos filmes que tu vês.
Sou os teus olhos e tu realizadora de sonhos.
Eu sou a guitarra afinada e tu unhas de marfim que arranha.
- O espectáculo segue dentro de momentos.
No intervalo, morreram os actores,
renasceram, reescreverem a história já com correções.
Não foi o fim não senhora.
A vida é um raio de luz neste palco.
Ocupa o teu lugar que o espectáculo vai começar,
viajaremos para as calendas do Pacífico,
rodopiaremos nas velas dos moinhos
à bolina do vento norte e,
dormiremos nus no jardim do Éden
entre a maçã e a serpente.
Ninguém saberá de nós. Nem o Facebook!


Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 1 de maio de 2018

Pimenta não olha a cus

Cu é na Química o símbolo do cobre, mas de acordo com o dicionário é um substantivo  masculino.
Em calão pode-se dizer que é rabo e, num tom mais Informal, bate no cu da garrafa - sim a garrafa tem cu.
A agulha também tem um cu, buraco por onde passa a linha.
Todos temos cu: uns andam de cu tremido, quando andam de carro e outros a cair de cu, quando batem com as nádegas no chão ou ficam espantados, sem palavras, por algo inesperado ou até por uma notícia que os deixa cépticos.
Roçar o cu pelas paredes é para os cus daqueles que são preguiçosos, ao contrário daqueles que vão até ao cu de Judas trabalhar.
Há também os cus de sono, expressão que se aplica, por exemplo, a filhos dorminhocos.
E ainda conhecemos aqueles que dão o cu por meio tostão, para conseguirem qualquer coisa, ou os que dão ao cu, que saracoteiam as ancas. Dar de cu acontece com os carros, quando viram a traseira para um dos lados.
E agora chega a mariquice: dar o cu, sexo anal, enquanto o agente passivo é sodomizado.
E encher o cu? Isso é só para os que comem demasiado.
Se isso não vale um cu, então não  tem valor nenhum.  Mas se o indivíduo nasceu com o cu virado para a Lua, identificamo-lo como um sortudo, que tem muita sorte em tudo na vida.
Pimenta no cu dos outros é refresco. Mas quando todos têm a mesma pimenta no traseiro, verifica-se que são todos iguais. Todos iguais. Tenham as cores que tiverem, o dinheiro que tiverem, ou as manias que tiverem... o cu arde de modo igual.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 27 de abril de 2018

0 questões sobre a cidade de Lisboa

Lisboeta que se preze sabe responder a estas 10 questões sobre a cidade. Ou então não sabe, mas finge.

*1 Por que é que os homens do lixo são “Almeidas”?*

Chamamos “Almeidas” aos homens que recolhem o lixo porque os primeiros a
fazer esse trabalho vinham de Almeida, na Guarda, vila fronteiriça da
comarca de Pinhel. Se fossem naturais da Lixa, cidade do concelho de
Felgueiras, esta história tinha mais piada.

*2 Por que é que há um arco no meio da Praça de Espanha?*

O arco que está no meio da praça fazia parte do Aqueduto das Águas Livres e
estava na Rua de São Bento. Foi desmontado aquando de umas obras de
remodelação, em 1938, e esteve espalhado na rotunda da Praça de Espanha até
1998, ano em que um gigante apaixonado por Legos o devolveu à sua forma
original.

*3 É mesmo proibido dar de comer aos pombos? Porquê?*

Dar milho aos pombos é proibido de acordo com o n.º1 do Art.º 60º do
Regulamento de Resíduos Sólidos. A dieta é obrigatória para evitar que esta
praga se reproduza. Ou seja, se os pombos comerem os seus restos de pão e
bolos não vão comer o milho contraceptivo que é distribuído pela cidade com
o objectivo de controlar essa encantadora população de aves que insiste em
redecorar os nossos carros com os seus excrementos.

*4 Quanto ganha o presidente da Câmara?*

Está a pensar candidatar-se ao cargo? Acha que podia fazer melhor ali no
Eixo Central ou tem outras ideias sobre como tornar o trânsito mais caótico
em 2018? Fique a saber que um presidente da Câmara de Lisboa ou Porto ganha
3.587€ ilíquidos por mês, 55% do salário base do nosso presidente. O
cálculo do ordenado é feito com base no número de eleitores de cada
município.

*5 Quanto mede a rua da Betesga? É assim tão pequena?*

A Rua da Betesga tem aproximadamente 10 metros de comprimento e é tida como
a rua mais pequena de Lisboa. A expressão “meter o Rossio na Rua da
Betesga” é usada sempre que um lisboeta muda de casa e tem de tirar o sofá
pela porta da entrada.

*6 Quanto tempo demoraram as obras de Santa Engrácia?*

284 anos. De 1682 a 1966. Demorou, mas lá que ficou uma obra bonita, isso
ficou.

*7 Há um faroleiro no Bugio?*

O farol, no Forte de São Vicente do Bugio, deixou de ser uma fortificação
em 1945 e tornou-se automático em 1981. No ano seguinte os faroleiros foram
mandados para casa e desde então que está vazio. Isto significa que se
quiser pode ocupar o forte, declarar a sua independência e começar a emitir
moeda. Não diga a ninguém que fomos nós que demos a ideia.

*8 Qual é a pata direita do cavalo de D. José?*

É a esquerda. Não conhece o trocadilho? É uma provocação tão antiga como a
estátua equestre que está no Terreiro do Paço. A pata direita – ou que está
“a direito” – é a pata esquerda do cavalo. A pata do seu lado direito está
ligeiramente dobrada, daí ser possível brincar com os vários significados
da palavra “direita”. É rir a bom rir. E qual é a cor do cavalo branco de
D. José? Ok, ok, vamos parar com isto.

*9 É verdade que a estátua que está no Rossio é de um imperador mexicano?*

Não e é uma pena. Dava uma belíssima história. O mito urbano de que a
estátua que está na praça do Rossio não é de D. Pedro IV, mas sim do
imperador Maximiliano do México, é só isso mesmo: um mito. Reza a lenda que
o escultor tinha feito uma belíssima estátua do tal imperador, entretanto
fuzilado, e para não dar o trabalho por perdido reciclou-a como homenagem
ao monarca português.

*10 Estamos todos familiarizados com a Segunda Circular, mas onde fica a
Primeira Circular?*

A Primeira Circular existiu e “circulava” a cidade no século XIX: começava
no Largo de Alcântara, passava pela Rua D. Carlos, Rua Marquês da
Fronteira, Duque de Ávila, Praça do Chile e por aí acima pela Morais Soares
para depois descer até Santa Apolónia. Representava na altura os limites da
cidade, que entretanto transbordou e vai daí fez-se uma Segunda Circular.

Adérito Barbosa in olhosemlente

Os DDT

A República portuguesa  consagra na sua constituição, quatro órgãos de soberania ou órgãos do estado - Presidente da República, Assembleia da República, Governo e Tribunais. Eestabelece ainda  a separação e a interdependência dos poderes dos órgãos de soberania.
O Presidente da República pratica actos do poder executivo e é um moderador por excelência.
A Assembleia da República exerce o poder legislativo e fiscaliza a ação do Governo.
O Governo pratica actos do poder executivo e do poder legislativo.
Os Tribunais exercem o poder judicial. Sendo os juizes o garante da justiça.
É aqui que há marosca. Um órgão de soberania não pode defender o interesse cooperativista dele próprio.. Estou a falar dos juizes e do seu presidente de sindicato.
Os ministros não podem fazer greve no âmbito da suas funções e não podem ter Sindicato.
O Presidente da República e a Assembleia não podem fazer greve no âmbito das suas funções, - magistrados (juizes) podem?
É esquisito ouvir um juiz tomar partido em debate se esta notícia ou aquela, é ou não de interesse público,  como foi o caso do Sr. presidente do  sindicato dos juizes no  programa Prós e contra.
Refiro-me à desonesta publicação dos vídeos do caso Sócrates. Aquilo é uma devassa e um assassinato ao vivo e a cores.

Adérito Barbosa in olhosemlente


Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...