Tenho a luz da amargura
a iluminar o passado.
Já fui rei da ilusão
agora sou cravo murcho
que espera pela primavera
numa outra vida sem esperança...
se ao menos houvesse um dia
depois do cansaço,
dormiria no teu regaço sentados
na crina da tempestade.
Se ao menos o teu olhar fosse
um barco sem amarras...
que gemesse nas veias de uma guitarra...
dirias o que sentes que o resto sei eu!
Na linha da vida reza a sina
na sorte da estrela cadente
Deus marcou a solidão
com uma cruz no eléctrico que passa na rua da minha canção.
E há quem leve toda a vida
a bailar com a vida inteira..
não sei fazer preces - Lisboa, ninguém ama as tuas noite como eu!
Adérito Barbosa in olhosemlente
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Metamorfose ambulante
Quando jovem ainda senti uns laivos de interesse pela psicanálise. Não sei porquê, essa sensação evaporou-se-me da mente como gasolina ao ar.
Talvez Freud soubesse explicar esse meu interesse rápido e o desinteresse repentino pela psicanálise. Talvez por ter lido uma tese de uma inimiga dele, dizendo que ele era um demolidor de ídolos e que ele, Freud, esmagava as ideias dos outros até à exaustão. E acrescentou: "Nenhuma ideia pré-concebida lhe escapava". Agora que estou velho, voltou a despertar em mim, outra vez, o interesse pela psicanálise.
Comecei a chafurdar na vida de Freud , nome que, ao longo de toda a vida, ouvi a ser citado por psicanalistas e outros que, por qualquer motivo diziam a mesma frase: "Freud explica".
Fui tentar então saber quais as explicações de Freud.
O homem chamava-se Sigmund Schlomo Freud, nasceu na Morávia em 1856 e foi fundador da Psicanálise. Na universidade começou por se interessar pela sexualidade das enguias e mais tarde, passou a estudar a "anatomia e a histologia do cérebro do homem." Nos estudos encontrou elementos comuns entre a organização cerebral humana e a dos répteis e então começou a questionar a supremacia do homem sobre os outros animais. Serviu-se da hipnose para aceder aos conteúdos mentais no tratamento dos seus pacientes com histeria. Quando viu a melhoria dos pacientes, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica e não orgânica. Essa hipótese serviu como base para outros conceitos, como o do inconsciente. Ficou conhecido pelas teorias dos mecanismos de defesa, da repressão psicológica e por aí fora.
O psiquiatra Reinaldo José Lopes, outro inimigo de Freud, defende na sua tese que Freud, o pai da psicanálise, nunca explicou coisa nenhuma, apenas se limitou a interpretar.
Enquanto pesquiso a vida de Freud, e para complicar mais um bocadinho, surgiu do nada na minha “playlist” do You Tube a música do Raul Seixas, "Metamorfose ambulante",
interpretada pelo músico, também ele brasileiro, Zé Ramalho, onde, às tantas, num simulacro de entrevista ele diz:- O Freud explica! Quando lhe perguntam: - Zé, o que é a metamorfose ambulante? O tamanho do pénis influencia no processo de criação da música? No corpo da letra da canção encontrei a resposta:
"se hoje sou estrela amanhã já se apagou, se hoje eu te odeio amanhã tenho-te amor, faço amor, eu sou um ator, eu vou desdizer aquilo tudo que eu disse antes, prefiro ser essa metamorfose ambulante"
Freud está para a psicanálise como António Sérgio e Fernando Pessoa estavam para Teixeira de Pascoaes.
Segundo Álvaro Giesta, investigador e ensaísta, quando o pai de Teixeira de Pascoaes, que era amigo de António Sérgio, mostrou orgulhosamente os escritos do filho, adivinhando um futuro risonho para o jovem escritor com o apoio dos dois dinossauros, Sérgio pegou nos escritos e num tom jocoso, fez um gesto para trás das costas, mas para a parte de baixo:
-Olha, limpa mas é o cu a isto!
Afinal Freud, para ser endeusado, infernizou a vida e as ideias dos outros cientistas, matando-os à nascença, sem que alguma vez tivesse demonstrado cientificamente seja o que fosse. O Teixeira de Pascoaes sentiu também essa atrocidade na pele. Nunca foi um escritor de topo, porque Sérgio e Pessoa encarregaram-se de o “diabolizar”, tal como hoje o moribundo diabolizou o governo, jornalistas e políticos, fazendo acreditar que os políticos que governam Portugal são passarinhos.
Será que Freud explica se eles sofreram alguma metamorfose?
Adérito Barbosa in olhosemlente
quarta-feira, 11 de julho de 2018
AS BOCAS DAS GRUTAS
Estas psicólogas e parapsicólogas nunca estiveram à boca de qualquer gruta - seca ou inundada. Mesmo assim, puseram-se em bicos de pés, sem vergonha nenhuma e com a maior desfaçatez deste mundo - dias a fio a opinar sobre o resgate dos rapazes aprisionados na gruta tailandesa. Fiquei a saber que os portugas são experts em resgates, nos estúdios das TVs.
Essa gente deu bitaites como se alguma vez tivesse feito algum resgate, com excepção de um mergulhador profissional português que, com muita propriedade e sem nunca especular, falou sobre o resgate que ele próprio fez, na Guiné, a um sobrevivente de um navio que se afundou, ficando no seu interior durante 72 horas, graças a uma bolha de ar em que permaneceu durante esse tempo. Segundo ele, a operação demorou quatro horas (há um vídeo desse resgate a circular no YouTube).
Os outros indivíduos falaram sem vergonha do evento que estava a decorrer, como se os operacionais envolvidos nessa operação fossem todos uma cambada de incompetentes.
Descansado fiquei, ao saber que, se houver uma situação idêntica em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo, envia-se para lá a Judite de Sousa e todo o pessoal comentadeiro da CMTV, mais uns quantos paspalhões e paspalhonas para fazerem o resgate.
Que eu saiba, nenhum caso similar em gruta inundada aconteceu em Portugal - muito menos numa gruta com aquela extensão e com aqueles sifoēs.
A quantidade de licenciados em grutas, a dar palpites, foi impressionante. Falaram sobre o assunto, completamente às cegas, sem terem informação do centro de comando e sem conhecerem a situação.
Houve um artista com ar de seboso, que afirmou na SIC Noticias que o início do resgate poderia ter sido feito mais cedo.
Um outro anormal opinou que teria sido possível retirar as crianças de uma só vez, umas a seguir às outras, em vez de efectuarem a extracção em três fases, como está a ser feito. Outro artista vomitou severamente contra as autoridades tailandesas, por terem enviado para a gruta um mergulhador sem experiência, que acabou por morrer – a realidade diz tratar-se de um militar de 38 anos, primeiro sargento salvo erro, fuzileiro naval e mergulhador de combate com 19 anos de experiência.
Depois disto tudo, dei comigo a pensar: - Por onde andava essa gente, quando há trinta anos desapareceu um jovem nas grutas da Serra da Arrábida que, até hoje, dele nada se sabe?
O desfile dos psicólogos foi vergonhoso. Quantas pessoas resgatadas das grutas portuguesas tiveram apoio psicológico dessa gente?
Se este país não conseguiu resgatar o Pedro Dias à superfície, nem conseguiu resgatar a Maddie McCann, imagine-se a trabalheira que seria resgatar duma gruta a equipa de doze miúdos e o seu treinador, que seguramente teve um papel preponderante, sobretudo no estado de espírito da equipa em situação tão adversa.
Seria giro ver a Judite no deserto do Saara à procura do escaravelho e a CMTV, de lupa, à procura de sangue.
Com ânsia de brilhar, a locutora disse:
“ Infelizmente não aconteceu o pior”
Adérito Barbosa in olhosemlente
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Espantalho
Especado no silêncio do nabeiro
vagabundo e chorão no meio de nada
cheio de medo das palmas
de ninguém.
Às vezes só consegue escutar o ruído do mundo ao longe
noutras esquece-se
de escrever na areia fina
o silêncio que arrepia o deserto nos dias de tempestade
e a resposta não sei
tem pressa em viver hoje,
amanhã devagar e morrer só depois do luto e da festa
sonha soprar o vento.
de leste para oeste
de sul para norte
de nordeste para sudoeste
de noroeste para sudeste
da Noruega para a Suécia, dali para acolá
de mim para ti
de ti para eles
deles para outros
do mar para a serra
do chão para o ar
das batatas para as papaias
do açúcar para o sal
da água para as rochas
do nada para todo o lado…
para todo o lado…
tudo numa perfeita e harmónica confusão do caos.
Para que ninguém entenda nada!
E ri-se, o maroto do espantalho…
Quer viver o amainar da brisa no meio da regueira das couves e do escaravelho
e ainda rebolar na samarra, na anca da mondadeira.
Quer ver o pescoço sufocado da gola alta,
o fumo sair de um tubo de escape do brinquedo abandonado.
Quer ouvir o choro de uma boneca sem braços,
de cabelos arrancados sem piedade pela criança que brinca na soleira da porta.
Quer ouvir o apito desalvorado do comboio em marcha atrás
sentir o silêncio húmido e frio das estrelas apagadas
ver o vulcão moribundo
a fumegar dentro do cachimbo...
Quer de tudo um pouco para fazer da sua vida um circo.
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot
vagabundo e chorão no meio de nada
cheio de medo das palmas
de ninguém.
Às vezes só consegue escutar o ruído do mundo ao longe
noutras esquece-se
de escrever na areia fina
o silêncio que arrepia o deserto nos dias de tempestade
e a resposta não sei
tem pressa em viver hoje,
amanhã devagar e morrer só depois do luto e da festa
sonha soprar o vento.
de leste para oeste
de sul para norte
de nordeste para sudoeste
de noroeste para sudeste
da Noruega para a Suécia, dali para acolá
de mim para ti
de ti para eles
deles para outros
do mar para a serra
do chão para o ar
das batatas para as papaias
do açúcar para o sal
da água para as rochas
do nada para todo o lado…
para todo o lado…
tudo numa perfeita e harmónica confusão do caos.
Para que ninguém entenda nada!
E ri-se, o maroto do espantalho…
Quer viver o amainar da brisa no meio da regueira das couves e do escaravelho
e ainda rebolar na samarra, na anca da mondadeira.
Quer ver o pescoço sufocado da gola alta,
o fumo sair de um tubo de escape do brinquedo abandonado.
Quer ouvir o choro de uma boneca sem braços,
de cabelos arrancados sem piedade pela criança que brinca na soleira da porta.
Quer ouvir o apito desalvorado do comboio em marcha atrás
sentir o silêncio húmido e frio das estrelas apagadas
ver o vulcão moribundo
a fumegar dentro do cachimbo...
Quer de tudo um pouco para fazer da sua vida um circo.
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Herói rasca
Herói rasca
Noite passada fui ao Bar Danau no Baleal tomar café, e alegrar a vista.
Foi um fiasco total. Produto de beleza para a minha idade, zero. Era tudo canalhada, entenda-se rapaziada nova que passam o dia a surfar ondas e à noite tomam umas pilecas ou surfam nos copos.
No Bar Danau aos domingos há música ao vivo. Ontem actuou lá uma banda composta por 4 irmãos: três tocavam e o quarto membro, mais velho, era tipo engenheiro de som, daqueles que fica de copo na mão no meio da sala a ouvir e a dar indicação aos irmãos. Fiquei com a ideia que o tipo anda à boleia dos manos para beber uns copos à borla.
Os rapazes tocavam bem e o som estava bem calibrado, ambiente simpático, mas músicas de constituir família anglo-saxonicas e country não são ondas para o meu ouvido surfar. Eu surfo na crista das ondas do rock progressivo.
Não havendo nada para lavar a vista, arranjei a companhia de um whiskey e de um café - pago ao balcão 6,70€.
Na debanda do balcão em direção à mesa, levei por arrastão o jornal CM - apesar de não ser consumidor.
Passei por cima das facadas, mortes, roubo, sangue, cadáveres, e da miséria humana dos classificados, eis que na penúltima página encontro uma coisa em forma de notícia que também não era notícia - um texto muito bem escrito sobre o forrobodó montado em lisboa à volta de um sujeito que por acaso já morreu de seu nome Zé Pedro dos Xutos.
Pela primeira vez na vida li um texto no CM com o qual me identifiquei. O texto rezava indignadamente uma missa sobre a histeria dos Vereadores, do Presidente da CML, do Presidente da República, do 1.º ministro, deputados da nação, gente finória e carneiros - estavam lá todos, aos saltos e aos pinotes no palco do Rock in Rio, exigindo a Deus um lugar ao sol para alma do Zé Pedro e quem sabe cogitando a transladação das ossadas dele para o Panteão Nacional, cantarolando em uníssono a Minha Casinha.
Toda a gente conhece a música a Minha Casinha dos Xutos e Pontapés, mas o que muito pouca gente sabe é que essa canção não é um original do Xutos e Pontapés, mas sim letra da autoria de Silva Tavares, e música de António Melo. Música esta que ficou conhecida ao ser cantada por Milú no filme Costa do Castelo.
Zé Pedro, certamente era um gajo porreiraço, fumou ganzas, chutou charros que se fartou, bebeu shots até mais não, intravenou com material pesado nas veias, snifou, curtiu a vida e morreu.
O país lambisgoio não pára de o glorificar.
Heróis: são os militares mortos na 1.ª guerra mundial, nas três guerras de África e Bósnia.
Heróis são os militares da GNR mortos ou feridos em serviço, são os agentes da PSP baleados em serviço, os Bombeiros que dão a vida pelos outros, o cidadão anónimo que arrisca e sacrifica a sua vida em prol dos outros.
Zé Pedro que me perdoe, ele não é herói merda nenhuma!
Lletra original da Minha casinha.
Que saudades eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta como eu
Como é bom meu Deus morar
Assim num primeiro andar
A contar vindo do céu
O meu quarto lembra um ninho
E o seu tecto é tão baixinho
Que eu ao ir p’ra me deitar
Abro a porta em tom discreto
Digo sempre senhor tecto
Por favor deixe-me entrar
Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres …
Tem mais alegria
De manhã salto da cama
E ao som dos pregões de Alfama
Trato de me levantar
Porque o Sol meu namorado
Rompe as frestas do telhado
E a sorrir vem me acordar
Corro então toda ladina
Minha casa pequenina
Bem dizendo o solo cristão
Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer
Diz o povo e tem razão
Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres
Tem mais alegria
Adérito Barbosa in olhosemlente
Noite passada fui ao Bar Danau no Baleal tomar café, e alegrar a vista.
Foi um fiasco total. Produto de beleza para a minha idade, zero. Era tudo canalhada, entenda-se rapaziada nova que passam o dia a surfar ondas e à noite tomam umas pilecas ou surfam nos copos.
No Bar Danau aos domingos há música ao vivo. Ontem actuou lá uma banda composta por 4 irmãos: três tocavam e o quarto membro, mais velho, era tipo engenheiro de som, daqueles que fica de copo na mão no meio da sala a ouvir e a dar indicação aos irmãos. Fiquei com a ideia que o tipo anda à boleia dos manos para beber uns copos à borla.
Os rapazes tocavam bem e o som estava bem calibrado, ambiente simpático, mas músicas de constituir família anglo-saxonicas e country não são ondas para o meu ouvido surfar. Eu surfo na crista das ondas do rock progressivo.
Não havendo nada para lavar a vista, arranjei a companhia de um whiskey e de um café - pago ao balcão 6,70€.
Na debanda do balcão em direção à mesa, levei por arrastão o jornal CM - apesar de não ser consumidor.
Passei por cima das facadas, mortes, roubo, sangue, cadáveres, e da miséria humana dos classificados, eis que na penúltima página encontro uma coisa em forma de notícia que também não era notícia - um texto muito bem escrito sobre o forrobodó montado em lisboa à volta de um sujeito que por acaso já morreu de seu nome Zé Pedro dos Xutos.
Pela primeira vez na vida li um texto no CM com o qual me identifiquei. O texto rezava indignadamente uma missa sobre a histeria dos Vereadores, do Presidente da CML, do Presidente da República, do 1.º ministro, deputados da nação, gente finória e carneiros - estavam lá todos, aos saltos e aos pinotes no palco do Rock in Rio, exigindo a Deus um lugar ao sol para alma do Zé Pedro e quem sabe cogitando a transladação das ossadas dele para o Panteão Nacional, cantarolando em uníssono a Minha Casinha.
Toda a gente conhece a música a Minha Casinha dos Xutos e Pontapés, mas o que muito pouca gente sabe é que essa canção não é um original do Xutos e Pontapés, mas sim letra da autoria de Silva Tavares, e música de António Melo. Música esta que ficou conhecida ao ser cantada por Milú no filme Costa do Castelo.
Zé Pedro, certamente era um gajo porreiraço, fumou ganzas, chutou charros que se fartou, bebeu shots até mais não, intravenou com material pesado nas veias, snifou, curtiu a vida e morreu.
O país lambisgoio não pára de o glorificar.
Heróis: são os militares mortos na 1.ª guerra mundial, nas três guerras de África e Bósnia.
Heróis são os militares da GNR mortos ou feridos em serviço, são os agentes da PSP baleados em serviço, os Bombeiros que dão a vida pelos outros, o cidadão anónimo que arrisca e sacrifica a sua vida em prol dos outros.
Zé Pedro que me perdoe, ele não é herói merda nenhuma!
Lletra original da Minha casinha.
Que saudades eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta como eu
Como é bom meu Deus morar
Assim num primeiro andar
A contar vindo do céu
O meu quarto lembra um ninho
E o seu tecto é tão baixinho
Que eu ao ir p’ra me deitar
Abro a porta em tom discreto
Digo sempre senhor tecto
Por favor deixe-me entrar
Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres …
Tem mais alegria
De manhã salto da cama
E ao som dos pregões de Alfama
Trato de me levantar
Porque o Sol meu namorado
Rompe as frestas do telhado
E a sorrir vem me acordar
Corro então toda ladina
Minha casa pequenina
Bem dizendo o solo cristão
Deitar cedo e cedo erguer
Dá saúde e faz crescer
Diz o povo e tem razão
Tudo podem ter os nobres
Ou os ricos de algum dia
Mas quase sempre o lar dos pobres
Tem mais alegria
Adérito Barbosa in olhosemlente
sábado, 30 de junho de 2018
Emigrantes ou refugiados?
Para mim são emigrantes económicos ilegais.
Basta saber que mais de um milhão de pessoas da África subsariana, médio oriente e ásia, aproveitaram e aproveitam com mestria a inépcia das autoridades europeias para se mudarem em massa para Europa, debaixo do manto da mentira, alegando tratar-se de refugiados de guerra.
Mas onde é que fica a guerra afinal?
Finos na escolha, ar miserável no trato, de telemóveis em punho e dedos em v a simular a vitória, partem rumo ao paraíso:
- Alemanha, Suécia, Inglaterra, França e Espanha. Quem sabe aos mais azarados calhe a fava e cá venham parar, como outros que cá estiveram, recebidos com flores, beijinhos, cama e roupa lavada. Talvez aqui encontrem também, à semelhança da Alemanha, umas quantas gajas que lhes levem chá, café e bolachas e saiam de lá todas fodidas.
Este portugalinho é pobre demais para eles. As 40 famílias alojadas com pompa e circunstância já se puseram na alheta e foram desaparecendo, uma a uma, restando apenas oito famílias que continuam a viver à conta dos otários dos contribuintes.
Veja-se as rotas que fazem: - atravessam o Mar Egeu ou o Mar Mediterrâneo, passam pela Líbia, Turquia, Grécia, Itália, Balcãs e Hungria e depois voltam para Itália. Ou então, numa outra rota iniciada no norte de África em direção ao sul de Itália. Em Milão dividem-se em dois grupos. Metade através da Suíça e Áustria e, a outra metade, para o ocidente via França ou via Espanha embora, esta última, pouco utilizada.
Este negócio é controlado por organizações que já movimentam somas avultadas, estimando tratar-se de um negócio de mais de mil milhões de euros.
Há vários checkpoints onde vendem aos emigrantes as viagens com aconselhamento para onde devem seguir viagem. Neste ponto, caso não tenham dinheiro suficiente, os imigrantes são obrigados a trabalhar até conseguirem pagar a fase seguinte da viagem.
Há infraestruturas montadas de transportes e serviços gerindo as passagens, elucidando os pormenores da viagem e a data ideal para ser concretizada. Cada refugiado/emigrante económico paga, em média, 5 mil euros pela aventura.
São cerca de 60 mil as pessoas que se dedicam a este negócio, a maior parte das quais a operar dentro de uma complexa rede com tentáculos dentro dos países pretendidos pelos emigrantes.
Também há os freelancers que atuam como motoristas, recrutadores, falsificadores de documentos e organizadores que, muitas vezes, trabalham, de forma autónoma e em simultâneo, para várias organizações do ramo.
As redes que operam a nível internacional oferecem pacotes completos de viagens, como se de uma agência de turismo se tratasse.
As redes sociais são também aproveitadas com mestria para publicitar serviços, recrutar guias, partilhar informações ao longo das rotas, incluindo atividades policiais e restrições à passagem de pessoas, permitindo aos criminosos adaptar as rotas ou mesmo atualizar os preços, conforme as dificuldades em fazer passar os imigrantes.
Os extremistas islâmicos que, na sua maioria, não confia nestas redes nem nos seus serviços e, mesmo assim, os perpetradores dos ataques de 13 de novembro em Paris foram refugiados disfarçados que usufruíram da bondade das autoridades europeias.
Outra questão a colocar é porque deixou de haver ataques aos navios mercantes pelos piratas somalis no golfo de Áden?
A resposta é simples. O YouTube está cheio de vídeos de atiradores dos navios mercantes no alto mar que abateram sem delongas os piratas, ao ponto de já não haver nenhum pirata que se atreva a sequestrar navios.
Primeiro foram os russos a colocar militares atiradores a bordo dos seus navios depois, os japoneses, os ingleses e os americanos, para protegerem os seus transacionáveis.
O que se sabe é que já ninguém fala em piratas somalis.
No alto mar ninguém sabe de nada, ninguém viu nada e nada de provas. A verdade é que já não há piratas somalis no Golfo de Áden.

E, a propósito dos navios, o navio Alemão que recentemente recolheu os pseudos refugiados na costa Líbia, contra todas as indicações das autoridades Líbias, andou quase 10 dias com os emigrantes clandestinos a bordo, à espera de atracar em um qualquer porto de um país europeu que os emigrantes tenham escolhido acabando por suceder, por questões humanitárias, em Espanha. O navio está apresado e o seu comandante, suspeito de traficar humanos.
Ao fim e ao cabo, esse comandante trouxe um carregamento de humanos de África para a Europa, contra todas as indicações das autoridades líbias, evitando assim que esses emigrantes fossem recolhidos pela guarda costeira Líbia.
O estranho disso tudo, observando o mapa, é que nenhum refugiado ousa entrar na Rússia nem desce para os países do Corno de África. A pergunta impõem-se! Porque será?
Eu propunha o seguinte:
Pegávamos num bote semirrígido, colocávamos lá dentro todos os políticos europeus, enviávamos os tipos para o norte de África como refugiados.
Ontem os líderes da Europa, os donos disto tudo, quer dizer da Europa toda, finalmente chegaram a um acordo. Acordo esse que, para muitos, é um mau acordo, para outros, o acordo possível graças ao finca-pé do ministro italiano. Para outros é melhor que não ter acordo nenhum.
Então em que consiste o acordo? Simples. A Europa vai desembolsar milhões à Líbia para deter os emigrantes e, depois, fazer uma triagem daqueles que necessitam mesmo de ser protegidos. Os restantes serão repatriados. As OMGs que deambulam pelo Mediterrâneo ficam obrigadas a entregar sempre os aventureiros à Líbia e nunca a nenhum país europeu.
Com a triagem está claro que a união europeia vai caçar os cérebros e os mais capazes. Os outros já sabem que a repatriação é mais do que certa.
Foi preciso a Itália bater o pé para que a Europa acordasse.
Assim estamos nós, entre mentiras, negócios, emigrantes, refugiados e triagem europeia. Uma salada salgada a saber mal.
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com
quinta-feira, 28 de junho de 2018
7ºPl/2ªCA - 80
Alvoco das Várzeas - 7ºPl/2ªCA - 80
Mais um ano se passou. Uma amizade inquebrantável, firme, impossível de fraquejar. Fomos o 7º pelotão da 2.ª Companhia de Alunos, 3ª/80 das tropas pára-quedistas. Trinta e sete anos depois continuamos “amigos e brincalhões”.
Este ano calhou ao Helder Madeira organizar o encontro 37º. Sem parcimónia, dissemos presente.
Foi na BETP quando, pela primeira vez, existiu um pelotão destinado a especialistas de Comunicações, Electricidade, Electrónicas e Abastecimento. Não defraudámos as expectativas dos chefes e tornámo-nos especialistas doutorados.
Hoje, já reformados e de mochila à frente, ampliada pelas cervejas, apresentámo-nos em Alvoco das Várzeas, imbuídos daquele espírito de sempre - a amizade.
Vejam só: o Presidente da Junta de Alvoco compareceu para nos dar as boas vindas, botou discurso em jeito de comício, no parque da praia fluvial e, como bom político, prometeu que a estrada esburacada da freguesia tem os dias contados. Depois do matabicho, subimos parte da Serra da Estrela e descemos para Seia, tendo por destino o restaurante que serviu o almoço, Casas do Terreiro, da pacata localidade de Carragozela.
Havia desfile das marchas de Santo António na cidade de Oliveira do Hospital, a acontecer à noite, para receber os ilustres forasteiros, sob o disfarçado nome - desfile das marchas da cidade – mas aquilo foi mesmo organizado para nos receber, aposto!
Já um pouco cansado, optei por recolher ao hotel, longe dos holofotes e das marchas e fui descansar, enquanto os mais durões ficaram a dar as SECAS uns aos outros.
No dia seguinte, já de partida e do nada, surgiu-me a ideia de visitar Piodão, longe de imaginar que para ali também se deslocaria parte do grupo.
Voltámos a encontrar-nos e a desgraça do dia anterior passou outra vez à primeira forma.
Outra vez o almoço em grupo.
Ainda bem que cheguei primeiro - com tempo visitei demoradamente Piodão. Quando procurava um restaurante para almoçar, eis que começa a nascer debaixo do xisto, que nem formigas, o grupo tresmalhado. Iam visitar Piodão, mas não visitaram coisa nenhuma. Abancaram na esplanada do restaurante ao ar livre e não visitaram nada e nada levaram na memória de Piodão, para contar aos netos.
Para o próximo ano, tramaram o Oliveira - elegeram-no director da organização. Ouvi dizer que o encontro será em Lamego. Parece que vai haver visitas às Caves do Vinho do Porto, subida à Régua, de comboio e regresso de barco pelo Douro abaixo.
A coisa promete e cada bravo do 7.º pelotão dirá presente, certamene!
Fiquei alojado no Petit Hotel - Casa de Baixo que vivamente recomendo.
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com
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