Um dia triste para o mundo da escrita
Escritor genial. Em 2004 desafiaram-me a ler Eu Hei-de Amar uma Pedra, de Lobo Antunes, acabado de sair.
Li-o. Livro difícil, daqueles que não se deixam ler — obrigam-nos a lutar com as frases, a tropeçar nelas, a voltar atrás. Coisa de génio da literatura. Génio e maluco, como convém aos grandes escritores.
Depois vieram outros livros. E eu fiquei fã do médico que escreve como quem abre pessoas para lhes ver as entranhas.
Talvez por isso me reconheça nele. Como Lobo Antunes, também às vezes tenho dificuldade em viver comigo. Ando quase sempre em guerra civil comigo próprio.
Adeus, Lobo Antunes.
