Ambos especialistas da política de consciência ambiental e moralistas da superioridade moral. Na prática, ambos a exercitar dois colectivos: a ingenuidade da Europa e a incapacidade brutal da ONU. O Costa de Bruxelas continua nas suas reuniões com conversa que nunca mais acaba; essa entidade que gosta de se ver ao espelho como farol transformou-se lentamente num grupo hesitante e incapaz de defender os seus interesses.
O António Guterres de Nova Iorque , boneco que enfeita o salão nobre da ONU, também não foge à regra. Um verdadeiro incapaz, e com ele a ONU tornou-se um antro de promiscuidade onde só se preocupam em aprovar propostas peregrinas. Agora deu-lhes para inventar cruzadas morais travestidas de justiça histórica, com ideias de indemnizações colossais aos europeus por causa da escravatura. Para se ter uma ideia, já andam a empurrar números que rondam vários anos do PIB português. O mais giro no meio disto tudo é ver países como a Mauritânia a alinhar nestas moralidades enquanto ainda têm escravatura dentro de portas. Pasme-se que Portugal achou bonita a conversa do Gana.
A Coerência não é propriamente o forte desta malta.
É caso para dizer: rapaziada, tenham juízo. Esqueçam a teta dos europeus. Se querem mamar, vão trabalhar.
Voltando ao petróleo e às merdas que os europeus fazem, há um exemplo paradigmático. A Alemanha, um país com capacidade tecnológica, industrial e científica para garantir autonomia energética, decidiu — por pressão ideológica daquela histeria da esquerda radical — desmontar parte significativa da sua infraestrutura nuclear. Não foi uma decisão técnica, nem sequer estratégica. Foi uma decisão alimentada por uma visão simplista da canalhada dos Verdes, do PC e de uma larga ala do PS europeu. Chamaram a fedelha Greta Thunberg, fecharam centrais nucleares e acharam que, com isso, o mundo civilizado ficava automaticamente do lado certo da história.
O resultado foi uma cagada em três actos: substituiu-se uma fonte estável e controlável por dependência externa. E não de parceiros fiáveis, mas de regimes que operam segundo lógicas próprias, muitas vezes incompatíveis com os valores que a Europa diz defender.
A partir daí abriu-se a porta ao ridículo. A maioria dos países adormeceu com a balela e continuou tranquila a depender do gás russo e do petróleo da Venezuela, do Irão, da Arábia Saudita e de Angola — tudo regiões governadas por ditaduras ou marcadas por instabilidade crónica. O problema nunca foi a transição energética em si, mas sim a forma infantil como foi conduzida.
E depois há a questão do estreito. Esse ponto crítico por onde passa uma fatia significativa do comércio energético mundial tornou-se palco de tensão permanente. E o mais curioso é observar a reacção ocidental, especialmente europeia e americana, perante a possibilidade de interrupção do fluxo: discursos vagos, demonstrações de força cuidadosamente coreografadas, mas, no fundo, uma incapacidade evidente de impor uma solução clara.
Convém recordar o óbvio: o estreito não pertence ao Irão. O poder não reside apenas na posse formal de território, mas na capacidade de o controlar ou de impedir que outros o façam. E, nesse aspecto, aquilo que se vê é hesitação, divisão e, acima de tudo, medo de assumir consequências.
Os Estados Unidos, outrora previsíveis na sua assertividade, parecem hoje presos entre o desgaste de intervenções e a hesitação em abrir novas frentes. A Europa, continua a agir como um actor secundário que não conta para nada, limitando-se a comentar decisões alheias. Pelo meio, Portugal, episódios caricatos revelam o estado geral da nação - Uma médica, prima do vice presidente do Partido da Limpeza, atirava o pessoal todinho para a reforma a troco de 1000 euros cada atestado.
E agora seria bom ir buscar esses reformados e pô-los a trabalhar - Isso é que que era uma Limpeza.
No fundo, aquilo que se observa é a consequência inevitável de uma cultura que confunde conforto com segurança, discurso com poder e ainda querem que eu acredite que a nossa Constituição é o mal de todos os nossos pecados.
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

