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segunda-feira, 2 de novembro de 2026


 «Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?» —, ele é aplicado, por exemplo, a pessoas que, não tendo conhecimentos suficientes, se atrevem a falar sobre determinados assuntos, que fazem afirmações sobre temas que claramente não dominam, arriscando-se, por isso, a cometer erros”

Ontem no debate Televisivo na CNN, entre o Sr. Major general Agostinho Costa, o professor Azeredo Lopes e o Sr. Embaixador Seixas da Costa, o sapateiro tocou rabecão. O duelo foi desigual e triste de se ver.

No meu CFS apanhei como instrutor o então Ten/pq Agostinho Costa. Um certo dia, depois daquelas longas marchas nocturnas que dava para dormir enquanto se anda, durante um jogo de futebol entre as duas turmas para desentorpecer as pernas num alívio da bola, o meu chuto transformou-se numa bolada daquelas que doem nos tomates do Agostinho. 

Agostinho, honesto que é, tomou-me de ponta e nunca mais me tirou do fundo da tabela classificativa.

Passados alguns anos, encontrámo-nos numa sala onde apresentava um projecto para a GNR. Agostinho Costa estava lá, demorou algum tempo a vir a si quando me viu ali de fato e gravata, ponteiro do quadro electrónico na mão, a botar faladura e a convencer as chefias da GNR a comprar o meu produto. O Sr. General fartou-se de me elogiar diante das massas cinzentas da GNR. Só faltou dizer: - Barbosa, quem diria…

Nunca esqueci os 10 valores a mérito militar que ele sempre me atribuía no curso. Esses 10 valores com factor 3 fodeu-me a média do curso …completamente.

Por isso, nunca o perdoei e nutro por ele até hoje algum desprezo e alguma raiva pela injustiça praticada sobre mim.

Fiquei aliviado, quando o Director de curso Sr. Major Regadas Teixeira, me chamou ao gabinete, para ouvir da minha boca porque razão eu tinha sempre 10 a mérito militar, nada condizente com as notas nas outras disciplinas.

- Sr. Major, o ten Agostinho Costa não gosta de mim, por eu lhe ter dado uma bolada nos tomates sem querer, durante um jogo de futebol.

O Major Regadas Teixeira tranquilizou-me que ele nunca iria permitir uma nota negativa a mérito militar e correu comigo do gabinete.

Agostinho montara dentro da turma, um clube de amiguinhos daquele que se pode chamar “a turma do aperta laço”.

Houve um gajo do clube do laço que apresentou o trabalho de fim de curso numa longa exposição estapafúrdia, imagine-se sobre “coleções de selos”.


Eu muito atarefado, apresentei um trabalho às três pancadas sobre curvas de nível e acidentes de terreno.

Obtive 11 valores pelo meu trabalhinho sobre topografia e na pauta lá estava a maravilhosa notinha 10 a mérito militar, enquanto que o tal caramelo da turma do laço obteve 16 valores pela apresentação sobre coleção de selos e 15 valores a mérito militar.

Desde essa época, fiquei com um pó dos diabos ao Agostinho e sempre o achei um tipo dissimulado, confirmado mais tarde com os elogios na GNR. O instrutor da outra turma era duro, mas tinha carácter. Hoje somos amigos e tenho por ele muita consideração.

Como a justiça é lixada, aconteceu no debate de ontem - o Sr. General levou uma surra do professor Azeredo Lopes, do Sr. Embaixador Seixas da Costa e até da própria Jornalista apanhou porrada.

O Sr. General pensa que debater política com gente com conhecimento é a mesma coisa que atribuir sistematicamente 10 a mérito militar ao pobre instruendo Adérito Barbosa.

Fiquei contente pela surra que o senhor General apanhou ontem.

Quando um militar se arma em político é a miséria total.

É feio eu dizer isso, mas é justo pelas merdas que ele me fez.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

domingo, 27 de setembro de 2026

Se eu mandasse estavam fodidos

 



O primeiro Ministro de Cabo Verde Francisco Carvalho, um verdadeiro anormal, um asno em forma de gente, teve a ousadia de ir para as Nações Unidas discursar em Crioulo dialeto de Cabo Verde. Os países de língua oficial portuguesa como 

Angola, Brasil, Moçambique, Timor, S.Tomé,  todos falaram em português língua oficial desses países. 

As bestinhas de Cabo Verde falaram em crioulo.

Se eu mandasse em Portugal, nem um cêntimo furado dos impostos dos portugueses ia para Cabo Verde, nenhum doente de Cabo Verde nos nossos hospitais, nenhum aluno de Cabo Verde nas nossas escolas nenhuma ajuda financeira haveria para Cabo Verde! Fossem estudar, curar, parir, pedir pra Guiné. Uma cambada. 

Neste momento eu quero o Ventura no poder em Portugal a ver se o gajo acaba com esta Bandalheira dos Cabo Verdianis com a nossa língua.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A agonia da CGA


 “Lá vamos, cantando e rindo,

Levados, levados, sim,

Pela voz de som tremendo

Das tubas, clamor sem fim”

Quem não se lembra daquele magnífico boneco na capa dura do livro da 4.ª classe e dos dias quentes da Revolução do 25 de Abril, do nascimento dos sociais-democratas, dos socialistas, dos comunistas, dos radicais de esquerda e agora dos radicais de direita, os arautos da justiça, da transparência e de exigir aos outros aquilo que eles não cumprem. — Estou a lembrar-me de tachos, panelas, tachinhos, malas, pedófilos e promessas vãs...

E às vezes dou comigo a pensar: afinal, estes gajos são todos iguais. Mudam as bandeiras, mudam as camisolas, mas o tacho continua a ser tacho. E todos os partidos recebem dinheiro do Estado, incluindo o partido do Ventura, todos! 

fim da introdução. 


Agora vamos ao que interessa.

Se uma empresa se atrasa a pagar as contribuições ao Estado, leva pancada a doer. Se o pequeno patrão não entrega as contribuições, há coimas e tribunal. Se o cidadão não paga a tempo, vêm cartas e cartinhas, juros, penhoras — desse pessoal fazem a vida num inferno.

A EDP é um caso especial. O Fisco não conseguiu cobrar 332 milhões de euros. Parece que a coisa já prescreveu. - Viram como são as coisas?

Assim como a EDP, o Estado não cumpre, ninguém lhe bate à porta, ninguém lhe manda a carta dos quinze dias, ninguém lhe cobra juros.

Quem penhora os imóveis ao Estado? Ninguém!

E é aqui que aparecem os tais milhares de milhões relacionados com responsabilidades do Estado para com a Caixa Geral de Aposentações. Fala-se em 7 mil milhões, fala-se em valores que chegam aos 17 mil milhões. Eu não sei qual é a conta certa. Mas sei uma coisa: se está errada, mostrem as contas; se está certa, expliquem onde está o dinheiro. Não venham com a treta do costume.

O Governo macaco como como sempre, encomendou um estudo sobre a sustentabilidade da CGA e recusou a lê-lo. — a Segurança Social está em risco, não há dinheiro, é preciso reformar, trabalhar mais, contribuir mais e sabe Deus que mais.

Calma aí. Antes de me dizerem que não há dinheiro para a reforma dos cidadãos, expliquem primeiro o dinheiro que o próprio Estado devia ter posto e não pôs na CGA. Quanto, quanto ficou por entrar? Quem decidiu? Porquê?

Quando um cidadão não paga, tem dívida; quando é o Estado que não paga, já é uma — responsabilidade futura. Quando é uma empresa, é incumprimento. Quando é o Estado, é uma opção orçamental.

E depois aparece Jorge Bravo à frente do estudo, cheínho de vontade para entregar o dinheiro dos pensionistas aos fundos privados.

E o Ventura veio prometer mandar a malta mais cedo para a reforma. Acho bem, quem é que não gosta de deixar de trabalhar mais cedo? Só há um pequeno problema: quem paga?

Ó Ventura, diz lá: onde é que vais buscar o dinheiro para mandar a malta  para a reforma mais cedo? Os militares que te ajudam a fazer barulho já estão todos na reforma com o deles garantido, sabias? E não vale a conversa dos desperdícios, dos tachos e das gorduras do Estado. Isso eu também sei dizer. O problema é fazer as contas e elas baterem certas. Porque as reformas não se pagam com palmas, nem com bandeiras, nem com discursos inflamados.

E já agora, outra coisa: quando se promete uma coisa destas, convém dizer também quanto custa e de onde vem o dinheiro.

Eu já ouvi promessas de todos os lados. Uns prometiam o paraíso, outros rigor, outros igualdade e agora aparecem os novos salvadores da pátria a prometer justiça e reforma.

Porque a conta não desaparece só porque o Ventura fala alto.

Discutamos tudo, Mas talvez esteja na hora de o esforço começar por cima.

Quem manda o cidadão pagar tem de ser o primeiro a prestar contas.Porque, se a lei serve para o cidadão, para o patrão e para a empresa, também tem de servir para o Estado.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O comodoro

No mês de julho, Cabo Verde recebeu de Portugal uma linha de crédito de 100 milhões de euros. A primeira coisa que os gajos fizeram com o dinheiro foi criar um posto de Comodoro e promover o crioulo. 


Nota: a língua oficial é Português e Cabo Verde não tem marinha.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Aos indignados



Pelo escarcéu que os apóstolos do Ventura fazem, concluo que a maioria não passa de uns tansos. Não sabem o que é uma piscina e, possivelmente, nunca nadaram numa.

Eu tive a felicidade de mergulhar numa piscina desde os 10 anos, na Casa do Gaiato de Lisboa. Mergulhei até aos 23, até quando fui à minha vida de vez.

E quando fui à minha vida de vez, fui parar à Base Escola, onde também havia uma piscina. Bastava ir ao médico da unidade, pedir um papel que era o salvo-conduto para dar umas braçadas à noite. Durante o dia, por causa da instrução, era difícil.

E quando a preguiça tomava conta do corpo, eu ia para a sauna.

Portanto, eu sei muito bem o que é uma piscina. Tenho sérias dúvidas que a maioria dos apóstolos do Ventura saiba, assim como a cambada das rádios que anda por estas bandas indignada a sarnar a molécula à malta com o tanque do Luís Neves.

Esses tipos nunca lavaram o rabo numa piscina e não sabem o que é o ardor nos olhos por causa do excesso de cloro, nem sabem o que é apanhar pé de atleta na piscina e nos balneários.

Em Portugal não há lugar para se falar de cientistas, matemáticos, físicos, químicos, escritores, engenheiros, poetas, de pessoas que tenham feito ou façam algo de extraordinário em prol da sociedade. Tudo gira à volta das futilidades, do Benfica, da CMTV, da intriga, da mentira, da inveja, daqueles que nunca fizeram nada na vida. As notícias em Portugal são sobre sangue, mortes, facadas e incêndios e putedo.

A política deixou de tratar dos assuntos que interessam à população. As notícias desapareceram e passaram a ser blá blá blá a toda a hora e sobre tudo menos o que interessa. Agora qualquer pé-rapado, alguns a roçar a ignorância, está preocupado em meter-se na vida dos outros com as merdices das declarações de património, quando a maioria nem sabe que, nos contratos públicos, há um júri que trata do caderno de encargos e que director nenhum tem poder para decidir quem contratar.

Na justiça, os reis são os juízes e os procuradores. Chega o verão, fecham a porta e vai tudo de férias.

Porque razão os hospitais não fecham a porta para os médicos irem de férias, como fazem os magistrados? E as finanças porque não fecham também um mês?

Na vida partidária ficámos a saber que o Ventura passou pela Conversa da Treta, no canal lixo, CMTV a vomitar e a comer Benfica. Foi lá é que ele cresceu!

No Parlamento aquilo passou a ser um antro de arruaça e baixaria.

Na PJ há um grupo lá dentro que dá papéis ao Ventura para ele ameaçar ministros, mas não descarto a hipótese de ser uma farsa em forma de assalto montada no Parlamento, igual àquela cena de pôr a mão  no peito fingido falta de ar que valeu mais 5% dos votos.

Eu tenho uma piscina com máquina de circulação de água, máquina para dosear cloro, kit para medir o pH da água e a quantidade de cloro, e tudo.

A minha piscina é uma piscina. A do Neves, é uma treta de tanque.

também ainda não entendi, afinal, o que querem do Luís Neves.

Cheira-me que os apóstolos do Ventura dentro da PJ, PSP, GNR lhe estão a fazer a folha, patrocinados pela máfia jornaleira. E com aplausos dos militares na reforma.

E que dizer do Benfica, que deixou o Ventura subir na vida à sua pala. Ah, não esquecer que o ídolo maior dos benfiquistas é um preto…


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Coisas de bronco


 Coisas de bronco

“Se fosse eu a ti, mandava foder os gajos”

O Neves passou anos de pistola na mão a chatear a malta que roubava, burlava, fugia ao fisco, que fazia negócios menos claros. Acho que ele nunca andou atrás daqueles que faziam passar piscina por tanques. Por isso ele não tem experiência dessa malta. 

Acontece que o tanque dele é mesmo 1 tanque. Aquilo de piscina não tem nada. Os cheganos e aquele grupo manhoso  angolano dono da TVI, fizeram um milagre igualzinho ao de Fátima.

E eu que já  estava bastante aborrecido com o Neves por ele  ter vindo com aquela ideia macabra de pôr novamente a BT A BRINCAR nas autoestradas a caçar multa e também por ter vindo a armar-se em bombeiro chefe, capaz de acabar com os incêndios, achei que ele é um analfabeto rural. Se ele tivesse dito que iria por cabras e cabrões a pastar pelas serras do país….

A diferença entre mim e o Neves, ele aceitou ser ministro e eu há 25 anos que recuso ser ministro da faísca da Luz e da electricidade.

Neves, agora já sabes: os jornaleiros e o Chega é que mandam nisto tudo. Vê lá tu: até o dançarino Luís Rosa está contra ti. Faz como eu!

Manda-os foder.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 23 de junho de 2026

O Grupinho dos 50


Tenho nojo deles, sim, de uns quantos daquela espécie que se reproduz em Lisboa, nas catacumbas do poder, nos gabinetes ministeriais, nas sedes partidárias e, quando não conseguem, vão para as páginas dos jornais e para os manifestos do grupo. Tenho nojo da hipocrisia deles. Daquela hipocrisia e dos discursos como gordura rançosa.

Desde o 25 de Abril e, sobretudo, depois das sucessivas revisões constitucionais, assistimos à construção lenta de um edifício judicial que foi crescendo sem que quase ninguém se preocupasse em lhe medir as fundações. Ano após ano, governo após governo, legislatura após legislatura, o Ministério Público foi adquirindo mais corda, mais folga, mais espaço e mais capacidade de intervenção na vida pública. Essa coisada não aconteceu de um dia para o outro. Foi uma construção paciente, feita tijolo a tijolo, decreto a decreto, até se tornar dono capião do quintal.

Quem questionava os excessos era acusado pelo presidente do sindicato dos magistrados de querer proteger corruptos. Quem defendia garantias processuais era marcado com tinta-da-china na testa e chamuscado no tribunal dos jornais. Foi assim, foi assim que criaram uma cultura fedorenta em que uma simples suspeita passou a valer quase tanto como uma condenação.

Eu, que desde 2012 escrevo regularmente no meu blogue e já publiquei centenas de textos, perdi a conta das vezes que abordei esta questão. Escrevi sobre prisões preventivas excessivas. Escrevi sobre fugas de informação. Escrevi sobre julgamentos mediáticos. Escrevi sobre a facilidade com que a reputação de uma pessoa pode ser destruída antes de qualquer decisão judicial.

Escrevi para surdos. Ou talvez não fossem surdos. Talvez apenas estivessem demasiado ocupados a assobiar para o lado porque o problema atingia os outros, ninguém quis saber.

Enquanto a devassa recaía sobre o vizinho, sobre o adversário político, o empresário da moda ou o presidente de qualquer coisa, tudo bem. Afinal, tinham na manga aquela frase de merda: à justiça o que é da justiça e à política o que é da política.

Quem não deve teme, mas esqueceram-se de temer a denúncia falsa. Temer a incompetência. Temer a demora. Temer o sensacionalismo. Temer a máquina trituradora de carne humana. A máquina que abre uma investigação, depois abre outra e logo vem uma busca, depois outra.

Anos depois descobre-se que a montanha pariu um rato.

Mas o rato já não interessa a ninguém.

A carreira foi destruída. O nome ficou chamuscado. A família foi exposta, os filhos gramaram o pior, os amigos afastaram-se. Os vizinhos fizeram julgamentos sumários à janela.

E quando tudo termina, ninguém devolve nada, e ninguém publicita a inocência.

Recentemente, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos voltou a condenar Portugal por violações relacionadas com direitos fundamentais e garantias processuais. Não foi a primeira vez e dificilmente será a última. O problema não está apenas numa decisão ou num caso concreto.

Mas o que me causa verdadeiro nojo não é apenas isso.

O que me causa verdadeiro nojo é assistir agora ao despertar súbito das consciências adormecidas, como dizia o filósofo Sócrates.

Subitamente apareceu um grupo de figuras públicas, antigos responsáveis políticos, antigos presidentes da Assembleia da República, ex-ministros, ex-deputados e outras personalidades respeitáveis, a alertar para os perigos dos abusos processuais, das fugas de informação, da ausência de controlo e da necessidade de cumprir prazos.

E eu pergunto:

Onde estavam esses gajos?

Onde estavam quando tinham poder?

Onde estavam quando ocupavam os cargos que lhes permitiam legislar?

Onde estavam eles quando podiam apresentar propostas?

Onde estavam quando podiam mudar leis?

Onde estavam quando podiam travar aquilo que hoje denunciam?

Eu sei. Os gajos estavam sentados nas cadeiras do poder, a coçar os tomates.

Durante anos acharam que o problema era dos outros. Achavam que as buscas por dar aquela palha eram coisas dos outros, 

acharam que as escutas eram para os outros, acharam que as fugas de informação eram para os outros.

Acharam que os julgamentos mediáticos eram para os outros.

Até ao dia que lhes baterem à porta.

É sempre assim.

Em Portugal existe uma curiosa tradição política. Enquanto o incêndio arde na casa do vizinho, a malta curiosa da desgraca alheia discute a cor do fumo.

Hoje assistimos ao espectáculo dos arrependidos. Os mesmos que nada fizeram apresentam-se agora como reformadores. Os mesmos que deixaram crescer o problema apresentam-se como solução. Os mesmos que permaneceram em silêncio durante anos descobrem finalmente a voz.

E é por isso que tenho nojo deles.

Não apenas dos que abusam do poder.

Mas também dos que o tiveram nas mãos e nada fizeram.

E há outra coisa importante: sempre que o povo foi chamado a decidir, decidiu-se mal.

Dou um exemplo:

Quando Pôncio Pilatos deu a escolher ao povo, o povo não hesitou e escolheu libertar um ladrão e não Jesus Cristo.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

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