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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Aqui com os meus botões





Lembro-me de Mahmoud Amin Ya’qub al-Muhtadi. O artista foi à festa de 7 de Outubro matar civis em nome do Hamas. Depois do serviço, fugiu da Faixa de Gaza como se tivesse asas. Atravessou o Atlântico e apareceu na América. Lá fez-se de vítima, limpou o currículo, varreu o passado, ensaiou o papel de coitadinho e conseguiu viver como um senhor na Louisiana — até a Mossad lhe bater à porta.

Olho para isto e penso: quantos Mahmouds deste calibre já se instalaram em Portugal? Quantos circulam por aí, de sorriso aberto, com cartão de residência no bolso e subsídio garantido? Portugal não perguntou nada, não confirmou nada, não investigou nada. Foi um fartote.

Ouvi também que o pessoal do antigo SEF, engolido pela PSP, anda irritado porque terminou o prazo de afectação e o Governo, depois de prometer integração na PJ, afinal já veio dizer que não. Cá para mim, o Governo enganou-os à grande.

Noutro canto do país ficámos a saber que, na quinta do poder judiciário, o juiz Ivo Rosa foi investigado quatro vezes pela porta do cavalo pelos magistrados do Ministério Público, tudo porque desmontou a tese da Operação Marquês. Chafurdaram na vida do homem até dizer chega. Se fizeram isto a um juiz, imagine-se o que não farão ao comum português.

Diz-se à boca cheia que o famoso Luís Rosa-dos-dossiers, velho operacional das sombras no Ministério Público, foi quem puxou a espoleta da denúncia, a mando de quem lhe sopra ao ouvido. Mesmo que não tenha sido ele, o país ficou desconfiado: desde que o juiz pobre saiu do TICÃO, anda tudo amuado. É isto que me tira do sério: um país fascinado com novelas.

Entretanto, temos um surto crescente de filhos que espancam os pais, esfaqueiam familiares e até matam a mãe porque a mãe exige que estudem. Fruto da modernice pedagógica baptizada de parentalidade positiva. Traduzida para português claro: a canalhada faz o que quer desde pequena e ninguém pode contrariar, que é crime. Assim crescem pequenos ditadores. Agora aí têm o resultado das modernices.

Para cúmulo, até chamar os bois pelos nomes se tornou proibido. Inventaram um festival de eufemismos. Já não há pobres: há pessoas sem meios. Já não há criminosos: há pessoas em reintegração. Já não há violentos: há cidadãos com histórico de impulsividade. Já não há fronteiras: há portas de visita. Tudo embrulhado em palavras mansas, para que ninguém se ofenda. Horror à verdade, pavor do conflito, paixão pela ilusão.

Se o Mahmoud tivesse escolhido Lisboa em vez da Louisiana, a esta hora já teria T2 camarário e talvez fosse mascote oficial da bondade — até ao dia em que voltasse ao seu desporto preferido. O país passou anos como condomínio de porta aberta, porque alguém perdeu a chave. Agora acordam com o prédio vandalizado e fingem surpresa. 

Eu já não tenho energia para fingir surpresa com nada.

Ninguém aprende. A comunicação social vende ilusões de manhã à noite. Discutem as mudanças no Benfica, falam do Benfica, sonham com o Benfica — e no fim nada muda. Mas os sócios ficam felizes porque há recorde. O país real, esse, ficou à porta das TVs. 

Adérito Barbosa In olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O silêncio dos cúmplices



Há um momento específico em que a humanidade revela o que verdadeiramente é: não quando grita, mas quando se cala. E o silêncio em torno do que o Hamas faz ao seu próprio povo é hoje a sinfonia moral do mundo civilizado. Uma melodia suave, conveniente, tocada em surdina para não incomodar jantares, cimeiras e palestras sobre direitos humanos.

O Hamas lincha, executa e humilha palestinianos. Quem se atreve a discordar, desaparece. É rápido, limpo, eficiente. Na Faixa de Gaza, as valas comuns não precisam de discurso. E enquanto isso acontece, o planeta escolhe olhar para o lado porque a verdade dá mau enquadramento nas selfies militantes. O activismo internacional, tão barulhento quando a causa promete aplausos, engoliu a língua. Influencers regressaram ao conforto do edredão, politólogos de campus voltaram ao TikTok, e os indignados profissionais trocaram Gaza por brunch. Afinal, já não rende.

Na Europa, os governos dormem — ou fingem dormir, que vai dar ao mesmo. A ONU, com a sua maquinaria de relatórios e lágrimas burocráticas, ensaia consternações, convoca reuniões, e regressa sempre à mesma conclusão milenar: nada fazer é a solução mais diplomática. Guterres suspira, o ANC discursa, e Bruxelas medita sobre a paz enquanto passa a mão pelo queixo, calculando o próximo acordo energético. A moralidade é um Excel: filtra-se, ordena-se, e deleta-se quando não convém.

Macron, coitado, anda tão atarefado com a pose de estadista que até se esqueceu de olhar para o Louvre. E não me admiraria que um militante do Hamas tivesse levado as jóias — a Europa tornou-se o tipo de casa onde o ladrão entra, bebe um copo, leva a prataria e ainda deixa bilhete a agradecer.

No terreno, o espectáculo continua. Execuções públicas de rivais, diante de civis. Armazéns cheios até ao tecto com alimentos da ajuda humanitária, enquanto as ruas passam fome. O povo aplaude, resignado ou fanatizado — pouco importa, o efeito é o mesmo. Setenta anos a viver de promessas falsas, propaganda escolar e ódio subsidiado criaram uma população refém e cúmplice. A miséria tornou-se doutrina. O martírio, aspirina. A morte, ocupação.

E o Ocidente, esse animal moralmente obeso, finge que não vê. A esquerda europeia, tão rápida no punho cerrado e na lágrima estetizada, mudou de canal. Já não há poesia nem utilidade em condenar terroristas quando o inimigo não é o habitual. A indignação tornou-se um detergente: só é aplicada quando dá brilho na superfície certa. O resto é nódoa invisível.

Há um triângulo perfeito nesta tragédia:

terror interno, silêncio externo, manipulação diplomática.

Funciona como relógio suíço. O Hamas mata. Os activistas calam. A ONU lamenta. A Europa relativiza. E no fim, todos dormem descansados, embalados pelo mantra colectivo: - o culpado é sempre o mesmo. A moralidade, essa, ficou soterrada debaixo dos escombros que já ninguém fotografa.

O povo palestiniano é o cadáver político mais instrumentalizado do século XXI. Mantém-se vivo o suficiente para chorar e morto o suficiente para dar jeito. E o mundo, esse colosso de valores recicláveis, continua a dizer-se defensor da justiça enquanto observa o massacre em silêncio, desde que o massacre não estrague a agenda.

No fundo, ninguém quer paz. Querem narrativa. A paz não dá palco. A paz não elege. A paz não radicaliza. A paz não rende.

E por isso o silêncio continua. Porque é útil. Porque é confortável. Porque é cobarde.

E porque, no fundo, o mundo escolheu o lado que mais lhe convém: o lado onde não é preciso fazer nada.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

domingo, 19 de outubro de 2025

Se aconteceu, foi na Ericeira. Onde poderia ser?

 



À semelhança dos anos anteriores, ontem a romaria dirigiu-se novamente ao restaurante Estrela do Mar. Falo do encontro anual dos pára-quedistas da Ericeira, que continua a crescer de forma notável. A cada edição, chegam novos participantes e o convívio alarga-se para além das fronteiras das freguesias vizinhas, levado pelo simples passa-palavra. Este ano tivemos ainda a alegria de reencontrar o Olegário e o Gurka, cuja presença acrescentou mais brilho e entusiasmo ao momento.

O cardápio do jantar esteve à altura da tradição e do apetite da tropa. A refeição iniciou-se com uma sopa rica do mar, seguida de um saboroso arroz de marisco e de vitela estufada com legumes e batatas. As sobremesas, variadas e bem apresentadas, fizeram as delícias de todos, rematadas com um café reconfortante. Tudo isto acompanhado pelos vinhos tinto e branco Pinta Negra, que contribuíram para animar a noite e soltar algumas das melhores histórias.

O Sergio Silva e o incansável João Bernardo merecem destaque e da minha parte agradecimento sincero pela forma exemplar como organizaram o encontro. Estava tudo no sítio, sem falhas, permitindo que cada um se limitasse a desfrutar da companhia, da boa disposição e da memória partilhada.

É emocionante juntar pára-quedistas de várias gerações, todos unidos pelo mesmo espírito e por uma camaradagem que o tempo não apaga. Há laços que se reforçam justamente nestes reencontros simples, onde um abraço tem mais peso do que qualquer medalha. Foi especialmente bonito rever o Olegário e o Gurka, como bem testemunha a fotografia que ficará para memória. Que venham mais encontros e que o próximo leve ainda mais amigos, mais histórias e que não falte as SECAS do costume.

Adérito Barbosa, olhosemlente. blogspot.com

terça-feira, 14 de outubro de 2025

neutralidade é apenas cobardia com nome novo.



Passei metade da vida a ouvir o coro desafinado do politicamente correcto, essa espécie de missa laica onde se reza pela cartilha do “não se pode dizer - não é bem assim - és radical - a guerra é uma construção - eu sou da paz e do amor universal”. E no meio dessa liturgia melosa a Europa foi-se esvaziando de coragem, perdeu o pulso, esqueceu-se do que é agir, deixou-se embalar na cantilena da moral de bolso e acabou esticado ao comprido diante das tragédias que agora finge lamentar. Gaza, Ucrânia, mas do Sudão zero, nem uma palavra. (Lá está, os gajos do Sudão são pretos, isso não interessa a ninguém). O mesmo enredo de sempre: discursos, cimeiras, resoluções que ninguém cumpre, comunicados de imprensa cheios de lágrimas virtuais e zero consequências reais. O politicamente correcto é a religião do conforto moral, e a Europa ajoelha-se todos os dias diante do altar do consenso, a pedir perdão por existir, enquanto o mundo lá fora arde.

Não foi por acaso que nada fizeram. A esquerda europeia, herdeira de uma culpa que já nem lhe pertence, vive obcecada com o reflexo da própria virtude. Encheram-se de palavras bonitas e esvaziaram-se de ideias firmes. Pregam a tolerância, mas não suportam a dissidência; defendem a liberdade, mas apenas a liberdade que se encaixa no seu vocabulário aprovado; e quando alguém ousa pensar fora da cartilha, é logo taxado de extremista, reacionário, populista ou outro insulto reciclado da moda. Tornaram-se burocratas da moral, gestores do pensamento, editores da linguagem. A guerra tornou-se-lhes incómoda, não porque os incomode a morte, mas porque lhes estraga o discurso de salão. Falar de sangue exige coragem, e a coragem é coisa que não se ensina nas conferências de Bruxelas.

Eu, que vivi o suficiente para ver as voltas que o mundo dá e as cambalhotas que a retórica dá com ele, olho para isto e rio-me. Passei 66 anos a ouvir gente a justificar a própria covardia com palavras bonitas. Vi políticos e académicos a enfeitar o vazio com adjetivos importados. Enquanto isso, os tais homens de má vontade, os que ainda chamam as coisas pelo nome, vão sendo empurrados para a margem, porque é mais cómodo viver num mundo onde o mal não tem nome e o inimigo é sempre relativo. Dizem-me que o meu discurso é duro, que o meu estilo choca, que uso expressões que baixam o nível da mensagem. Eu rio-me. O objectivo nunca foi agradar aos ouvidos delicados da plateia europeia, o meu objectivo é acordar os sonâmbulos. O palavrão que uso não é ofensa, é uma ferramenta. Serve para sacudir o torpor, para lembrar que há um mundo lá fora onde as palavras não salvam ninguém.

Esta semana sentei-me com dois irmãos meus, homens bons, inteligentes, decentes — e politicamente correctos até ao tutano. Discutimos Gaza, Israel, o sofrimento dos inocentes, o direito à defesa, a tragédia dos civis e a culpa que muda de lado conforme a estação. Um jarro cheio de lágrimas pelos palestinianos, outro com o argumento simples e cru de que quem começa uma guerra tem de saber que pode perdê-la. E enquanto falávamos, percebi que eles já não me ouviam: ouviam o eco das rádios, dos jornais, das televisões, das vozes alinhadas na mesma frequência da moral europeia. Acharam que eu era bruto por dizer que o Hamas atacou primeiro, que se esconde entre civis, que a guerra não é um poema. E quando lhes tentei explicar que a minha escrita é assim porque o mundo é assim, responderam-me com aquele sorriso piedoso de quem se acha no lado certo da história.

Foi então que percebi que o politicamente correcto não é apenas uma linguagem — é uma couraça mental. É o escudo com que se protege a boa consciência europeia para não ter de olhar o horror nos olhos. É a máscara que se põe para parecer civilizado enquanto se fecha os olhos à brutalidade que cresce à porta. E é por isso que a Europa já não tem pulsação. Perdeu a chama da ação, o instinto da defesa, o sentido da urgência. A Ucrânia foi engolida pelo relativismo diplomático, Gaza pela culpa colonial reciclada, e no fim ficam os comunicados, as velas acesas e os apelos à paz — sempre os apelos à paz — feitos por quem nunca sujou as mãos por nada.

Os meus irmãos, a quem quero bem e respeito, vivem em paz porque houve sempre alguém disposto a lutar para que pudessem viver assim. Gente bruta, talvez, mas necessária. É fácil ser pacifista quando outros fazem a guerra por ti. É fácil ser moralista quando o sangue é dos outros. E é por isso que não entro no peditório do politicamente correcto: não me apetece fingir que viver é um exercício de boas maneiras. A verdade é que o mundo não cabe nas palavras suaves com que a Europa tenta embalá-lo. A verdade é que há momentos em que o silêncio é cumplicidade, e a neutralidade é apenas cobardia com nome novo.

Os homens do politicamente correcto continuarão a declamar a paz nos cafés enquanto as bombas caem noutros fusos horários. Eu continuarei a escrever como falo, a dizer o que penso, a irritar quem prefere o verniz à verdade. Não por raiva, mas por amor — amor à lucidez, amor à palavra livre, amor aos meus irmãos, mesmo quando discordamos até à exaustão. Porque no fim de contas, a diferença entre nós é só uma: eles acreditam que o mundo muda com boas intenções; eu sei que o mundo só muda quando alguém tem coragem de dizer e fazer aquilo que não é bonito, mas real 


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

É o medo do que não se entende



A maioria dos portugueses padece de uma ignorância quase absoluta no que toca a questões jurídicas. O país foi cuidadosamente moldado para que assim fosse. O juridiquês português é uma língua morta, feita por vivos, mas mortos de pudor. É o idioma perfeito para a opacidade, para o distanciamento entre quem faz as leis e quem sofre as leis. 

O juridiquês português foi estudado pelos doutos do direito que, tendo passado fugazmente pela Assembleia da República, ali deixaram a sua marca — leis feitas à medida de si próprios e, sobretudo, dos seus pares. 

O Ministério Público apropriou-se e deu-lhe uma roupagem à sua moda e tornou-se, nas últimas décadas, o verdadeiro poder efectivo da República. Não responde perante ninguém, não é eleito, não é fiscalizado, e, no entanto, governa o medo dos portugueses com mão de ferro. Quando decidem tramar um cidadão qualquer, tramam. Quando decidem interferir na política, interferem. Se for necessário derrubar um governo, fazem-no com a naturalidade de quem muda de toga. O povo, esse, assiste feliz porque tudo é ladrão, tudo é criminoso em portugal— e eu também fiquei estupefacto com a história macabra que fizeram a um juiz.

O problema é que a santidade do Ministério Público é uma invenção piedosa. Por trás do verniz da legalidade e do discurso da justiça, esconde-se uma estrutura corporativa, viciada, onde reina a impunidade. Quando um juiz se atreve a contrariar o curso de um processo, não falta quem o queira castigar. Investigam-no, escutam-no, seguem-no. Metem o nariz na vida privada dele e da família, como se a privacidade fosse um luxo proibido a quem ousa pensar de modo diferente.

E depois há a questão central: quem são estes magistrados? Quem os escolhe, quem os fiscaliza, a quem respondem? A resposta é simples: ninguém. São uma casta fechada, protegida por uma teia de influências, e blindada por um sindicato que se comporta mais como braço armado do poder judicial do que como associação laboral. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, longe de defender condições de trabalho, dedica-se a justificar o injustificável, a branquear o abuso, a proteger os seus mesmo quando os seus se desviam da legalidade que juraram defender.

Os portugueses têm medo do Ministério Público. É um medo atávico, aprendido por gerações que cresceram a desconfiar do Estado, mas também a submeter-se a ele. É o medo do que não se entende — e o juridiquês serve exactamente esse propósito: tornar o cidadão pequeno, confuso, submisso. O português comum não sabe o que é um despacho, uma acusação, uma nulidade processual. Não sabe, e o sistema prefere que continue sem saber.

O paralelismo é inevitável: em todos os sectores onde impera o poder sem escrutínio, repete-se a mesma cultura de impunidade e de auto-protecção. No Ministério Público, protege-se o abuso de poder; e tudo o resto é silêncio. Vive-se da falta de escrutínio, sobrevive-se graças à ignorância e ao medo da população. E há aliados poderosos na comunicação social — no caso do MP, os cronistas de toga, jornalistas de ofício, sempre prontos a repetir o que lhes é soprado.

Entre eles destaca-se o inevitável escriba de serviço, o jornaleiro do costume, sempre na primeira fila a defender os seus heróis de toga. É ele quem molda a opinião pública, quem transforma suspeitas em certezas, e acusações em sentenças. Não há presunção de inocência quando o Ministério Público decide que é altura de fazer um exemplo. O julgamento faz-se no telejornal, a execução pública no prime-time. E se depois o tribunal absolver, já é tarde: o cidadão foi triturado, o nome arrastado, a vida destruída.

Portugal tornou-se um país onde o poder judicial é mais temido que o poder político. E isso, num Estado de Direito, é a confissão de um fracasso colectivo. O Ministério Público não devia ser o mandão de Portugal — devia ser o seu servidor. Devia zelar pelo cumprimento da lei, não manipular a lei para cumprir agendas. Devia agir com transparência, não com obscuridade. Devia responder pelos seus actos, e não esconder-se atrás da toga.

Enquanto isso, o cidadão comum continua desarmado. Enfrenta o mesmo muro: a máquina impessoal do Estado, surda ao sofrimento e cega à justiça. O país definha, não por falta de leis, mas por excesso delas. Não por ausência de instituições, mas por excesso de instituições que se protegem mutuamente.

Há décadas que se diz que Portugal precisa de uma reforma da justiça. Mas o que o país precisa, na verdade, é de uma reforma da decência. Precisa de responsabilizar quem abusa do poder, seja ele político ou magistrado. Precisa de devolver ao cidadão o direito de compreender as leis que o governam e o direito de ser tratado como ser humano, não como número de processo.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ser governados pelo medo e pela indiferença. E o Ministério Público continuará a ser o espelho perfeito do país: arrogante, impune e doente.

Perante isto a reforma da justiça espera sentada.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

domingo, 5 de outubro de 2025

Zaher Birawi

Zaher Birawi, especialista em flotilhas, ideólogo do socialismo europeu e guia espiritual de lésbicas e gays

Zaher, nasceu 1961 na Cisjordânia, é um professor jornalista activista palestiniano radicado na Inglaterra desde a década 90. Foi professor na Universidade Islâmica de Gaza em 1996.

Este camarada está há muito identificado como agente do Hamas na Europa desde pelo menos 2013 e contra ele há repetidas acusações de ligações a grupos extremista.

Ele é presidente do - International Committee for Breaking the Siege of Gaza quem organizou e pagou as despesas da flotilha do amor gay da Mariana. O tipo ja tinha organizado a flotilha Mavi Marmara em 2010, Lifeline do Viva Palestina (incluindo um em 2010 que entrou em Gaza e foi recebido por líderes do Hamas. Organizou e pagou também a Marcha Global para Jerusalém de 2012. Como jornalista apresentou programas na Al-Hiwar TV, um canal de língua árabe em Londres afiliado à Irmandade Muçulmana que promove narrativas do Hamas e colabora com a Al-Aqsa TV. 

Nos últimos anos, Birawi foi membro fundador e coordenador da Freedom Flotilla Coalition, organizando várias tentativas para alcançar Gaza incluindo este ano a flotilha intercetada pelas forças israelitas que incluía activistas como Greta Thunberg uma quantidade de lésbicas do mundo ocidental.

Birawi ocupou cargos de liderança em diversas organizações sediadas no Reino Unido, como dirigente sénior na Muslim Association of Britain (MAB), administrador da Educational Aid for Palestine (EAP) e director do Palestinian Return Center (PRC). 

As afiliações de Birawi com o Hamas e a Irmandade Muçulmana estão bem documentadas por fontes israelitas, e britânicas, embora mantenha uma negação plausível para evitar repercussões legais na Grã-Bretanha. O EAP está ligado à Union of Good, uma organização guarda-chuva acusada de canalizar fundos para o Hamas. O MAB, que Birawi ajuda a liderar, é presidido por Muhammad Sawalha, antigo comandante militar do Hamas.

Em 2023, no parlamento do Reino Unido rotularam-no como - agente sénior do Hamas.

O que mais gostei foi ver o pessoal da flotilha a dormir na Ketziot no deserto de Neguev.

Adorei!


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

A flotilha do amor gay


Mariana, ouve bem: o centro do universo não é o lesbicismo. A pose de embarcar numa flotilha e proclamar altruísmo, encenar martírio nas redes e transformar causas em autobiografia encaixa num padrão gasto, feito de vaidade exibida e de bandeiras usadas como espelho. A flotilha de Mariana — e não só a dela — é reflexo desse padrão: exibição pública, fotografia performativa, vaidade travestida de militância. O contexto, porém, é de uma gravidade que nenhuma pose redentora apaga: o ataque de 7 de Outubro de 2023 deixou marcas na sociedade israelita que não se dissolvem com slogans ou selfies cívicas. Nesse dia, uma série de ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelitas precipitou uma guerra de enormes proporções. Não foi um episódio isolado nem um fait-divers tablóide: foi um ponto de inflexão cujas consequências continuam a definir a política, o quotidiano e a dor do Estado de Israel.

O Hamas de Mortágua organizou um ataque massivo contra civis, matou cerca de mil jovens que estavam num festival, matou velhos, mulheres e crianças, recorreu ao sequestro, violou regras básicas de protecção de inocentes e mostrou desprezo absoluto pela vida humana. Há vítimas, e os crimes cometidos não podem ser traduzidos em metáforas estéreis ou apagados por retórica militante. A narrativa romântica da resistência colide de frente com a realidade das famílias que perderam tudo.

Enquanto isso, Portugal, país que gosta de se orgulhar das suas tradições liberais e de uma Constituição que exalta os direitos humanos, reage com gestos diplomáticos que parecem, demasiadas vezes, performativos. Quando o Governo português toma posição pró-Hamas, está tudo dito. O reconhecimento recente do Estado palestiniano pelo gay mor foi apresentado como passo em favor da solução dos dois Estados. É exactamente como acontece no relacionamento gay: dois homens, um faz de mulher e o outro de homem. É assim, Rangel?

A ONU, lenta como sempre e agora mais do que nunca, e sobretudo incapaz, continua a arrastar-se sem conseguir mitigar o choque entre soberanias, direitos humanos e criminosos.

Há ainda a hipocrisia selectiva onde se situam Rangel e Mariana. Ambos gays. É cómodo tratar a Palestina como santuário e o Hamas como avatar do bem, ignorando décadas de violência e crimes, quer contra os seus, quer contra Israel.

Quanto a Portugal, não peço purismo moral — peço coerência. Reconhecer a Faixa de Gaza como Estado é estupidez encomendada pela África do Sul, olha quem…, A isso chama-se diplomacia de vitrina. Não é legítimo apoiar a solução de dois Estados nestes moldes. É questionável fazê-lo sem enfrentar os crimes do Hamas.

Usar a memória de 7 de Outubro para justificar passeios de barco pelo Mediterrâneo é pura pornografia da política portuguesa.

Para fechar, uma nota de realismo cru: fica a ironia final — o Hamas é filho do socialismo europeu admirado pelos gays de Portugal.

Mariana, em Lisboa pediste que a PSP te encostasse à parede e aí em Israel agora pedes o quê?


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...