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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Direitos humanos com sabor a crude.



O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou sem rodeios que Washington pretende impedir que o petróleo venezuelano chegue a países considerados adversários. A declaração, longe de ser um deslize diplomático, é a confissão clara da verdadeira razão do assalto dos Estados Unidos à Venezuela. Não se trata de democracia, nem de direitos humanos, nem de liberdade. Trata-se de petróleo, de controlo geopolítico e de punição exemplar a quem se recusa a obedecer.

A União Europeia, como manda a tradição, reuniu-se. Reuniu-se para nada decidir, para nada alterar e para repetir o guião gasto de sempre. Duas porta-vozes apareceram quase em simultâneo para debitar a converseta habitual perante os jornalistas: preocupação, diálogo, acompanhamento da situação. Um teatro burocrático cuidadosamente ensaiado para não incomodar Washington nem assumir qualquer responsabilidade. Sabem quem chefia aquilo? O Toninho Costa.

A ONU também reuniu-se para nada decidir. Sabem quem chefia aquilo? O Toino Guterres.

A estes dois portugueses juntou-se o governo de Portugal, fiel à sua irrelevância estratégica autoimposta, e alinhou sem hesitação. Tomou uma posição vergonhosa, previsível e servil, como tantas outras ao longo das últimas décadas. Não por convicção, mas por hábito; não por coragem política, mas por medo de sair da fila. Portugal anda sempre a papaguear valores, mas abdica sistematicamente de os defender quando eles exigem algum custo.


Adérito Barbosa, in olhosemlente.blogspot.com

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