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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Antes deles havia o Heliporto no hospital da FAP

Felizmente nunca senti o cheiro putrefato das entranhas do Exército. Não gosto deles, porque, ao longo de toda a sua história, nunca fizeram nada que se veja. Souberam sim arranjar uma catrefada de Generais inúteis. Tão inúteis que quase todos abandonaram as paradas e passaram a formar-se  nos becos e vielas das televisões. Qual deles o mais ataviado na língua. Uns é Sra. Doutora para aqui, Sra. Doutora para ali; outros de ponteira na mão, a fazer graçola e a encher a cabeça aos telespectadores com montes de círculos, riscos e rabiscos no quadro interactivo. Uns são pró-Putin, outros pró-Zelensky, outros pró-Trump, outros pró-NATO, outros anti-NATO e há ainda os de umbigo grande, sempre contra o Estado português. Também há os sensatos como aquele general da FAP que é o da minha guerra.

Agora que estes Generais, outrora sentados e reservados, descobriram a vida activa - ia eu a caminho de uma fonte, em busca de água anti-pedra nos rins, ouvindo rádio, quando apanhei os números mais citados para ilustrar o tema da conversa. Serviço militar obrigatório sim ou não. 

Total de militares activos neste ano de 2026: 24.517 militares. Oficiais + Sargentos: ~59%, Praças: ~41%

Aplicando isto ao efectivo actual, temos então 14.465 oficiais e sargentos para 10.052 praças.

Traduzindo por miúdos: há cerca de 1,44 militares de chefia ou intermédios por cada soldado. 

Invertendo para o patego entender: há 1 praça para cada 1,44 oficiais e sargentos. E quase parece haver 1 General para cada 7 militares. Entenderam? 

Tantos que devem ter passado a carreira inteira a atropelarem-se uns aos outros, sempre à procura de mais uma estrela.

Os tipos viviam para as estrelas ali na Estrela, naquele enfadonho monumento e outros  intrincheirados em anexos e mais anexos por Lisboa inteira.

Sem homens para comandar, tornaram-se numa praga encaixados em todos os buracos, tascas e tabernas institucionais. Vejam só isto; os gajos até tiveram tempo para pensarem na aviação ligeira do Exército, uma verdadeira anedota à portuguesa, mas nem sequer tinham um hospital capaz.

Com tantos Generais, conseguiram comprar os paraquedistas à Força Aérea. Lá nos Páras também havia muita fome de estrelas, portanto aceitaram felizes  - e chegados ao Exército, todos carregaram estrelas que nem mulas.  Os sargentos, também se safaram: foram promovidos e ála daqui que é cardume e foram à vidinha deles. 

Com tanta azáfama esqueceram-se de mim, deixaram-me esticado na cama do Hospital.

Era ao hospital que eu queria chegar com esta conversa mole.

Infelizmente, esta semana houve um acidente durante um salto em Tancos, envolvendo dois militares.

Os militares em causa não foram evacuados para o Hospital das Forças Armadas. Um foi levado para o Hospital de Abrantes e outro para o Hospital de Leiria.

Sabem porquê?

Porque, desde que o exército de Generais tomou conta do Hospital da FAP, transformaram o heliporto num parque de estacionamento.

No meu acidente tive o privilégio de ter sido evacuado de helicóptero directamente para o Hospital da FAP. Infelizmente os nossos camaradas acidentados não tiveram essa sorte. Puseram-nos a deambular pelos hospitais de Portugal até ao hospital final.  Ao nosso camarada falecido :

 - Até amanhã camarada!


Obs: Sou amigo pessoal de alguns Generais.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

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