poeta.adérito.barbosa.escritor.autor.escritor.artigos.opinião.política.livros.musica.curiosidades.cultura Olhosemlente

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Kora e Kambé

Não ouvirão novas minhas,
só lembranças do sorriso.
nas noites de maio,
nas madrugadas calmas
há livros para saborear.
Advinhem  devagar
sonhem acordados,
procurem devagar
o que não perderam
porque nada encontrarão.


É assim que faço os poemas,
amarro-me à volta do mundo
numa espiral de inocência.
não procuro nada!
apenas moldo as palavras,
construo a minha kora
e o meu Cambé.
ser artistas sem pincel,
cantor sem palco
e
pedinte sem bandeja

Adérito Barbosa
17 de Dezembro de 2013

Dor da partida

É uma dor que vem do fundo
É uma espera que desespera
É a nora do tempo que não gira
não anda...
É o medo de chegar e ficar
É o vazio, a ausência
É a cama fria,
É a solidão...


É ferida que dói sem sangrar
É a mente que não pára
É a voz que teima segredar
não ouves...
É a saudade dos momentos
É a patrulha dos sentados
É o sangue frio

 

É a loucura...

É a vida cheia de nada
É a viagem que dura
É o tempo que não passa
não avança...
É longo o abraço
É a trovoada do coração
É o beijo quente
É a promessa...

É o partir para a viagem
É um tempo de aragem
É o frio que entranha
não ficas...
É aquele abraço apertado
É a névoa que paira
É o fim da loucura
É o embaraço...


Aderito Barbosa
16 de Dezembro de 2013

E amou


E amou, 
amou integramente.
Amou de punho e letra
vertendo-se em cada palavra.




E amou,
amou 
com a paixão do corpo,
com a intensidade 
do pensamento.
Amou
com fome.

Com a própria fome
e com todas as fomes
de todo e de tanto,
como só amam
os que apenas
têm tempo.
E amou,
amou 
rabunhando migalhas
como amam os desesperados.

E amou,
amou amando,
roubando-lhe a vida
um pedaço de esperança.

Por: Asun Estévez

Do livro: "medrar nas manos"

Adérito Barbosa in "olhosemlente"

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Quarto escuro

Não, não sou capaz de ferir
Nem suporto ser ferido
Por ninguém.
Do quarto escuro, 
medo todos tivemos.
Cerrar os dentes 
e sofrer.
Nunca berrar,
Não dizer nada
Porque é proibido 
"atoparte"!


Aderito Barbosa

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

E casavas comigo...

Aquele acordo era só nosso
Acreditei nele mesmo sem papel
Sem testemunhas, só os dois...
Tínhamos doze anos.
Fazia o que tu quisesses
E prometias casar comigo.
Foi um tratado de amor,


Mas não cumpriste.

Recordo o nosso acordo.
Fomos unha e carne,
Assinavas o meu nome,
Fomos amor, ódio e zangas
Que não sei explicar.
Cartas de amor e paz escrevi,
Mandei recados e fotos
E tu não disseste nada.

Recordo o nosso acordo
claro e assumido,
Que me-davas um beijo.
Recordo o nosso acordo
Na guerra sou tua madrinha
Casarei contigo, no regresso
Disso podes acreditar!
E do vestido nem vais acreditar!
prometo à tua espera ficar!


Na tropa, subi montes e vales
Tropecei, cai, levantei.
Rompi camuflados e botas,
Esfolei as mãos e os joelhos.
Do avião saltei, aterrei...
Às vezes leve outras forte,
inimigo enfrentei com bravura
E tu esqueceste!
Reduziste o acordo a nada.

E não disseste nada,
A igreja estava toda iluminada,
As paredes engalanadas
Muitos convidados para os vivas
Eu também fui para ver
de longe...
Charrete e cavalos brancos
Ali vinhas, sorridente e feliz
Por mim virgem ainda
E prometeste casar comigo...

Afinal não cumpriste,
Foi um acordo sem alianças!

Aderito Barbosa

domingo, 8 de dezembro de 2013

Cheira a esturro


Deixo escrito para não assustar.
Sinto gente a fugir e já ninguém acredita.
A fonte vai secar!!!
Não metam mais paus na engrenagem, porque vou de viagem,
quero chegar, ver e respirar e só adormecer quando acreditar.
Regressar só quando me esquecer deste pesadelo e espantar-me mais que emocionar com a imagem deste Portugal, País banal entregue às mãos da garotada.
Sobre a mesa uma taça de vinho, um cinzeiro e um cigarro já mais curto que o murrão, uma caneta e um caderno.
Para encastrar nas linhas da sebenta nada, me ocorre.
Ao fundo a TV jorra o programa "Eixo do mal" e é este que capta a minha atenção.
Falam do Bruno Maçães, o Secretário de Estado que durante a visita à Grécia proferiu declarações pró alemão mais que qualquer alemão o faria. Há dois anos também ele, sempre ele, logo a seguir à assinatura do memorando e ainda a troika não tinha chegado cá, já ele agradecia a presença da troika em Portugal e esperava que ficassem por cá muitos e muitos anos para democratizar o nosso sistema.
Ora aqui está mais um imbecil!
Será mais um a ser vergastado no alto do morro.

Outro assunto que cheira a esturro " Cavaco\ ONU \Mandela"

Não gosto de histórias que cheiram a esturro como é a história da votação de Portugal à resolução da ONU em 1987 contra a libertação de Mandela.
Já li a resolução que Portugal votou contra e a favor.
Cheira a esturro!

Adérito Barbosa in "olhosemlente"

Navegar & velhos fantasmas


Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...