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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Só abrindo os braços







Só abrindo os braços

Desenhem uma estrela
capaz de iluminar o meu destino.
Deixem que ela saiba                          
o lugar para onde vou!
Estou velho e um errante sou.
dizem voar sem asas...
só abrindo os braços...
Então, fico deitado                        
nesta almofada de nuvem
a imaginar no escuro, cheio
de ronha a silhueta do fantasma.
Sinto que o amor está morto
e essa estrela vai dar-me luz            
e protecção no esquecimento.
Uma cascata à volta do olhar, jorra medo e angústia sobre mim.
Onde quer que  me levem
eu sei que não é sonho.
Tenho a mente molhada
com gotas de orvalho do cacimbo das manhãs africanas
Sinto-me fraco e uma dor imensa na alma que teima entrar pela rua no sentido da solidão.
Olho p’ra cima vejo desenhos        
no céu a tua cara a flutuar.
Em baixo amor esquecido
adormecido no caixão de prata  
com velas de chama fria.
dentro de mim cresce
um sentimento sôfrego
de respirar a carne dos meus ossos...
quando o amor acordar não saberei sequer escrever a palavra saudade...
Tenho  medo de não saber a resposta.
Mas se me oferecerem protecção desço à terra e sentirei de novo o calor dos dias.
Onde quer que me levem
sei que a vida me vai enganar de novo.
Não sou assim tão forte              
para deixar de sentir e sonhar.
E quem sabe se
um dia amarei um anjo no céu sem me iludir.

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 8 de setembro de 2019

E AGORA, MORO?



Malhar em ferro frio é uma expressão popular que significa perder tempo com alguma coisa que não vai mudar; é normalmente, tentar explicar a um poderoso que chegou ao poder através de determinado  método, que isso não o mantém nessa posição de poder. Os tempos mudam, os métodos também e a  história pode tornar obsoletos os processos que o levaram até  ali, até à grandeza.
É por isso que os poderosos ascendem alto, chegam muito alto, ao topo e depois caem como se estivessem  ancorados em estacas de sal à mercê de um dilúvio.
Os poderosos não entendem que o que serviu para a conquista de um determinado objectivo não serve para o manter aí. Mesmo numa revolução, quem geralmente governa são os conservadores, a vanguarda nunca governa, nem o processo da conquista garante a sua manutenção.
Fui jovem e vivi o “boom” do cigarro e das fumaradas e fumarolas das ervas - era uma alegria! No meu tempo de jovem, quem não fumava nada não era homem - eu não era homem! Beber vinho nas tabernas era motivo de chacota e desprezo por parte da burguesia portuguesa; hoje já não há tascas e a  burguesia, de olho no vinho, inventou a esplanada, onde o vinho se bebe em copo de pé alto, cristalino e já ninguém se lembra dos copos de três ou do pénalti e do sarro do copos encardido.
Nenhum pobre ousa sentar-se na esplanada do Chiado e pedir uma taça de tinto ou branco fresco. O preço assustava-o certamente.
Enquanto o copo de três entrava em decadência, assistiu-se à ascensão do vinho em copos de pé alto, mesmo sendo copos manhosos do chinoca.
E assim se vive a ascensão de heróis, grande parte dos quais sustentam o seu percurso em linhas tortas.
Sempre que ouço gritos histéricos do povo a elevar um juiz a herói ou a santo, fico sempre de pé atrás.
Quando o super juiz,  o famoso juiz da operação Lava Jato no Brasil foi convidado a participar numa conferência no Estoril,  VII Fórum Jurídico de Lisboa e foi  confrontado com uma entrevista dada pelo Ex-Primeiro-Ministro português Sócrates ao Canal da TV Migalhas, em que chamou  ao juiz Sérgio Moro, activista político, juiz perseguidor, justiceiro primário e juiz malandreco, Moro disse que não respondia a criminosos.
No Brasil, ele trata por criminoso qualquer cidadão indiciado - felizmente este crápula não é Português.
Como sempre detestei juízes mediáticos, fiquei de pé atrás,  porque achei aquela vozinha irritante e além  disso ele não olhava ninguém olhos nos olhos, o que já é indício de qualquer coisa.
Voltando atrás, o juiz Moro, na sentença que escreveu no processo Lava Jato, que condenou o Lula da Silva, ex-Presidente do Brasil, afirmou que não tinha provas, mas que tinha sérias convicções da culpabilidade do réu.
Nem o juiz nem os Procuradores do Ministério Público Brasileiro sabiam que também no Brasil havia um impiedoso e implacável pirata informático do tipo do nosso Rui Pinto, que dá pelo nome de Walter Delgatti Neto.
Este pirata facilmente pirateou os telefones dos Procuradores do Ministério Público que compunham o grupo “task force” do Lava Jato e do próprio juiz; acedeu à box da Telegram, aplicação russa similar à  do WhatsApp e assim a todo o correio escrito, áudio,  imagens e vídeos que trocaram à margem do processo.
Todo esse acervo foi parar às mãos do famoso jornalista Glenn Greenwald, o tal que fez explodir o caso Snowden e pôs a espionagem americana no esgoto e se banha nas águas turvas do Wikileaks como um peixe de lodo.
Glenn Greenwald é um dos jornalistas que já venceu o Óscar do jornalismo  “Prémio Pulitzer”,  sendo actualmente responsável pelo  “site”  The Intercept Brasil,  filial da poderosa Intercept Americana que faz jornalismo de investigação.
O GLENN GREENWALD, macaco sabichão dessas coisas, publicou uns pequenos trechos das conversas entre um juiz julgador e orientador do Procurador chefe da Lava Jato.
O juiz, o tal que chamou Sócrates de criminoso, veio logo a correr fazer uma lei para deportar o jornalista, afirmando que era tudo falso e que as supostas mensagens publicadas nem sequer tinham sido autenticadas. O jornalista, esperto como tudo, fez acordos com os maiores jornais e revistas do país como a folha de S. Paulo, a Revista Veja e a Rádio Band News de Reinaldo Azevedo  e, concertadamente,  começaram a publicar, à vez, mensagens às pinguinhas, a fim de assim fritarem a macacada em lume brando.
Conclusão: - O juiz, o tal que veio a Portugal chamar criminoso ao nosso ex-Primeiro-ministro revelou-se um canalha, um filho da mãe, um juiz pulha que dava informações ao Ministério Público que mandava substituir Procuradores por outros nos julgamentos, conspirava contra os arguidos do Lava Jato em perfeita comunhão de pouca vergonha  com o tal Deltan Dallagnol, chefe da task force que,  por sua vez, também tinha uma agenda política - controlavam juízes das instâncias superiores e criaram uma fundação com milhões da Petrobrás, para gastarem a seu bel-prazer.
O Deltan sonhava ser PGR; até deputado pensou ser e o Sérgio Moro juiz da STF. Eles organizavam manifestações através do “Mude”  e mandavam gente para a rua gritar contra o Lula. Davam palestras remuneradas, enriqueciam, não acusavam nem este nem aquele para não melindrar amigos, como foi o caso do ex Presidente Fernando Henrique Cardoso; enviaram parte do processo para a Globo para esta intoxicar a opinião pública intencionalmente.
Nas conversas privadas fora do processo, Moro confessa que o Ministério Público não tinha provas contra o Lula, mas que o podiam acusar, que ele iria dar um jeito. Nas conversas reveladas, até fizeram chacota com a morte da esposa de Lula e do neto dele. Há dias,  Jerusa Burmann Viecili, Procuradora envolvida veio pedir desculpa ao Lula publicamente através do Twitter.
Os Procuradores criaram uma artimanha nojenta com alguns dos corruptos ricos presos, instigando-os a denunciar  Lula.
Com a seguinte negociata
 - Descobrimos que você roubou à Petrobrás e sabemos que tem X milhões no banco no estrangeiro. Se mudar de advogado, o Sr. faz uma delação mentirosa de acordo com o que lhe dissermos, paga ao advogado que lhe indicarmos X milhões, devolve à justiça brasileira  Y milhões e fica com o valor de Z milhões. A moldura penal para o crime é de 15 anos, mas o Sr. apanha um ano de prisão e depois vai à sua vida gastar o seu dinheirinho.
Pasme-se que os advogados para quem eles tinham que mudar e mudaram, eram advogados do escritório da mulher do Sérgio Moro.
Canalhice maior não há!
Os presos corruptos, que só tinham a ganhar e nada a perder, sob a forma de delações, propalaram mentiras e acusaram o Lula numa das maiores fraudes processuais de que há memória.
Aqueles que convidaram Sérgio Moro a vir dar palestras a Portugal ainda não abriram a boca; nem o próprio Diário de Notícias, que fez manchete com pompa e circunstância com a cara deste mafioso, quando passou pelo Estoril no (VII Fórum Jurídico de Lisboa) nada publicaram sobre este assunto, pelo menos que eu tenha conhecimento.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Sério demais para ser tratado por lésbicas e afins.


Ainda o BE não existia, vi um filme americano  que tratava a questão dum erro de genética num ser humano. Tratava-se de uma menina de 12 anos que sentia nojo de si própria, por ser menina. Ela recusava-se a vestir saias e vestidos, andando sempre de calças e T-shirts grandes.  Nada queria com bonecas, nem pinturas, nem batons e gostava de jogar à bola com os rapazes da sua rua e fazia tudo o que eles faziam. Assim que surgiu a menstruação e os peitos começaram a crescer, a moça entrou em transe; trancava-se no quarto, chorava e a vida da rapariga e dos pais transformou-se num inferno.
Os pais pediram ao governo americano ajuda - a moça  foi objecto de estudo por parte dos cientistas e depois de muitos exames e testes, os médicos, os psicólogos, os psiquiatras e outros cientistas concluíram que havia ali efectivamente um erro de genética. Ela tinha a mente de um rapaz metida no crânio de uma menina, ou  seja, a cabeça estava num corpo errado.
A batalha foi enorme. O estado americano decidiu ajudar clinicamente a mudança de sexo e de identidade, a alteração da parte genital com a remoção dos órgãos como o útero e os ovários e a implantação de um pénis.
Daí para cá li muito sobre o assunto e perante a evidência científica, aceito sem reservas que uma coisa destas pode acontecer a qualquer um.
Também sei que para uma família que tenha um caso destes em casa, a situação é dramática.
Se os pais não ajudarem, é uma tragédia para todos.
Esta história nada tem a ver com as modernices que por aqui vão.
Na minha opinião,  em Portugal, este assunto virou moda e parece-me haver gente a mais com este problema. Com a politização da questão, saem prejudicados aqueles que realmente são fruto de erro da genética, saem prejudicados os rapazes e as raparigas das escolas, os professores e a sociedade em geral. Ganham as lésbicas e os paneleirotes e aventureiros.
Só uma coisa: Não me digam que a genética escolheu Portugal para errar em massa! Será possível?
Segundo o Sr. Secretário de Estado da Educação, apesar de ter dito que não tinha o número exacto, seriam cerca de 200 casos num universo de 1.200.000 alunos.
Se me dissesse que eram cinco, eu acreditava. Duzentos? Acho uma brincadeira a Lei da casa de banho.

É preciso pôr essa gente longe do poder urgentemente!

Adérito Barbosa in olhosemlente

 .

Amar ao meu jeito

Eternizar momentos e sensações que nos marcaram, por instantes que seja, numa carta de amor, é loucura?
Não, não é!  É algo que vai perdurar na minha memória por toda a vida.
É o amor, sim, o tal amor que não cansa, que não se gasta e não envelhece.
O amor sabe impor-se na ausência e na distância.
Viver a saudade é sentir a nostalgia, é amar, é amar sempre da mesma forma, sempre com aquele desejo, imensurável. Quando se regressa por momentos a esses instantes, voltamos sempre ao mesmo ponto de onde partimos com um objetivo - voltar a amar!...
Voltar para reviver novamente o que nos fez felizes.
Voltar ao inconsciente, dar comigo sentado no tempo, no lugar onde fiquei à porta e lembrar de olhos fechados como eram os contornos daquele rosto, o brilho daqueles olhos, o cheiro daquela pele, o calor daqueles  braços, o deslizar daquelas  mãos e sentir juntinho do peito o relevo daqueles seios. O que dizer quando ouvia aquela voz que me fazia levitar? Já nem quero falar do bater do coração, que teimava em querer bater fora do meu peito.
Disso agora não quero falar!
E a alegria que eu sentia quando sorrias todinha para mim?
Bastava-me aquele sorriso, para que fosse verão logo ali. Ah, como me fascinava ver-te cantar!
Foi assim na lavandaria, entre o bater das máquinas quando nos vimos pela primeira vez; foi assim no salão, no restaurante quando com cumplicidade e voz trémula me olhaste fundo, dizendo ter as mãos frias e que querias  amar.
O amor é ingrato e faz-nos sempre voltar a querer amar.

Apesar das palavras baralhadas na ansiedade, vou-te dizer que eu quero amar também.
- Diariamente vivo com a tua memória, sem saber ao certo como vai ser. O desejo de te voltar a ter um dia sufoca-me a garganta, mas nada me impede de te imaginar. Ninguém me roubará a minha  imaginação, ninguém ma esconde ou ma tira. É a minha história, a nossa história. É essa memória, que num instante fugaz me faz sorrir e pensar que, à média luz,  vou amar-te loucamente, com a intensidade que me pedires e depois sereno digo-te: Vamos amar-nos novamente!
 Voltamos novamente  para onde nunca estivemos para viver a paixão que nunca sentimos... esta loucura é um segredo nosso!

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Agradecimento


Uns chatos pá, é isso que vós sois, uns chatos!
Mandastes uma quantidade brutal de mensagens e isso obrigou-me a classificar-vos por grupo.

 Os que enviaram mensagem privada obrigaram-me a responder um a um, individualmente. A este grupo classifico de castigadores; mensagens privadas requerem respostas personalizadas. Vejam bem a trabalheira que tive. Aqui estavam doutores, pedreiros, engenheiros, agricultores arquitectos, sapateiros advogados, floristas cirurgiões e dentistas e brincalhões. Obrigado pela delicadeza.

Depois veio o grupo dos que deixaram palavras elogiosas sobre a minha escrita, do tipo das do Celso Feijao, que deixam um homem a pensar: o Feijão, um monstro da escrita de narração, que escreve crónicas de guerra como ninguém,  passou fugazmente por lá e deixou um comentário, elogiando a minha escrita? Isso foi para me testar. Lá está ele, um garboso militar de elite, mestre no ofício de arrumar letras, a praxar um pequenino como eu. Ao grupo do Feijão muito obrigado, quem me dera escrever como ele!

Também por lá passeou o grupo de gente da escrita; escritores, poetas, poetisas, ensaístas, cronistas, pintores, músicos e escultores disfarçados no meio da multidão a dar os parabéns, fingindo que nada têm a ver com a escrita nem com a cultura. Houve uma escritora que não resistiu e deixou uma leve fragrância do perfume da sua escrita magnificamente numa rosa. Bem haja a este grupo.

Seguidamente vieram aqueles que pertencem ao grupo da corda, onde está incluída a minha família, os amigos de infância, as gentes de Assomada, terra onde nasci, os amigos de escola, os amigos da Casa do Gaiato, os chefes militares, os camaradas de armas tudo gente gira, gente que não cobra nada - gente ruidosa. Não elogiam, não põem a fasquia em lado nenhum, dão os parabéns, mandam beijinhos, dizem que sou um gajo porreiro e logo saem a correr, para beber mais uma cerveja enquanto a chouriça assa ao lume.
A este grupo chamo de gente pragmática; não deram trabalho nenhum e não me deixaram constrangido, só ponho um like e já está!
Aí pessoal da corda, p’ro ano não faltem!

Divididos os grupos, aproveito agora para agradecer a todos sem excepção e dizer que para o ano cá vos espero!

Adérito Barbosa in olhosemlente

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Porque faço sessenta anos

Quando alguém carrega o fardo do pensamento conturbado nunca consegue responder à chamada, porque quem não presta, por si mesmo se destrói.
Paro para reflectir sobre a vida e as minhas escolhas; parei várias vezes para reflectir e reavaliar as minhas ideias, busquei novas oportunidades, fiz novos planos, refiz alguns antigos, idealizei metas e sonhei.
Inspirei-me com incríveis textos de grandes escritores e ensaístas que li nas madrugadas no meio da solidão, partilhei e partilho as minhas emoções na escrita. Assim cheguei aos sessenta anos; vejo os netos a crescer e sinto que só tenho  trinta. Olho a elipse da trajectória da minha vida e vejo uma espiral de emoções a subir de uma maneira que não sei explicar, como se fosse até ao infinito.
Não mudei nada nesses anos que passaram - nem rugas, nem barriga grande.  Foi preciso reinventar-me muitas vezes, levantar-me, voltar a cair e evitar as tentações. Num paradoxo, sempre fui
 incompreendido no amor, mas sempre me senti amado.
Contudo, provei o veneno amargo da ingratidão dos ingratos, daqueles a quem dei tudo - até pedaços de mim levaram e hoje nem olá dizem!
Mas aqueles que um dia me ajudaram, ou me amaram sabem onde estou, como os amo e ouvem sempre a minha voz, quando menos esperam.
De ora em diante preciso de amor e paz para viver devagar o meu futuro, o tempo que tenho à minha frente. O resto quero descobrir nas estrelas, no romance que escrevi, na calmaria do mar e na brisa que virá no momento certo, para me ouvir dizer que nestes sessenta anos consegui o mais difícil - ter três inimigos falseadores da genética, o que é obra!
Que Deus me ajude a conservá-los por muitos anos.

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

E eu sem orgulho nenhum!

Um mariconço da nossa praça  escreveu, com aquele orgulho gay, o que o pai lhe dissera, quando soube que ele era bicha - então temos maricas na família?
O mariconço ficou revoltado com as palavras do pai, porque gostava e, segundo parece ainda gosta e muito de ser o que é.
A mãe, ao contrário do pai, dizia: “Eu só quero que sejas feliz, meu filho!”
Tal como este pai, não quero nada com maricas.
Sempre fugi a sete pés, de cada vez que os médicos nas consultas de rotina vinham com a história  de enfiar o dedo no meu rabo para o famoso e temido toque  na próstata.
Fugi, fugi para bem longe deles sempre que os vi com ideias, refugiando-me nos valores do PSA que se apresentavam dentro dos valores normais.
Fugi tanto a vida toda, até  que acabei por ir correndo, de livre e espontânea vontade, a pendurar-me no dedo do médico...
Sentem-se, que vem aí história:
 ⁃ Então não é que um dia destes, senti uma perturbação  sensitiva no canal mais ao fundo das costas? Analisada a questão, encontrei uma fístula que nada me importaria que fosse nos pés, no nariz ou mesmo na tomateira. Mas não, tinha que ser uma fístula no meu ânus. Logo a mim uma coisa destas... que mais me irá acontecer?
Pus-me a caminho e fui mostrar ao médico a razão do meu constrangimento.
 ⁃ Então o que o traz por cá?
 ⁃ Ó doutor, vou-lhe mostrar uma coisa e quero que o  Sr. resolva este assunto rapidamente - disse eu, choramingando  a minha desgraça.
 ⁃ Ó homem, não seja maricas, vamos lá ver isso! Pus-me de rabo para o ar e o médico, sem piedade nenhuma, enfiou um dedo igual ao que  Gabriel Garcia Marquez descreveu no seu livro “ Memórias de minhas putas tristes”, história de um velho e excêntrico jornalista e crítico musical que, ao comemorar os 90 anos, se presenteou a si mesmo com uma noite de amor  com uma jovem virgem. Porém, a moça era ainda adolescente, adormeceu e ele não teve coragem de a acordar. A sua amiga de longa data  - a meretriz, dona do bordel - cuidara de escolher uma virgem para o velho; sabendo do problema de que ele padecia, a velha amiga em jeito de troça sugeriu-lhe ao ouvido - aproveitas para ela te passar a pomadinha com um dedito assim no cu - esticando o dedo - sempre vais gozar doutra forma.
É assim a vida. Não gostei, a coisa doeu! Como é possível que haja neste mundo gajos que gostam dessa experimentação?
Eu já experimentei o dedo do médico e não gostei.
O pior é que o médico marcou novo exame dentro de cinco dias! Se houver alguém que queira ir por mim, ficarei eternamente grato.

Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...