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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Morreu como quis

Morreu como quis

Não quis desviar o rumo da seta,
fitou a morte e morreu como quis
Sem pretensões.
Transformou loucas inspirações
em canções de amor e sonhos
deixa órfãos os poemas
que desenhou na solidão.

Espalhem a notícia,
digam aos trovadores
que a poesia chorou também.
Preferiu não ser esquecida
soube que foi concebida
num momento de embriaguez
dele, do poeta...

Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Agora sim



Acordou, depois veio a pintura, o batom vermelho e o pó de arroz.
Outra candura surgiu no rosto e por fim um sorriso patético ao espelho – estou bem! Desconfiada, olha uma e outra vez e põe mais rímel. - Agora sim!
O sol que brilhara a medo no lençol do mar onde adormecera com o poeta, espreita agora cusco pelo vidro do carro. Ali está ele, dormindo de pernas para o céu, a sonhar que não consolou quem amou e foi pecado quando sentiu o preço do amor muito antes de amar.
- Não faz mal, se não mudei até hoje, não mudo mais! Pensou ele.
Desenhada uma nova amante nas teclas do telefone, parte para um outro lugar na esperança de que vai amar outra vez nas tardes de sol-pôr entre chuviscos, livros e escrita.

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 11 de setembro de 2016

Custa nada comprar um inimigo que não vale nada...




A propósito da triste notícia sobre o falecimento dos Instruendos "Comandos" e uma declaração do Sr. General Raul Luis Cunha a um órgão de comunicação social, dizendo que dentro dos Paraquedistas, os PRECS são os únicos que se podem comparar aos Comandos, fiquei triste por ver uma quantidade de paraquedistas a colocar gostos e mais gostos. O Sr. General não tem culpa de receber elogios pela sua opinião. Não gostei mesmo nada de ver pessoal nosso a aplaudir! E na sequência disso escrevi este artigo.


Nada custa comprar um inimigo que não vale nada...

Aqueles que consentem ser tratados pelos títulos académicos nas redes sociais não são meus amigos, são pessoas com quem não me interessa relacionar. Aqueles que tratam os seus antigos chefes pelo título académico ou pelo seu posto, também não são meus amigos, são uns lambe botas! Se não os pudermos tratar por colegas - Sr., Sra., pelo seu nome ou por camarada, então porque havemos nós de nos imiscuir nas questões onde eles se assomam? A todos aqueles que andam por aí a escrever, obrigado meu general, respeitosamente o cumprimento meu general, Sr. General pra aqui e pra ali, o meu general é um sábio, é dono da verdade absoluta, o meu general está autorizado a vir cá a casa comer a minha mulher, se ela quiser etc. etc. etc...Paira no facebook uma ave rara, uma mosca, um paraquedista jornaleiro conhecedor das leis militares e da orgânica militar melhor que ninguém.

Durante a minha passagem pelo BI, CCTP, BETP, BOP1 e pelas companhias 311, CAS, CC, seção de justiça EMEL e CCOM nunca ouvi falar dessa “ave rara”. Sabe-se agora que pertenceu à revista "Boina Verde" - a tal secção jornaleira - a seção dos amigos de amigalhaços de todos os chefes. Soube que era militar, TC, aqui no facebook vejam só… quando se atreveu a meter-se comigo - e pelo que vejo, faz jus à fama que tem "é um verdadeiro besunta, um pedante, como disse dele um camarada nosso num almoço recentemente". Dou graças a Deus por nunca me ter cruzado com ele nas fileiras. Passa por um dos maiores estrategas opinadores, um dos maiores entendidos em questões castrenses e manda bocas que se farta sobre a situação que levou ao falecimento dos militares no curso de Comandos.

Ele desanca no Ministro da Defesa por este cumprir a sua obrigação, ele desanca nos Deputados da Assembleia da República legitimamente eleitos, quando no desempenho das suas funções políticas pedem explicações ou têm esta ou aquela posição sobre os Comandos, ele defende os generais com língua de palmo, num lamentável exercício de estupidez e com alguma ignorância à mistura, num claro desrespeito pela lei do país, para com os familiares dos falecidos e ainda num execrável enaltecimento das virtudes das chefias militares, que no meu entendimento, foram incompetentes e por isso devem ser investigados, julgados e responsabilizados.

A morte dos dois militares em instrução nos Comandos, não pode ficar registada na Certidão de Óbito deles como "vítimas de culpa solteira", nem lembrados no futuro como vítimas "da onda de calor" ou de outra desculpa esfarrapada qualquer. O facebook é uma arma perigosa nas mãos dos bajuladores, “aplaudidores” carreiristas. Por aqui deambulam juízes, sentencia-se com facilidade e há gente com solução para tudo. Aqui há muitos entendidos nas matérias e quase que numa luta de classes - nada de novo na nossa história - argumenta-se acontecimentos com a maior das leviandades, suspira-se com as intrigas e por ironia dos acontecimentos ou coincidências, são habitualmente usados pelas mesmas elites - as interpretações dos últimos acontecimentos não podem ser singular coincidência - A morte dos dois militares comandos em instrução é inaceitável!! Como há mais generais que soldados neste país, é muito possível que a corporação da classe generalesca funcione e acabe por abafar os acontecimentos que devem e merecem ser investigados até às últimas consequências, acabando assim com a impunidade reinante.

A corporação tudo fará para safar a pele uns dos outros e deixar os pais e os familiares dos militares falecidos na merda como sempre. Enquanto isso, os bajuladores continuam a polir as estrelas dos generais e a aplaudir as suas dissertações megalómanas.
Há mais vida para além de glorificar generais camaradas! Há por exemplo a nossa dignidade!

Adérito Barbosa in olhosemlente

sábado, 10 de setembro de 2016

Tempestade calma



Tempestade calma

Pouco a pouco sinto-me mais perto
da escravidão do pensamento...
Acordo, dou comigo a escrever versos sem sonetos...
Às vezes tenho sentimentos miudinhos sem sentido....
Noutras, tudo parece-me imperfeito...
Mas quando chegas, de repente tudo muda...
Contigo vem uma tempestade calma...
Trazes o segredo que me faz respirar a chuva que molha o corpo estufa.
E a flor brota em mim, com raiz e  perfume de jasmim. Se te respiro, hum... este meu corpo converte-se numa armadilha que adormece a alma sem entender as horas dos ponteiros que recuam e nos força a abrir os olhos para entendermos a razão das coisas.

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Entre o Sono e o Sonho



A Obra "Entre o Sono e o Sonho" dividida em 2 tomos com cerca de 600 páginas cada. Será um evento poético que perdurará como um dos mais arrojados objectos de Poesia Portuguesa Contemporânea publicados no nosso país pela Chiado Editora, da qual tive muito prazer em participar. A obra irá antologiar mais de 1.000 Poetas!
A não perder! 
Nas livrarias brevemente.


Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 6 de setembro de 2016

... não é tudo tão mau assim


Uma cidadã Cabo-verdiana, residente em Antuérpia (Bélgica), fez publicar um artigo nas redes sociais, cheiinho de salamaleques e muita mentira à mistura, dizendo que na Ilha do Sal há praias privadas e que ela própria foi barrada por um segurança de um hotel que não a deixou passar, etc...
Enfim! Um chorrilho de mentiras, que fez com que muita gente, desconhecendo a realidade, viesse à praça pública fazer ruído.
Eu sei que nem tudo está bem, mas não é tudo tão mau assim! Perante a desonesta e grave declaração, a título de resposta, vim a terreiro com o seguinte artigo, dirigido à Senhora Marízia:

"É pena que muitos dos Cabo-verdianos  desconheçam a realidade das nossas ilhas. É fácil, mas  perigoso, falar de coisas que não sabemos.
Na visita que fiz à Ilha do Sal, durante o mês de Agosto, procurei esclarecer-me sobre o funcionamento e a orgânica do Município de Espargos, sobre a situação das Salinas de Pedra Lume, sobre as concessões e exploração dos hotéis na ilha, assim como sobre os dividendos económicos que tudo aquilo gera.

Da investigação, fiquei a saber que as concessões dos hotéis, a venda de terrenos, a Electra (entenda-se água e electricidade) é tudo tratado pelo Governo central  e não pela Câmara Municipal de Espargos. Segundo soube, a Câmara apenas trata do lixo e das chatices. Todos os recursos que a ilha gera com o turismo vão direitinhos para o Governo da Praia.
Disseram-me que a Electra deve milhões à Câmara Municipal de Espargos e que, quando a Câmara, relativamente às facturas da eletricidade, pediu encontro de contas à Electra, esta cortou a luz à Câmara Municipal, num puro exercício de abuso.

As salinas foram entregues pelo Governo, há muitos anos, a um estrangeiro e este farta-se de encher os bolsos, nada revertendo a favor  dos Salenses.
Fiz as contas e, uma vez que todos os dias chegam ao Sal sete vôos com turistas e que cada avião leva em média 200 pessoas, o total diário soma 1400, que multiplicado por 30 dias, dá 42.000 pessoas.
Sabemos que todos os turistas, em princípio. Vão às salinas, tal como eu fui com a minha família.
A entrada nas salinas custa 5 euros, mais 1 euro para o banho. Se fizermos as contas, rápidamente verificamos que, por mês, as salinas rendem para o bolso do estrangeiro 252.000,00 euros.
Se a isso juntarmos as despesas que os turistas fazem no restaurante do estrangeiro, nas salinas, fico com a ideia de que os governantes andam a dormir. O engraçado é que nada reverte a favor dos Salenses nem nada vai para a Câmara Municipal. Como Cabo-verdiano, entendo que as salinas são um recurso natural da ilha e que devem ser exploradas pela Câmara Municipal, devendo o dinheiro ser canalizado para os Salenses. 

Perguntei porque é que  a Câmara não recupera as Salinas à força, ou até atendendo ao seu manifesto interesse público. Foi-me respondido que não podiam fazê-lo por duas razões: 
1º A Câmara não tem Polícia Municipal. 2° A Polícia da Ordem Pública não colabora com o município, porque só recebem ordens do governo e a decisão da exploração das salinas partiu do governo, de quem dependem directamente. Dá que pensar...

Não querendo desmentir a referida senhora, posso afirmar que corri a ilha toda e não vi praia privada nenhuma na Ilha do Sal. O que me parece é que a senhora quis ter acesso à praia pelo hotel. Será? Temos que nos habituar a falar só daquilo que conhecemos e sabemos, para não revelarmos ignorância ou más intenções. 
Falou-se aqui de racismo – penso que está na hora de deixarmos esse chavão esquecido a um canto, porque já não faz sentido. Racismo deve haver sim, mas neste caso, talvez nas nossas cabeças.

Quanto à questão da gestão das Salinas de Pedra Lume, dizem que este novo governo prometeu devolvê-las ao Município de Espargos. Espero que seja verdade e, se assim for, haverá justiça de direito para os Salenses e será dado então um passo importante para a descentralização e desenvolvimento da Ilha do Sal. Se não acontecer cá estarei novamente com este assunto.

Ao Sr. Júlio Lopes, novo Presidente da Câmara Municipal de Espargos, peço coragem política  para tudo fazer, de modo a que as salinas passem para as mãos do município.


Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

NO JAPÃO NOVO SISTEMA EDUCATIVO

NO JAPÃO
NOVO SISTEMA EDUCATIVO (facultado por José Pinto)

Está a ser testado no Japão, um plano piloto revolucionário chamado "Mudança Corajosa" (Futoji no henko) com base nos programas educacionais: Erasmus, Grundtvig, Monnet, Ashoka e Comenius. É uma mudança conceitual que quebra todos os paradigmas. É tão revolucionário que treina crianças como "cidadãos do mundo".
Nessas escolas não se rende o culto a bandeira, o hino não é cantado, não se vangloria heróis inventados pela história. Os alunos já não acreditam que o seu país é superior aos outros só porque eles nasceram lá. Eles já não vão à guerra para defender os interesses econômicos de grupos poderosos, disfarçados de "patriotismo".
O foco principal do ensino está na compreensão e aceitação das diferentes culturas com seus horizontes globais e não de cunho nacional.
O mais interessante é que a mudança está ocorrer numa sociedade actual extremamente tradicional e machista!
O programa dos 12 anos é baseado nos seguintes conceitos:
- Zero patriotismo.
- Zero supérfluos.
- Zero tarefas.
Apenas 5 matérias,
1. Aritmética voltada para negócios. Operações básicas e uso comercial de calculadoras.
2. Leitura. Os alunos começam a ler diariamente uma página de livro (escolha livre) e têm que acabar de ler um livro por semana.
3. Cidadania: Entendimento da cidadania como pleno respeito à lei, coragem cívica, ética, respeito às regras de convivência, tolerância, altruísmo e respeito à ecologia.
4. Computação: Trabalho, internet, redes sociais e negócios on-line.
5. Quatro línguas, alfabetos, culturas e religiões: japonês, inglês, chinês e árabe, com visitas a intercâmbio de famílias em cada país durante o verão.
E qual será o resultado deste programa?
Os Jovens aos 18 anos falarão:
• quatro idiomas, conhecerão quatro culturas, quatro alfabetos e quatro religiões.
• Serão expertos no uso dos computadores.
• Serão capazes de ler cerca de 52 livros em cada ano e saberão respeitar a lei, a ecologia e a convivência social.
•Manipularão a Matemática Empresarial com minúcias.

Francisco Javier Abad Vélez
Decano
Facultad de Negocios y Ciencias Empresariales
Tradução para o Português: L.E.F
Revisão: ZK.

Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...