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domingo, 12 de julho de 2020

Portugal não é país para ricos nem para pessoas bem sucedidas.

Nunca gostei dele, desde sempre o achei uma pessoa feia e tornou-se horrível desde a célebre entrevista que deu à SIC, demonstrando o seu carácter de  juiz ambicioso e prossecutor “Quero, posso e mando”.
O Ticão  é uma sociedade do Juiz C. Alexandre e dos Procuradores do Ministério Público e é uma das coisas mais estúpidas que existem em Portugal.
No caso das rendas excessivas da EDP, os arguidos foram constituídos em 2017,  mas o processo arrasta-se há oito anos, já passou por três juízes que aplicaram as medidas de coação que vigoraram até Carlos Alexandre receber o processo e como este achou que as medidas não eram suficientes, sai martelada.
Incompreensível! Foi buscar a velha conversa  fiada de “perturbação de inquérito” para um processo que dura há este tempo todo, em que a malta arguida já falou com quem muito bem entendeu e fez o que lhes deu na real gana, e vem agora o juiz impor cauções de milhões e proibir o acesso dos gestores às respetivas instalações. Não contente  e de forma prepotente, só para humilhar, mandou um  recadinho aos seguranças, para não os deixarem entrar nas  instalações.
Ao ler os argumentos exarados no despacho, fico com a ideia de quão banal este juiz é capaz de ser. Alexandre quer que saibamos que Portugal não é país para ricos nem para pessoas bem sucedidas; os ricos e os poderosos que se cuidem!
Como é possível um juiz gerir onze processos complexos com centenas de arguidos, milhares de testemunhas, dezenas de milhares de páginas e tomar decisões  com esta leveza?
Faz-me lembrar o terrorrista Bruno de Carvalho inventado pela Cândida com centena e meia de crimes, o que no tribunal deu em nada!
Carlos Alexandre limita-se a assinar por baixo as peças do Ministério Público, ou seja, não faz aquilo
que era suposto fazer: ser o juiz dos direitos e garantias dos cidadãos e ser um fiscalizador das atividades do MP. Antes pelo contrário,  forma  equipa  com os procuradores.
Carlos Alexandre adora aparecer  como o herói na capa do CM, montado no seu cavalinho branco, solitário, lutando contra a corrupção em Portugal, Angola e resto do mundo. Ele gosta claramente de ser o centro das atenções e mostra ter vontade de substituir a estátua da deusa de olhos vendados por uma dele.
Ah! É verdade! Convém não esquecer que em primeiro lugar o Ticão é uma aberração criada pela Assembleia da República.
Como bem lembrou o advogado Garcia Pereira, basta aos magistrados do MP imputar a um arguido um crime que seja da competência do Ticão e esse arguido vai logo parar às mãos do Carlos Alexandre. Há quem diga mesmo que o MP indicia intencionalmente alguém de crime e assim fica com a garantia de que o caso vai parar ao  juiz Alexandre, que este assina alinhado.
É assim que  um juíz e uns procuradores, devagarzinho, tiram aos cidadãos os seus direitos e garantias.

Adérito Barbosa in olhosemlente

terça-feira, 23 de junho de 2020

O corpo tem influencia sim

“A madeira do corpo tem influência no som da guitarra 

A madeira utilizada na construção do corpo de uma guitarra sólida influência o timbre final do instrumento. 


A influência da madeira do corpo no timbre do instrumento...



Guitarras antigas = Madeiras secas !

Tendo tocado em muitas guitarras, observei que só algumas pouquíssimas realmente têm aquele timbre diferenciado que procuro. Analisando esses instrumentos, não tenho dúvidas de que as madeiras fazem a total diferença no som final. Toquei em duas stratocasters que realmente me impressionaram bastante, coincidência ou não, as duas eram Fenders americanas fabricadas nos anos 70, uma delas tinha um belo corpo em ash com acabamento natural (idêntica a que o Blackmore tocou no California Jam) e a outra teve o seu corpo grotescamente recortado, quem seria o louco que fez um mutilação dessas. No entanto, o som era incrível.

Além da idade, essas stratocasters tinham outras características em comum: eram bem leves. As stratocasters equilibradas pesavam entre 3,9kg e 3,6kg (o que não quer dizer que as que estão fora dessa faixa sejam necessariamente más). Pois bem, as duas guitarras em questão deveriam estar no início da faixa, sendo que a segunda era ainda mais leve pela mutilação do corpo.

Muito bem, qual seria a suposição para a qualidade do som das guitarras? Primeiramente, madeiras secas. Em segundo lugar, não se pode ignorar  que os captadores originais de alnico se desmagnetizam ao longo do tempo, alterando o seu timbre e soando mais vintages... Estou a falar de guitarras com 30, 40 anos de idade...

Os fabricantes de guitarras de qualidade costumam (ou costumavam...) usar madeiras envelhecidas para montar seus instrumentos, quando não faziam isso, secavam as madeiras em estufa pelo tempo que fosse necessário.

É claro que as guitarras baratas fabricadas na Ásia não observam esse quesito, os tipos pegam a madeira disponível, montam a guitarra e ponto final. Já via até  guitarras assim... Ora, a humidade da madeira vai influir no som do instrumento. E é por isso que eu acredito que o som da guitarra pode melhorar com os anos, na medida em que as madeiras vão perdendo a humidade para o meio ambiente, isso já aconteceu com instrumentos meus.

Densidade da Madeira

Uma outra questão muito interessante é a densidade da madeira do corpo. Pessoalmente, acredito que a densidade da madeira é mais importante do que o tipo da madeira em si. Percebi isso analisando duas coisas:

1) fazendo upgrades em stratocasters de baixo custo com o corpo em basswood, percebi que aquelas que tinham um peso mais próximo das stratocasters feitas com madeiras tradicionais (alder e ash) tinha um resultado muito bom, soavam como stratocasters clássicas, já as que eram muito pesadas ou muito leves não tiveram um bom resultado.

2) as stratocasters feitas com madeiras (freijó, cedro, mogno) não soam muito como stratocasters clássicas, possuem o som mais grave, por vezes "abafado", isso não quer dizer que sejam maus, são só diferentes mas costumam decepcionar alguns compradores, no entanto, as que possuem o corpo feito em marupá já soam mais próximas ao alder, não coincidentemente, o marupá é madeira que tem o peso mais próximo ao do alder...

Algumas Conclusões Práticas

Vamos supor que preciso comprar uma stratocaster e meu dinheiro só dá para comprar uma chinesinha com o corpo em basswood...

Sabemos que a densidade da madeira é muito importante, então o primeiro cuidado é comprar uma que tenha o corpo com a espessura padrão das Fenders, ou seja, 4,5 cm. Mais uma vez, isso não quer dizer que uma guitarra um pouco mais fina seja necessariamente má, mas já que vamos comprar uma, vamos comprar logo uma com a espessura correta !

Depois, vamos escolher uma que tenha um peso dentro da faixa que eu citei acima (3,6/3,9 kg). Bem, vc não vai levar uma balança para loja, mas procure ter uma noção pegando, digamos, uma sacola com 3,5kg de alguma coisa !

Por fim, pensar na possibilidade de pegar uma guitarra usada, fabricada nos anos 90 ou anos 2000, o Mercado Livre está cheio delas e são mais baratas ainda mas só faça isso se contar com alguém experiente por exemplo um professor (de música para a ajudar a escolher pois comprar guitarra usada sempre traz riscos...."

Adérito Barbosa in olhosemlente







terça-feira, 16 de junho de 2020

O estranho caso do médico de 12 anos de idade

O Estranho caso do médico com 12 anos de idade.
Numa perpendicular à Rua do Hospital Agostinho no Neto na cidade da Praia, lá está, há mais de quarenta anos a homenagem singela  ao médico fenómeno da precocidade!
Só em Cabo Verde! Onde mais poderia ser?

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 26 de maio de 2020

Paraquedistas portugueses infiltram-se pelo ventre da República Federal Alemã adentro!



A BOTP1 agitava-se todas as manhãs com grandes jogos de Futebol de 5, grandes corridas pela mata de Monsanto e no verão, de vez em quando uma sardinhada promovida pela messe na mata da CCOM; se não me falha a memória, o gerente na altura era o Capitão Espírito Santo, que nos proporcionava pequenos-almoços à maneira e refeições de sonho. Depois das 16:30, infindáveis imperiais no clube e as secas do chefe Prucha, do Major Cavaco e do chefe Clemente, sem nunca descurar o chefe Candeias, mais conhecido pelo “Tirinhos”, sempre pronto a disparar a sua 38 sobre qualquer um!
Tudo ali era rotineiro e previsível até que apareceu na Base, vindo da BETP o falecido e saudoso Major Krug. Eu e o Krug éramos amigos e tínhamos em comum os filhos no Colégio Militar, daí alguma afinidade entre nós.
O Krug mal chegou à BOTP1 inventou a corrida da unidade - entre tantos gajos escolhia-me sempre a mim para dar o aquecimento e assim que acabasse o aquecimento, começávamos a corrida dos loucos pela serra abaixo.
Não contente com isso inventou o exercício BAT/CAÇ, o que nos obrigava a roubar-lhe os planos dos exercícios. Depois inventou Saltos, demonstração para tudo quanto era sítio, com ou sem vento.
Ainda hoje quando passo pelo Cacém dou comigo a pensar:
- Como fui capaz de saltar para um sítio destes?
Daí para a Alemanha, exercício NATO Schinderhannes - Patrulhas de Longo Raio de Ação -  foi um passo. Só fui por imposição do comandante de companhia, porque os doutores já tinham reservado os lugares para eles, excluindo-me desta missão.
Estávamos no ano de 1990. Feitos os treinos, lá fomos nós para a Alemanha com muitos quilos de moedas de 25 tostões, que passavam por marcos nas máquinas de vending. O mesmo será dizer que o níquel português passava a valer um euro.
Na 1.ª noite da nossa chegada fui dormir cedo. O Lixívia, também já falecido, ficou no bar e contou uma história macabra aos alemães, dizendo que eu tinha sido apanhado no mato em plena guerra colonial, aos cinco anos e que fui adoptado pelos paraquedistas.
No outro dia de manhã, quando fui tomar o pequeno almoço, tornei-me o centro de atenções na messe. No bar internacional, nem os alemães nem os americanos me deixavam pagar nada. Ficavam todos à minha volta, com perguntas e mais perguntas sobre as tretas do Lixívia. Estava bastante incomodado com o assunto e fiz essa observação no nosso acampamento; vim a saber que me admiravam por ser um paraquedista desde os cinco anos.
Não satisfeito com esta mentira, inventou ainda que eu era campeão de boxe em Portugal; um calmeirão tipo armário veio ter comigo, querendo fazer umas luvas no ring da base. Eu é que sei as voltas que dei para me livrar do calmeirão alemão - só olhar para as mãos dele metia medo.
Connosco foi também o Pires, um soldado da CCOM. O Pires era louro, pequenino ainda com cara de puto, 18 ou 19 anos, não mais!
Numa das nossas saídas para a vida da vergonha fomos a um bar da pesada em Colónia, daqueles por pisos, onde as moças serviam as bebidas em biquini.
Mal entrámos, o capitão e o Pires não me largaram um minuto. O Pires ficou maluco com uma grandalhona, duas vezes o tamanho dele, mamalhuda, mas estava receoso. Depois de muitas hesitações, alertei a moldava grandalhona das intenções do Pires. Acertados os valores, lá subiram.
Como o capitão não falava patavina de inglês, também tive que negociar com uma alemã a missão dele e lá subiu.
Na sala-bar cá em baixo eram putas de todos as nacionalidades - brasileiras, jugoslavas, francesas, turcas e até encontrámos uma portuguesa fora de prazo.
Eu estava preocupado porque o Pires tinha subido antes do capitão. O capitão já tinha descido e o Pires ainda não; fiquei com medo que a grandalhona tivesse pisado o Pires por descuido e que o coitado estivesse moribundo. Falei com uns caramelos seguranças e disseram que até àquele momento estava tudo normal.
Passado um bom bocado chega o Pires, sorriso de orelha a orelha, vermelho que nem uma abóbora, todo feliz, acabadinho de descer do céu.
⁃ Então Pires, safaste-te bem?
⁃ Safei pois!
Lá contou as façanhas que considerei mentiradas do pequeno macho português. Fui ter com a grandalhona e perguntei:
- Então o pequenino portou-se bem?
- Puta que pariu o português. Ele é pequenino mas trabalhador e deixou-me num estado lastimável. O garoto usa pilhas, não?

Foto: major Krug e o Alcides Pires na BOTP1

Adérito Barbosa in olhosemlente

quinta-feira, 14 de maio de 2020

FARISEU neto Zebedeu


Naquele tempo, Afonso Costa, Advogado e Ministro, fez parte de vários Governos (dirigiu três até 1923), sendo considerado um dos grandes responsáveis pela instabilidade durante a I República. Ao sentir o cerco dos fariseus e os pedidos de clemência do povo, mergulhado na ignorância e sufocado na miséria, ele, um “expert” em questões religiosas, que se doutorou em Coimbra com a dissertação "A Igreja e a questão social”, obra em que ataca violentamente a então recente encíclica “Rerum novarum”, pois fé era coisa que ele não tinha, também não tinha nada para dar ao povo, a não ser explicar as mortes de soldados Portugueses na Flandres, visto que foram mandados para lá à trouxe-mouxe e por ele super mal equipados e preparados, tipo carne para canhão.
Afonso Costa arranjou três trabalhadores infantis lá da Cova da Iria – e fez deles os únicos capazes de ver coisas que ninguém via e de falar com Santinhas, até visionaram o fim da guerra; Afonso Costa resolveu o problema dele, desviando as atenções da sua má governação para um canto. Muito mais tarde, lá mais para a frente, Salazar fez o resto e assim fundaram a maior empresa Portuguesa de sempre, que vende milhões de fé e nada de facturas, nada de taxas nem de impostos!
Com a poderosa máquina de “marketing” da Igreja em funcionamento, os fiéis poderão escolher entre uma grande variedade de “souvenirs”: porta-chaves de 5 a 25 €, medalha de ouro oficial da visita a 1300€, camisolas com a imagem do Papa a 20€ e todo o tipo de velas e velinhas para pagar promessas, que se estima serem às toneladas, a preços muito diversos e até o programa comemorativo da visita custa dinheiro! O Vaticano cobra um cachê nunca inferior a 12 milhões - pelo menos foi assim no Reino Unido.
Digam lá se o Afonso Costa foi ou não um visionário!
Estou mesmo a ver. Já me estão a chamar Farizeu!
Desta vez, graças ao covid não houve negócio em Fátima. Uma tragédia para a igreja...

Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 8 de maio de 2020

BOTP1 - Jantar de Natal da CCOM no “Páteo” de Carnide, sobremesa na Avenida da Liberdade

A CCOM era uma companhia de graduados ilustres e intocáveis; ao pé deles eu era um Zé Ninguém, pois era o mais moderno. Com este estatuto calhava-me sempre trabalho e mais trabalho; as escalas de serviço pendiam sempre para o meu lado. Nunca entendi as nomeações do Laranjo Pereira na secretaria da CCOM, companhia que reunia um grupo de soldados daqueles a quem se pode chamar tropa manhosa…
Na véspera do dia da unidade chovia a cântaros; os nossos militares que tinham ido em missão para o estrangeiro, deixaram as viaturas na parada.
Numa das rondas, apanhei os gajos da CCOM a jogar à batota num dos quartos e disse-lhes:
⁃ Meus Senhores, como castigo, agora vão buscar os reboques e levam todas as viaturas lá para cima, porque amanhã não pode haver carro nenhum em frente ao comando! Cuidado, não quero amolgadelas em carro nenhum. A ideia era vê-los molhados que nem pintos. Minutos depois, quando dei conta, estava tudo feito e os gajos nada encharcados. Os tipos abriram os carros não sei com quê, puseram-nos a trabalhar não sei como e levaram-nos todos dali. Não foi preciso reboque nenhum. Fui verificar, estavam todos trancados e ilesos.
Tínhamos lá um gajo de seu nome Surfista. Um dia foi preciso reparar uma extensão telefónica; ele prontificou-se para a arranjar - passadas duas horas já não havia telefone na unidade, - o surfista tinha arrancado a guipagem toda de um cabo de 200 pares. Para voltar a pôr os telefones a funcionar na BOTP1, foi preciso chamar a PT.
O meu pelouro era tomar conta das antenas que estavam espalhadas pelas serras do País; a maior parte do tempo estava fora e por isso me chamavam “ o Chico da montanha”. As tempestades nas altas montanhas destruíam as antenas com a maior das facilidades e, se a isso associarmos os rádios repetidores TRC425 que não prestavam para nada, tinha sarna para coçar que nunca mais acabava.
Quando estava na base nem era preciso olhar para as ordens de serviço, estava sempre de serviço!
Curioso as plantas das camaratas da CCOM estarem sempre murchas, ao contrário das plantas da camarata da Anti-carro; aquilo fazia-me uma confusão dos diabos… Descobrimos que o pessoal regava os vasos com o resto da água com que limpavam o chão, cheia de detergente e lixívia!
Mais tarde apareceu um vidro partido e uma vez que ninguém se acusou, toda a companhia pagou o vidro; ficámos com muito dinheiro no cofre da companhia. Chegados ao Natal, pensou-se então num jantar de Natal à larga, o que se veio a revelar o jantar da minha desgraça.
Escolhemos o “Páteo” de Carnide. Restaurante finório, com direito a fadistas e tudo. O objectivo era gastar o dinheiro todo, dar uma lição aos comunicadores e incutir neles o espírito natalício da família militar.
Reunida a soldadagem, acertámos os critérios para a vestimenta - fato e gravata - e realçámos a necessidade de bom comportamento; arranjámos uma TP21 para aqueles que moravam longe e ficavam na Base (a maioria foi engravatar-se para casa) e lá fomos então para o restaurante.
Coube-me a difícil tarefa de tomar conta da soldadagem; chegaram todos engalanados - eu próprio quase nem os reconhecia, tal era a fineza! Todos de fato e gravatinha fininha, alguns com cabelo espetado para cima, outros com o fato a chegar-lhes aos joelhos; era fácil adivinhar que foram emprestados pelo pai, tio ou avô ou se calhar por algum vizinho.
No jardim do restaurante havia todo o tipo de queijos, gin tónico, whisky, vinho branco, salgados, morcela assada, chouriço, carnes frias, tudo o que se pode imaginar. Empregados sempre a circular por entre a malta com o tabuleiro de bebidas e salgadinhos.
Toda a rapaziada de copo na mão, mãos nos bolsos, armados em doutores.
Entrados para a sala de jantar, foi servida a sopa de peixe e o primeiro prato, bacalhau com broa; autorizado o serviço do segundo prato, cabrito assado, o chefe de sala veio ter comigo, dizendo que a rapaziada não comera quase nada.
No fim da refeição começou o fado; apagadas as luzes e velas acesas, silêncio na sala!
Nem a meio o fado ia, para meu espanto, já a sala estava vazia - só graduados e convidados das outras companhias. Julguei os os tipos estavam no jardim.
Uma chamada telefónica informa que um grupo de paraquedistas provocou um tumulto com “travestis” na Avenida da Liberdade  e que houve pancadaria da grossa…
No outro dia às 10 da manhã lá estava eu no Tribunal de Polícia para receber da PJ os homens e levá-los ao Juiz.
Enquanto assinava o documento de entrega, vi que a nossa rapaziada estava nervosa com os polícias e começaram com as tretas que foram os travestis que se meteram com eles e que a polícia fez isto e fez aquilo com eles, diabo a sete, que lhes rasgou o casaco e sei lá mais o quê!!!
Quando íamos a subir a escadaria, estavam duas mulheres vestidas de amarelo sentadas de pernas cruzadas.
⁃ Aquelas gajas têm umas trancas do caraças! disse eu.
⁃ Você está maluco ou quê? São paneleiros, estão vestidos de mulher e foi aquele que me deu com a mala… disse um, todo irritado.
Quando passei por eles com a malta toda atrás, chamei-lhes paneleiros, maricas, sem vergonha...
Veio o oficial de justiça, chamou os travestis pelo nome deles e disse:
- Como são muitos militares, o Sr. Dr. Juiz só quer falar com o graduado responsável!
Entrei eu e os paneleirotes. O juiz começou por ouvir primeiro a paneleiragem e eis senão quando os gajos que se idenficavam como sendo mulheres desataram a fazer queixa de mim. Que eu era isto mais aquilo, que eu era um brutamontes, que quando cheguei ao hall do tribunal minutos antes lhes havia chamado todos os nomes.
- Imagine o Sr Dr. juiz o que nós passámos com aqueles que estão lá fora e agora veio este senhor com ofensas e ameaças!
O juiz passou-me um raspanete e deu-me um papel para o comando da unidade agir disciplinarmente sobre a rapaziada.
Escusado será dizer que houve benficada para todos os gostos.
Nunca a escala de serviço da CCOM teve tantos voluntários!
Nunca mais se fizeram jantares, mas também nunca mais houve vidros partidos e as plantas tornaram-se viçosas como nunca. Ficaram um mimo!
E os pára-quedistas não conseguiram acabar com a paneleiragem Lisboeta.

Adérito Barbosa in olhosemlente

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Campeonato da palermice e arte de escrever asneirada

“ILOGICIDADE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS EM TEMPOS DO COVID 19, “ segundo o Professor Dr. José Maria das Neves.

Não transcrevo o artigo do douto Professor  Dr. José Maria das Neves ex Primeiro-Ministro de Cabo, publicado no Jornal a Semana no dia 29abril20 porque não sei se algum cabo-verdiano ou mesmo ele próprio sabe o significado da  palavra “ilogicidade”. Contudo, um comentário não menos oco do pseudo Cientista Político Analítico  - Armindo Barreto à publicação referida mereceu a minha admiração pela quantidade de asneira.

“Armindo Barreto 27 Abril 2020 09:47
Para que o rubro considere o caminho do insufismavel truncado em que o rimbombar das lefúcias acertem com o desfrutado incesto torna-se necessário muitas vezes que o anírio do celesbático golondópio se evapore na noite das coisas. Ora, nos tempos modermos em que o anírio penetra-se em vasos nunca incadescentes, a democracia muitas vezes não deixa de evocar supresas para o desespero do fluído que transgreça os capilares de irrigação do bom senso. Nesta senda, a grindótica esfera circun-enchida torna-se em torno do assunto que desabaratado pelo paradigma da socialização corre em direcção ao troco que não substimado mantém o seu endesdável, fazendo com que a corrida para a democracia possa resultar em limitantes de minutos lástimos e contribuir para ricebo de que a naga do alto faz impelir certa elite para o descalabro dos neurónios que comandam o bem feito. * Cientista Político e Analista”



 Adérito Barbosa in olhosemlente

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...