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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Hoje comento eu!


, 
Texto:Aderito Barbosa
Fotografia: Asun Estévez

Não percebo nada de fotografias
nada de folhas, 
"mui" pouco de botânica.
Ninguém me vai censurar, 
ninguém me vai criticar
é inverno.
Chove que se farta!
As gotas límpidas de água fria
salpica a roxa folha, 


colorida pela metamorfose
do inverno galego.
Há humidade, há frio há vento
Ao fundo o mar marulha.
Tudo é harmonioso.
Uma janela aberta
Venham, venham espreitar!
A folha
Aconchegou a gota de água.
Aí está!! Uma lente! O olho d' água
Venham ver os meus pormenores.
Venham ver as minhas nervuras.
Venham ver os meus caprichos.
Venham ver como cresço, 
como vivo!
Esta é a minha casa.
É o jardim.
Onde cresço...
Onde me sinto bem!
Bebo dessa chuva
e brinco à apanhada
com a água.
Prendo esta bolha de água 
Que vos ofereço.
Atenção
Tudo Isto acontece
no jardim da Asun.
Onde podia ser?


Adérito Barbosa in "olhosemlente"

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Dia dos namorados


O imperador  de Roma antiga Cláudius II, proibiu a realização de casamentos no reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudius acreditava que se os jovens, não tivessem família, alistariam com maior facilidade no exército romano. No entanto, um bispo romano continuava a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome Valentim, as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens atiravam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.


Uma outra versão acerca desta data prende-se com a crença de que a Igreja Católica quis cristianizar as celebrações pagãs de Lupercalia. O mês de Fevereiro era, na antiga Roma, o mês oficial do início da Primavera e era considerado o tempo da purificação. O dia 14 de Fevereiro era o dia em que os romanos se lembravam da deusa Juno, a rainha de todos os deuses, das mulheres e dos casamentos. Tal como em relação às restantes festividades pagãs, a Igreja fez o que estava certo e, com o passar do tempo, o dia 14 de Fevereiro passou a ser oficialmente conhecido em todo o mundo como o dia dos namorados. Ou melhor, mais um dia marcado pelo forte apelo consumista.

Foi na Idade Média, no ano de 1375, que o poeta inglês Geoffrey Chaucer, estabeleceu a ligação da tradição do amor romântico à celebração do dia de S. Valentim.
Talvez por isso este poeta tenha inventado a celebração do dia dos namorados tal como hoje a conhecemos.
Adérito Barbosa in "olhosemlente"


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Razão

Eu tinha a razão.
Nas minhas crônicas sempre falei deste assunto e ninguém me levou a sério.

Publicado no jornal o Público

"Em entrevista esta manhã à Antena 1, o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) revelou o teor de uma conversa, em 2011, com Aguiar-Branco. “Se fosse ministro da Justiça era mais fácil (…) mas ao mesmo tempo é muito bom, porque eu não percebendo nada disto tenho mais capacidade para fazer reformas”. Este foi o relato da conversa mantida há três anos com Aguiar-Branco que o antigo governador de Macau fez esta manhã.

Em comunicado, José Pedro Aguiar-Branco negou as afirmações que lhe foram imputadas. “O ministro da Defesa Nacional teve o prazer da sua [Garcia Leandro] companhia uma única vez ao longo do mandato e em momento algum foi proferida a frase que bombasticamente lhe é imputada ou as restantes considerações relatadas.”
O militar referiu, ainda, outra fragilidade do ministro da Defesa. “Não tem a força política de Miguel Macedo que conseguiu uma delegação de poderes do Ministério das Finanças para tratar dos seus assuntos, coisa que a Defesa não conseguiu”, disse.

O presidente do OSCOT não poupou críticas ao Executivo que, afirma, não percebe o que é o Estado. “Caiu-lhes ao colo o Estado, que não conhecem”, referiu. “A reforma do Estado já foi anunciada há dois anos e não são capazes de a fazer”, afirmou. O Governo “vem com a ideia de que vem fazer História e vem resolver tudo”, analisou, para concluir que não sabe nada.
Na entrevista desta manhã, Garcia Leandro manifestou, ainda, inquietação pelo estado de espirito dos militares. “É a desesperança”, classificou. No entanto, sublinhou que “não vai haver posições públicas de violência”. Na origem do descontentamento no seio das Forças Armadas, referiu questões como a saúde da família militar e as horas extraordinárias. “Os militares sentem que não se lhes dá a devida importância”, lamentou".

Adérito Barbosa in "olhosemlente"

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Adeus Lagarto

Hoje foi um dia triste para mim.

Soube da tua partida bem cedo. És sempre o mesmo, ó Lagarto!...
Mais uma partida das tuas. Mas desta vez foste longe demais…
Apanhaste-nos distraídos e foste…
de mansinho… e não disseste nada! Nem um adeus pá! Ao menos isso!...
Será que te chateaste com este mundo?
Não sei o que te deu, escolheste marchar sozinho e seguiste o teu destino!…
Seja para onde for que tenhas ido, não te esqueças de guardar um lugar para mim, como fazias na BETP. Espera por mim que eu também vou aí ter contigo qualquer dia e aí vamos continuar a dar as merecidas secas a quem de direito.
Antes de nos podermos encontrar outra vez é necessário uma despedida.
Que a nossa despedida seja um eterno reencontro.
Descansa em paz!

Adérito Barbosa in "olhosemlente"

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Gandas brincalhões!!!

Gandas brincalhões!!!...

1 - Anda aqui uma coisa a remoer-me a molécula faz algum tempo.
Pus-me um dia destes a analisar “A Portuguesa”, de Henrique Lopes de Mendonça e Mário Simões Rodrigues, que foi mais tarde musicada por Alfredo Keil.
Já toparam do que estou falar?
 Ora bem!... Sabem uma coisa? Descobri que afinal somos um povo guerreiro - somos uma nação de gente valente, somos capazes de levantar "as brumas da memória", somos capazes de marchar contra os canhões. Incentiva-se o recurso às armas.
Não há dúvida, somos um país belicista, somos combatentes!
Até aqui, nada de mal.
 Mas, mais adiante, o tom sobe:
"Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu".
 E, mais para o fim, sugere ainda:
"Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte".
É fácil entender a ambiguidade - país guerreiro sem serviço militar obrigatório? Brincalhões!

2 - A democracia produz injustiças e situações miseráveis.
Permite que uma pessoa vulgar seja condenada, por exemplo, em algum processo, por omitir qualquer coisa ou mentir a qualquer pessoa.
Os políticos, esses, podem mentir, omitir, enganar à força toda, a um país inteiro e ninguém lhes diz nada.
Pensando alto, sem recorrer a nenhuma ajuda, sou capaz de enumerar as tretas.
Não suporto o nosso “primeiro”. Não aguento mais aquele ar de explicador que ele tem. Não suporto mais vê-lo a imitar um professor (ainda por cima, imita mal!). Só assim se entendem tantas explicações.
Não suporto ver a cara de pau com que ele se apresenta todos os dias ao mundo.
Prometeu antes das eleições não aumentar impostos, aumentou. Prometeu cortar nas gorduras do Estado, não sei se está mais magro, pelo que sei até estão a comer mais. Prometeu antes das eleições voos regionais entre Bragança e Lisboa, fazendo força para que o projeto avançasse mais depressa, e logo no dia seguinte à tomada de posse mandou retirar o projeto do concurso, e… de Bragança, nem um voo para inglês ver!... Também aqui, ele mentiu às suas gentes.

3 - Mira, Miró.
Miró, o grande Miró, tem o seu nome banalizado nas bocas do mundo. Não pela obra, mas pelas tramoias dos governantes portugueses.
Miró, Joan Miró Ferrà, foi um escultor e pintor surrealista catalão. E não é que a dada altura o raio do homem lembrou-se de pintar uns quadros e, não entendo bem porquê, os quadros dele valem milhões?! Foram avaliados pela Christie’s e, assim, já entendo também o porquê.
Passados muitos anos e com a nacionalização do BPN os quadros foram parar as mãos do Estado.
O pior, é que os quadros já não estão cá! Estão em Londres, para serem vendidos à socapa travada “in extremis” pelos tribunais!...
Depois da descoberta da tramoia, o governo diz que foi o anterior quem promoveu a venda. Vem o anterior e diz “isso nem sequer estava inventariado… como é possível vender uma coisa que nem sequer existe?”
Quem acompanha esta história já se apercebeu de quão mal começa a cheirar a coisa.
Nas próximas eleições, o povo vai levantar de novo o esplendor de Portugal e nunca mais vai aturar esses brincalhões!


Adérito Barbosa in "olhosemlente"

D. Carlota Lubrano

Já não me lembro
Que idade eu tinha
De sorriso no rosto.
Tia, nha benção,
Nixo, nha bênção,
D. Tina, nha bênção,
D. Carlota, nha benção
E Corria!...
E corria pelas ruas de Santa Catarina
Entendia a Vila à minha maneira.
Lembro-me dos conselhos;
Vais estudar para Lisboa, vais voltar um homem!
Por vezes quero voltar atrás empurra-me a saudade.
Deixem-me viver um só dia
Um só dia daquela idade
As noites de S. João Saltei fogueiras,
Histórias contadas Vezes sem conta.
Vais ser um homem
Vais fazer amigos
Vais aprender a falar português.
Guardei isso Dona Carlota!…
Um dia regressei…
Bati ansioso à porta D. Carlota foi viver para a América.
Quero trocar anos desta vida
Por um dia com a “Dona. Carlota Lubrano”. Em Santa Catarina

(D. Carlota, foi quem me deu banho e me vestiu, antes de embarcar para Lisboa em 1969)
- D. Carlota fiz-me homem, estudei como pediu, não voltei é verdade, mas também a Sra. se foi embora. Não faz mal, assim que eu encontrar uma foto sua ilustro este text
o.


Adérito Barbosa in "olhosemlente"

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aniversário

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
Aniversário
 (Leia e oiça no final a mgistral interpretação de jô Soares)

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...



http://www.youtube.com/watch?v=OnOFveF1Eb8&list=PL-LLSwwX_ovVWmV2DXY-NyC3uSdYZvxp-


Adérito Barbosa in "olhosemlente"

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