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terça-feira, 16 de julho de 2024

Não nos podem enganar


Faço análise contrária aos argumentos apresentados por Pedro Pires na entrevista ao jornal digital português.


1. Negação da Existência de um Partido Único

Argumento de Pedro Pires - Um partido que viabiliza um país [que era considerado] impossível”, devido aos níveis de pobreza, “não é um partido único”. 

- É preciso alguém explicar a Pedro Pires, que a definição de um partido único não depende do sucesso ou fracasso econômico do país, mas sim da existência ou não de pluralismo político. O PAICV (Partido Africano para a Independência de Cabo Verde) foi, de fato, o único partido legal até a adoção do multipartidarismo em 1991. Durante este período, o PAICV detinha o monopólio do poder político, o que caracteriza um regime de partido único, independentemente dos resultados que alcançou no combate à pobreza.

2. Alegação de Pluralismo Político e Democrático

Argumento de Pedro Pires - Democracia é participar nas decisões, não é a mesma coisa que ter muitos partidos".

- Sou capaz de explicar a Pedro Pires, dizendo-lhe  que a democracia envolve mais do que apenas a participação nas decisões; ela também requer a existência de um sistema que permita a livre concorrência de diferentes ideologias e partidos. O pluralismo político é um componente fundamental de qualquer democracia. Em um regime de partido único, como o existente em Cabo Verde até 1991, não havia espaço para a concorrência política, pois outros partidos não eram permitidos. Portanto, a afirmação de que havia democracia plena durante o período de monopólio do PAICV é imprecisa.

3. Afirmação de Liberdades Civis e Políticas Plenas

Argumento de Pedro Pires - Para escolha de deputados faziam-se reuniões e mais reuniões, para escolher os candidatos, que depois eram selecionados. Não havia uma captura de poder” como acontece numa ditadura ou até em democracias da atualidade."

- Refuto essa afirmação Mesmo que houvesse consultas e reuniões para a escolha de candidatos, a falta de alternativas partidárias e de uma oposição organizada impede a verdadeira liberdade política. Num sistema de partido único, os candidatos são geralmente membros do próprio partido dominante ou aprovados por ele, o que limita drasticamente as opções dos eleitores e a possibilidade de verdadeira alternância no poder. Além disso, a presença de liberdades civis é muitas vezes restrita em regimes de partido único, onde a crítica ao governo e a expressão de ideologias alternativas são frequentemente suprimidas.

4. Processo de Transição ao Multipartidarismo

Argumento de Pedro Pires - A democracia é uma 'construção social', cujo amadurecimento, em Cabo Verde, levou depois à abertura ao multipartidarismo, consagrado na Constituição em 1992."

- Sr. Pedro Pires, então como é isso? É importante reconhecer que a transição para o multipartidarismo em 1991 foi uma evolução significativa para a democracia em Cabo Verde. No entanto, isso não nega o fato de que, antes dessa transição, o país operava sob um regime de partido único. O reconhecimento da abertura ao multipartidarismo só reforça que, anteriormente, existia um sistema monopolizado por um único partido.

Embora Pedro Pires destaque aspectos positivos do regime do PAICV, e os esforços para combater a pobreza e desenvolver o país, é crucial reconhecer que, até 1991, Cabo Verde funcionava sob um regime de partido único. A existência de um único partido dominante, sem concorrência política, caracteriza uma ditadura de partido único, independentemente das intenções ou resultados alcançados por esse partido. Contudo não deixo de reafirmar que Cabo Verde estaria muito melhor como região autónoma.


Adérito Barbosa

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Ontem foi aquele, amanhã podes ser tu a vítima!


Estou farto de viver numa sociedade onde jovens sem qualquer experiência de vida se atrevem a tomar as rédeas das nossas instituições. Como é possível que acreditem que a sua energia e idealismo podem compensar a falta de sabedoria que só a experiência traz? A realidade política atual é um circo, onde esses jovens sobem ao poder apenas para tropeçar lá à frente e falhar miseravelmente diante dos desafios complexos que requerem maturidade e sensatez.

Estou farto de ser obrigado a aceitar a homossexualidade, a transexualidade, a ecosexualidade e os lesbicismos dos outros, sem sequer poder expressar que isso vai contra a minha natureza. A narrativa dominante de aceitação e inclusão é uma verdadeira tirania, uma imposição que sufoca qualquer dissidência. A liberdade de expressão está a morrer, esmagada pela pressão para se conformar a essas novas normas sociais. Precisamos urgentemente de um equilíbrio onde a tolerância não se transforme em coerção brutal sobre o tolerante.

Estou farto de ter que aceitar a condição dos outros sem poder questionar ou discordar. A verdadeira tolerância deveria significar a coexistência de diferentes pontos de vista, mas a sociedade atual transforma qualquer divergência numa guerra cultural. O diálogo construtivo foi substituído por imposições unilaterais, onde só a opinião de uns é permitida. É intolerável.

Estou farto de ver a cobertura tendenciosa da guerra de Israel na televisão. Comentaristas que alegam saber tudo, mas que só mostram imagens filtradas por YouTubers do Hamas. Só vemos cadáveres e bonecos embrulhados, enquanto os guerrilheiros do Hamas nunca aparecem. É uma farsa desinformativa que manipula a opinião pública.

Estou farto da promiscuidade entre os jornalistas e alguns membros do Ministério Público. Estou farto de ouvir notícias feitas por jornalistas e depois vê-los horas e horas a comentar a notícia que fizeram tentando convencer os portugueses que somos estúpidos. Eu sei que o jornalismo é negócio mas assim como a coisa está, está mal!

Eu não quero viver num país onde o Ministério Público intimida os políticos e invade a vida privada dos cidadãos. Não quero ler a agenda política ditada por procuradores que se acham deuses, nem quero ouvir o chefe do sindicato do Ministério Público a fazer política. A judicialização da política é um abuso revoltante que ameaça a democracia, destruindo a autonomia governativa e criando um clima de medo entre os políticos. Era assim que a PIDE atuava. 

Estou farto de ouvir que o juiz tal é herói e que o procurador fulano é herói, enquanto nós, o povo, somos todos tratados como bandidos. Por isso cuidado ontem foi aquele, amanhã podes ser tu o escutado. A sociedade moderna está em decadência, silenciando vozes dissidentes e impondo conformidades que destroem convicções pessoais profundamente enraizadas. A crítica a estas tendências não é um apelo ao retrocesso, mas uma luta pela sobrevivência da diversidade de opiniões e da liberdade de expressão. Sem isso, qualquer esperança de uma convivência harmoniosa e inclusiva está condenada ao fracasso. É hora de resistir a esta opressão e lutar por um futuro onde todos possam ser ouvidos e respeitados.

Um dia feliz quando souber que em Portugal todos prestam contas, incluindo o Ministério Público, afinal eles não são os donos do país e nem ninguém os elegeu!


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Nós homens velhos

“Nós, homens velhos

Tenham cuidado connosco.

Porque andamos por aí com o nosso coração endurecido.

Tenham cuidado connosco, já somos muitos e fáceis de identificar.

Já nos apaixonámos e já nos desapaixonámos. 

Já nos perdemos e já nos encontrámos

Já chorámos e já esquecemos.

Já percorremos caminhos esquecidos, de aventura e de êxtase 

Já sentimos o cheiro de flores e de perfumes manhosos…

Tenham cuidado connosco!

Já amámos corpos jovens, já escalámos com beijos montanhas erguidas em desertos e corpos morenos, ardentes de prazer.

Nossas mãos são peritas em acariciar, sabiam?

A nossa boca sabe a vinho velho e os nossos olhos são um paraíso que se os olharem 

não o poderão abandonar.

Muito cuidado connosco portanto.

Nós já passámos dos 60, o nosso cabelo exibe brancos prateados com histórias nunca contadas.

Já não mentimos, já não brincamos e já não queremos aventuras.

Muito cuidado connosco…

Nós queremos apenas beijar enquanto elas dormem, segurar-lhes nas mãos, dar-lhes abraços eternos de segurança.

Nós sabemos cuidar, sabemos conquistar os dias e sabemos amar todas as noites, 

chamá-las de tarde com um poema de quatro palavras, enchemos os domingos delas de alegria e saciedade. 

Aos sábados olhamos para a Lua, lemos livros, cheios de paz.

As nossas palavras são sábias…

Nossos beijos ímanes dos quais elas não conseguem escapar.

Cuidado connosco, porque já não acreditamos em contos de fadas, nem nos apaixonamos pelos olhos ou pelas ancas, ou pelos seios firmes ou em longos cabelos e muito menos por uma cintura fina.

Tenham muito cuidado connosco!

Nós sabemos ouvir sem precisar que falem

Nós fixamos o olhar por detrás dos olhos, 

na beleza da alma, na maturidade do espírito e na sabedoria mental.

Muito cuidado connosco!”


Autor desconhecido

Autor desconhecido


sábado, 25 de maio de 2024

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Reunião do Conselho Superior aconteceu hoje no Fundão.

Demos uma volta pela cidade a pé com uma bonita guia turística. Ouvimos, lemos e vimos algumas curiosidades como a última que foi a visita ao Museu da Moagem do Fundão, situado junto à estação da CP.

Discussão e a provação do relatório de atividades e contas do Conselho, teve lugar no grande Salão da Quinta Vale Jardim, sob a presidência do Américo Gonçalves e a sua magnífica Esposa, que tudo fizeram para não nos faltasse nada e não faltou de todo.

O novo Presidente tomou posse e parece ter assumido o cargo com muita vontade de trabalhar - tudo o que lhe desejo é que tenha pulso forte para que nenhuma ovelha tresmalhe e consiga levar todos juntos nos próximos 12 meses sensivelmente.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Quando nos pagarem, nós pagaremos.


Quando nos pagarem, nós pagaremos.

Antes de Portugal pagar às colónias é preciso pedir primeiro algum à Espanha, que nos colonizou e roubou, à França que nos colonizou e roubou, aos Árabe que nos colonizou matou e esfolou, à Itália que nos colonizou, matou e esfolou, e exigir a Marrocos o regresso rápido do nosso Rei D. Sebastião que ficou por lá e a gente nunca mais soubemos dele.

Quando eles nos pagarem pelo mal que nos fizeram, nós faremos encontro de contas com as ex colónias. Acertamos as contas das barragens, das estradas, cidades, ferrovias e das perdões de dívida que portugal sempre perdoou e que eles chamam de “parcerias estratégicas”.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Afinal Israel foi mesmo lá!


Enquanto a CCN Portugal, passa o tempo a reproduzir as imagens dos youtubers do Hamas lá na faixa de Gaza, e a fazer de caixa de ressonância as ameaças de Irão e de intoxicar a opinião pública com as tretas das narrativas dos paineleiros comentadeiros, de que um eventual ataque de Israel a Irão, alastraria a guerra pela região do Médio Oriente e que o Irão tinha defesas áreas xpto2, o The Jerusalem Post, e New York Times vieram ontem, deitar por terra a narrativa desses comendadeiros e  acabam de noticiar e confirmar com imagens de satélite que as baterias dos S300 russos que defendiam o parque nuclear de Irão foram destruídas com mísseis de longo alcance israelitas.

Apesar das evidências dos destroços, Israel não confirma nem desmente.

Apesar de ter sido reduzido a cinzas o radar do seu S300, Irão ficou quedo e mudo.

Apesar dessas evidências, o Sr Agostinho Costa também nada diz ao Sr. dr. jornaleiro.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 2 de abril de 2024

A comédia política está em alta novamente!

 A comédia política está em alta novamente! 

Vamos lá:" o espetáculo de comédia política", na próxima sessão do circo político, a quinta da defesa vai ser gerida por um génio capataz - mais uma vez um tipo do CDS.

O novo Ministro da Defesa deixou-me perplexo ao sugerir que os quartéis seriam um bom local para recuperar delinquentes. Uma afirmação patética que impõe questionar se ele sabia que o principal requisito para ingressar nas forças armadas é ter um registo criminal limpo. 

E como se isso não bastasse, ouvi rumores de que estão a preparar a promoção de mais dez generais. Com tantos generais e nenhum soldado nos quartéis, é difícil não imaginar onde vai parar todo o dinheiro destinado às forças armadas - nos bolsos dos generais, claro! 

No debate sobre o Serviço Militar Obrigatório (SMO), aquilo foi treta do catano. Parece que os políticos são como os papagaios de um circo, repetindo frases feitas sem realmente entender do que estão a falar.

Talvez seja altura de deixar a política para os verdadeiros artistas do riso e trazer um pouco de seriedade aos assuntos importantes do país.

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...