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sábado, 7 de setembro de 2024

Viagem

 


Estou sempre com os mesmos dias  

já atolei a respiração nas insónias  

já fui náufrago na eternidade do instante,  

já fiquei noites adentro nas profundezas do sonho,  

já vi estrelas sussurrarem segredos,  

na cama onde nasceu a inquietude,  

e já descansei no jardim de medos e esperanças.


Já estiquei a mente como um elástico  

já me contorci até o infinito,  

já fui prisioneiro voluntário  na cela do abismo, 

onde as sombras dançam  

com a luz que não existe

mas teima em me encandear.


Já dormi destapado, de olhos abertos  

como um farol num mar sem fim,  

já vivi desesperado e confundido  

como um caleidoscópio de sentimentos,  

já rasguei as memórias atrozmente belas,  

e já dei golpes profundos nas lembranças  

e fantasias.


O que me corrói por dentro,

flui como um rio subterrâneo  

nas cavernas do meu ser…

é uma gota, é uma lágrima de tempo,  

é a angústia em êxtase.  

Sou como um búzio que guarda  

o som do universo, e nas noites  

envia a melodia do silêncio.


Estou sempre com os mesmos dias,  

vago entre o real e o que me espera,  

sou um peregrino na terra dos sonhos,  

onde cada passo é um suspiro,  

cada batida do coração é um relâmpago  

na minha tranquila tempestade.


E assim sigo, pela madrugada que vivo,  

onde a luz se apagou  

e a escuridão se fixou.  

De espada cravada na alma,  

sigo com a terra o perpétuo movimento  

e, quando acordo, já é dia outra vez…

E assim há-de ser enquanto o poeta viver.


Adérito Barbosa, in olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Mais uma patifaria do José

 

No

O veto do José ao aumento salarial dos professores não surpreende; reflete o desprezo profundo que ele nutre pela classe que forma a espinha dorsal de qualquer sociedade. A verdade nua e crua é que o José prefere um país mergulhado na ignorância, um país onde a iliteracia é a norma. Isso facilita a sua vida, pois, na sua tacanha visão, é mais fácil manipular massas de indivíduos sem educação, alheios ao seu papel cívico e incapazes de questionar o óbvio. Basta ouvir os deputados do PAICV no parlamento -  aquilo até dói a alma.

É irónico e ao mesmo tempo trágico que um presidente incapaz de dominar a língua oficial do seu próprio país ouse menosprezar aqueles que dedicam a vida à arte de ensinar. Ouça-se os discursos do José, cheios de clichês e frases estéreis, que nada comunicam senão a profundidade de sua própria ignorância. E é precisamente essa ignorância que a máquina do PAICV perpetua quando insiste em manter a população subjugada por uma educação de segunda classe, com a promoção do crioulo perto das escolas — um dialeto que, embora parte importante da cultura de Cabo Verde não serve como ferramenta para elevar o nível intelectual dos jovens. Enquanto isso, os filhos da elite, estudaram ou estudam em Portugal, absorvendo um ensino que verdadeiramente abre portas, deixando o povo preso na ilusão de uma educação inclusiva e progressista que nada mais faz senão limitá-los. É assim que o ditador José controlou as massas durante os 15 anos como primeiro ministro.


Os professores, na sua essência, são os artífices de uma sociedade consciente, informada e capaz de transcender os limites impostos por líderes medíocres. Eles não são apenas transmissores do conhecimento, mas construtores de mentes críticas, que podem — e devem — questionar a situação. A educação é o maior motor de transformação social, e sem professores devidamente valorizados e remunerados, qualquer sonho de desenvolvimento se torna uma miragem. Manter o dialeto crioulo perto do estabelecimento de ensino é uma farsa; um paliativo que reforça a segregação social. Dialetos locais, embora parte da identidade cultural, não oferecem a base linguística, técnica ou científica necessária para inserir as gerações futuras no mundo do conhecimento global. O crioulo, se promovido como a língua no ensino, não elevará a qualidade da educação; pelo contrário, servirá como um veículo para a estagnação intelectual, favorecendo o aumento da criminalidade, da alienação e do desespero juvenil.


O resultado disso será o agravamento de um ciclo vicioso: jovens sem perspectivas, iludidos por uma educação inferior, que se tornam presas fáceis do submundo do crime, perpetuando a ignorância e a violência. Enquanto isso, José e sua camarilha continuarão nos seus gabinetes, negociando em surdina quadros entre eles, inventando primeiras Damas, pagando “dinheiro” pornografico, ameaçando quem os denúncia regozijando-se com o estado de uma nação que vive sobre o fio da navalha económica orgulhosos de terem mantido o status quo de uma massa acrítica, controlável e eternamente grata por migalhas tecnológicas, como iPhones e o sonho distante de um Tesla e quem sabe uma viagem à lua. O veto do José ao aumento salarial dos professores é apenas mais uma prova do seu projeto nefasto: um país onde a educação é deliberadamente sufocada para futuramente manter o poder nas mãos da elite do PAICV conivente e desprovida de escrúpulos, com aplausos da Cristina Fontes e Janira Almada.

Aos professores resta-lhes julgar o Neves nas urnas  se até lá entretanto não for destituído.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspo.com




terça-feira, 3 de setembro de 2024

As rotas da TAP pelo submundo da Máfia

Segundo o Expresso;

“A Inspeção-Geral de Finanças concluiu o relatório às contas da TAP com suspeitas de crime na privatização da companhia aérea, em 2015, e na gestão de David Neelman e Humberto Pedrosa.

O relatório da Inspeção-Geral de Finanças conclui que o negócio de compra da TAP por David Neelman foi financiado com um empréstimo de 226 milhões de dólares feito pela Airbus, em troca da compra pela companhia aérea de 53 aviões à construtora aeronáutica europeia.

E a garantia foi dada pela TAP, que ficou ela própria obrigada a pagar os 226 milhões de dólares americanos emprestados a Neelman, se não comprasse os aviões.

Ou seja, fica assim provado que a TAP foi comprada com o próprio dinheiro da TAP mas de forma legal, usando um esquema que permitiu contornar o Código das Sociedades Comerciais que impede a cedência de empréstimos ou fundos a um terceiro para que este adquira ações próprias.

A auditoria também dá como provado que a estratégia era do conhecimento da Parpública e do Governo da altura de que Passos Coelho era primeiro-ministro e Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças.

A Inspeção-Geral de Finanças conclui que este ponto das conclusões deve ser comunicado ao Ministério Público para investigação.

Também pede para ser comunicada à Justiça uma outra conclusão: a TAP, já privatizada, fez um contrato de prestação de serviços com uma empresa de David Neelman.

Para pagar quatro milhões e 300 mil euros em prémios e remunerações ao próprio Neelman, a Humberto Pedrosa e a David Pedrosa, e que assim não ficaram registados como tal e não pagaram os impostos a que estavam obrigados.

Os auditores dizem que não puderam ter acesso aos documentos do negócio de 2020 no Governo de António Costa, em que o Estado ficou com a posição de David Neelman por 55 milhões milhões.

A auditoria às contas da TAP e da TAP SGPS entre 2005 e 2023 considera ainda que não está demonstrada a racionalidade económica do negócio de entrada no capital da VEM Brasil, a empresa de manutenção da Varig, e de que resultou a contrapartida da passagem para a TAP das rotas portuguesas da companhia aérea brasileira que foi à falência.

O relatório antecipa a perda total de 906 milhões de euros aplicados pela TAP SGPS na empresa de manutenção VEM.

O relatório da Inspeção-Geral de Finanças a que a SIC teve acesso foi solicitado pelo anterior ministro-ministro Fernando Medina, por recomendação da Comissão Parlamentar de Inquérito à tutela política da gestão da TAP.

Para já, a TAP é detida a 100 por cento pelo Estado português, mas o Governo de Luís Montenegro já disse que quer acelerar a privatização.”

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

65 anos



 Obrigado ao pessoal de Golegã, Estoril, Alcochete, Lisboa, Estoril, Algarve, Ericeira, Peniche e Caldas da Rainha que se deram ao trabalho de virem jantar comigo no Viracopos. 

Houve música ao vivo e pelo meio momentos de fado e poesia.


Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Amiga de uma vida

 


Dra, Leonídia Cunha, uma amiga de toda a vida.

Nossa vida não seria a mesma se não fôssemos amigos. Eu não trocaria a amizade da Léo por nada neste mundo, e nem consigo imaginar viver sem ela.

Como sempre, lá estava ela ao meu lado na festa de aniversário que minha esposa organizou.

Obrigado, Léo, por ser minha amiga. Se algum dia nos afastássemos, seria uma verdadeira tragédia para mim. 

Grande beijinho

Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Presidente não é Deus




A conversa vazia de Janira sobre "concentração concertada" só confirma o que já sabíamos: ela pertence à mesma corja que Neves. A senhora, está deslumbrada pela própria arrogância, crê-se uma espécie de Têmis africana, uma deusa do parlapié. Mas, enquanto a verdadeira Têmis defendia a justiça com base na verdade, equidade e humanidade, Janira deturpa tudo isso. Para ela, a justiça é amoral, um jogo sujo, onde a perseguição a Neves é justificada por sua própria distorção da realidade. Denunciar a promiscuidade presidencial, para ela, é obra de quem não passa de uma cambada de malandros.


Enquanto Têmis colocava a justiça acima das paixões humanas, Janira rebaixa-se às poucas vergonhas do Neves, tratando amantes enfiadas no palácio como se fossem esposas legítimas, viajando ao lado dela como se nada fosse. Segundo Janira, a culpa não é dele, apesar do Neves ter afirmado em entrevista que ele mesmo autorizou os pagamentos. Janira acredita que a justiça é personificada nela, mas ao contrário de Têmis, que é cega e imparcial, Janira tem um olho bem aberto e o dedo no prato da balança, trapaceando descaradamente fazendo batota.


Agora, na sua fantasia delirante, Janira autoproclama-se deusa da justiça de Cabo Verde, a única que compreende as leis e a ordem, a protetora do pobre oprimido Neves. No papel de deusa das leis, Janira tornou-se na segunda esposa divina de Zeus Neves, sentando-se ao lado de Débora para confortá-la, enquanto protege a promiscuidade desenfreada de seu amado líder.


Será que foi dela a brilhante ideia de dizer a Neves que uma amante vale tanto quanto uma esposa? Janira está tão convencida de sua suposta sabedoria, que acredita ser comparável à da Minerva. Para ela, a sua opinião é a única que importa, mais do que a própria Justiça. Janira não vê crimes nas trapalhadas de Neves, e a balança dela indica que há uma diferença enorme entre o eventual julgamento de Neves e o de qualquer cidadão.


As recompensas e punições, para Janira, seguem a lógica corrupta do PAICV: os ricos comunistas do partido gastam à vontade, enquanto o povo continua na miséria, feliz por ver Neves esbanjar o dinheiro do estado nas suas aventuras promíscuas. Janira não simboliza outra coisa senão a imoralidade, carregando a tábua da lei para a sede do PAICV como se a justiça fosse um brinquedo nas mãos dos comunistas.


Janira recusa a ver que Neves cometeu abuso de poder, que ele é um déspota, um Robin Hood às avessas, que rouba os pobres para dar à namorada. Janira fecha os olhos para o facto do Neves ter avacalhado a figura da esposa e a dignidade de uma Primeira-Dama, e na sua cegueira seletiva, ela apoia as trapaças do Neves tornando-se cúmplice desse espetáculo grotesco.



Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

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