segunda-feira, 16 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
A cisma do Sr. Joaquim
A
cisma do Sr. Joaquim
Hoje acompanhei a minha
sobrinha ao Médico. Apesar de maior e vacinada lá fui eu, orgulhoso,
acompanhá-la a um médico meu conhecido e amigo.
Apesar de reconhecer
competência superior ao médico não gostei da rececionista. Era uma daquelas
pessoas que nada tem de sobra no que diz respeito à inteligência. Na sala de
espera estavam quatro senhoras e o Sr. Joaquim, marido de uma delas e
proprietário de umas dores nas costas que eu nem dadas as queria.
O Sr. Joaquim mal se conseguia pôr direito, tamanha era a dor e evidente pelos seus suspiros. Mesmo assim, meti conversa com ele. Foi dizendo que em Portugal muitos velhos com a idade dele morrem todos os dias nos hospitais por falta de assistência médica. Perguntou-me o que eu achava daquilo e afirmou que era uma tristeza uma pessoa chegar àquela idade e ir morrer nas urgências. Ansioso, ficou à espera que eu dissesse que era verdade o que ele dizia.
O Sr. Joaquim mal se conseguia pôr direito, tamanha era a dor e evidente pelos seus suspiros. Mesmo assim, meti conversa com ele. Foi dizendo que em Portugal muitos velhos com a idade dele morrem todos os dias nos hospitais por falta de assistência médica. Perguntou-me o que eu achava daquilo e afirmou que era uma tristeza uma pessoa chegar àquela idade e ir morrer nas urgências. Ansioso, ficou à espera que eu dissesse que era verdade o que ele dizia.
- Olhe que não Sr.
Joaquim, Portugal tem dos melhores serviços de saúde, toda a gente tem
acesso a assistência médica - dei- lhe o exemplo dos americanos que pretendem copiar
o nosso sistema. O Sr. Joaquim não ficou convencido e manteve-se na dele.
- Morrem muitos velhos
como eu nas urgências – ia dizendo o Sr. Joaquim, enquanto a tosse da rececionista me irritava os ouvidos.- Então para que idade é este jovem? – espicacei o Sr. Joaquim.
- Muitos! - respondeu ele todo inchado, armado em conhecedor do mundo. - Eu... tenho 84 anos e já não é brincadeira nenhuma. E você?
- Eu!? Que idade me dá?
- 37 anitos - disse ele todo pimpão.
- Brincalhão! Grande brincalhão que você me saiu.
Do outro lado da sala, a mulher do Joaquim que conversava com a vizinha do lado mas com um ouvido no burro e o outro no cigano, atenta à nossa conversa, aprontou:
- Você tem 35.
As outras para não ficarem caladas gritaram “40,
43, 45”. O leilão estava a aquecer. - Este rapaz já conta com 54 anos. –
Retorqui, inchado como um sapo. Foi um
"broá" na sala. As velhas perguntaram-me qual era o segredo para
estar assim tão bem parecido. Entretanto, apeteceu-me dizer que o segredo
estava no sexo. Mas fiquei calado. Para ser franco nem eu sei. Só sei que
ninguém me dá a idade que tenho. Com esta conversa fui constatando que as dores
do Sr. Joaquim evaporaram como gasolina. Eis que o chamaram para a consulta. Assim
que se ouviu: “Sr Joaquim, pode entrar!” .as dores voltaram e lá foi ele e sua
gemedeira pelo corredor fora, qual ambulância, avisando o médico que ia chegar um
caso bicudo.
- Então Sr. Joaquim que
lhe disse o médico?
- Mandou-me fazer “um TAC”.
-.Então e as dores já
passaram? - com a mão, fez assim-assim. Bem, pensei eu, fez-se
milagre no gabinete do médico!
Entretanto, a rececionista
continuava com a tosse irritante, e tornara ainda mais irritante, quando tentava explicar como esta lhe tinha surgido.
Enquanto isso, vagueava no Google e em simultâneo recebia o dinheiro que a gestora financeira
do Joaquim lhe entregava, em notas de 20 euros, uma de cada vez, devidamente
alinhadas na mesa, somando um total de oitenta
euros. Após o pagamento, a rececionista pegou no dinheiro e colocou-o na
gaveta. A esposa do Sr. Joaquim pediu-lhe para chamar um táxi. Ela chamou o táxi
e pela conversa fiquei convencido que era alguém conhecido. Chegado o táxi, eis
que a rececionista voltou a pedir o dinheiro da consulta.
- Eu já paguei, eu já paguei! – repetia a velhota em pânico.
- não pagou, não! Eu não tenho aqui o dinheiro.
A velhota começou a tremer e entrou em pânico e as dores voltaram às costas do Joaquim.
Pensei eu: “Bem,
isto está aqui uma açorda... “
- A senhora já pagou! –
intervim em voz alta, salvando os velhotes.
- já? - retorquiu a rececionista
apinocada. - Quando?
- Sim, pagou com quatro
notas de 20 euros! - esclareci eu.- Eu não recebi! - afirmou ela.
- Então conte o dinheiro! - ouviu-se em coro na sala. - A senhora pagou sim!
- Se todos aqui na sala dizem que ela pagou é porque pagou - disse ela, perante a evidência.
O assunto ficou
encerrado. Coitado do Joaquim. Foi ao médico por causa das dores nas costas e
levou a mulher de perfeita saúde. Por pouco que não saía do consultório com as
dores de costas que já tinha, com dores de cabeça, a mulher com problemas
no coração e com menos oitenta euros na carteira, tudo provocado pela rececionista.
A sorte do casal Joaquim foi o facto de na sala todos estarmos atentos.
Se estivessem lá sozinhos, não sei não... Imagino bem como seria...Por este episódio, compreende-se a minha aversão à rececionista. O Joaquim, refeito do susto dos oitenta euros e já a caminho do táxi, arrastando a perna, agradeceu-me e disse mais uma vez:
- Acredite que morrem
muitos velhos como eu nas urgências, por mau atendimento. É uma tristeza....Se estivessem lá sozinhos, não sei não... Imagino bem como seria...Por este episódio, compreende-se a minha aversão à rececionista. O Joaquim, refeito do susto dos oitenta euros e já a caminho do táxi, arrastando a perna, agradeceu-me e disse mais uma vez:
Ninguém consegue tirar
esta cisma ao Sr. Joaquim.
Adérito Barbosa
11 de Setembro 2013quarta-feira, 11 de setembro de 2013
um país de generais sentados
"um país de generais sentados"
Há generais que nunca mais acabam que são oriundos do colégio. Porque não mostram o que valem?
Portugal tem 190 Generais e os Estados Unidos têm 31.
Os nossos como não têm soldados para comandar, ocupam o tempo a vigiarem-se uns aos outros, e a beijarem o rabo aos políticos. Eles atrás das estrelas, os políticos atrás de tachos.
Portugal tem 190 Generais e os Estados Unidos têm 31.
Os nossos como não têm soldados para comandar, ocupam o tempo a vigiarem-se uns aos outros, e a beijarem o rabo aos políticos. Eles atrás das estrelas, os políticos atrás de tachos.
" Espera o tempo suficiente um dia chegarás a coronel ou a general" é o lema.
Adérito Barbosa
Um país de generais sentados
Micael Pereira (www.expresso.pt)
A visão da diplomacia americana sobre a gestão e o exercício do poder dentro das Forças Armadas portuguesas é tudo menos diplomática, pelo que se pode ler num relatório assinado pelo embaixador Thomas Stephenson e que consta de um extenso telegrama já citado nas páginas anteriores - enviado a 5 de março de 2009 para Washington com o título "O que há de errado com o Ministério da Defesa português?"
O documento inclui um diagnóstico desassombrado sobre uma estrutura "rígida" e incapaz de tomar decisões. "A imagem de generais sentados sem fazerem nada não é uma mera alegoria".
"Os militares têm uma cultura de statu quo em que as posições-chave são preenchidas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias, em vez de serem preenchidas com pensadores criativos, promovidos pelo seu desempenho", escreve o embaixador americano.
"Espera o tempo suficiente, dizem-nos os oficiais, e chegarás a coronel ou a general. Esta cultura fomenta um pensamento adverso a correr riscos e um corpo de oficiais superiores para quem adiar uma decisão é quase sempre a melhor decisão". Stephenson explica o que quer dizer com um caso: "Pedimos ao comandante da academia militar portuguesa se a banda da academia podia atuar numa receção da embaixada americana. O general de duas estrelas respondeu que isso teria de ser aprovado pelo chefe do Estado-Maior do Exército".
O problema não está, para o embaixador americano, na falta de recursos humanos. "Como a maioria dos aliados da NATO, Portugal encontra-se abaixo do padrão oficial que determina dois por cento do PIB para o orçamento de defesa. Portugal está nos 1,3 por cento e gasta esse dinheiro de forma imprudente. Portugal tem mais generais e almirantes por soldado do que quase todas as outras forças armadas modernas: 1 para cada 260 soldados. Em comparação, os Estados Unidos têm um rácio de 1 para cada 871 soldados". Mais: existem ainda "170 generais adicionais que recebem o ordenado por inteiro enquanto se mantêm inativos na reserva".
Qualquer um pode ser um obstáculo
"Um corolário da regra de que ninguém toma decisões de comando", continua o embaixador, "é que qualquer pessoa pode bloqueá-las. Ultrapassar estes obstáculos exigiria que um oficial viesse a público desafiar a oposição interna, num ato raramente valorizado".
O cenário de bloqueio interno é agravado pela segregação que existe entre os três ramos das forças armadas e o Estado-Maior-General. O telegrama refere-se aos ramos (exército, marinha e força aérea) como "feudos". "O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas não tem orçamento nem autoridade sobre os chefes dos ramos, que regularmente ignoram as ordens dele".
"A necessidade de consenso na estrutura militar", diz Stephenson, "inviabiliza muitas vezes os planos do Governo". E dá um exemplo: "Nas reuniões da comissão bilateral luso-americana, elementos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Defesa têm implorado para que cooperemos em programas de formação militar na África lusófona. Nós concordámos, mas só um em 16 projetos de cooperação trilateral propostos por nós - a pedido do Governo português - teve a participação de Portugal (um único sargento associado à formação do exército americano sobre desminagem na Guiné-Bissau)".
Segundo o telegrama, há franjas no Ministério da Defesa que têm um sentimento de posse em relação à África lusófona e não querem o envolvimento de outros países em programas militares com as ex-colónias.
Devemos fazer o trabalho interno dos portugueses
A par da radiografia negativa sobre as Forças Armadas, o telegrama estabelece linhas orientadoras de como a diplomacia norte-americana deve abordar o Ministério da Defesa - e também o Governo português em geral. O princípio básico, para o embaixador, passa por incentivar Lisboa sempre que possível. "Nunca deveríamos perder uma oportunidade para encorajar o Governo português, porque o Governo português nunca perderá uma oportunidade de procrastinar (adiar)".
Para isso, Stephenson acredita numa tática de infiltração nas estruturas internas do poder: "Devemos envolvermo-nos cedo e frequentemente e estarmos prontos para fazermos as consultas internas por eles dentro do Ministério da Defesa".
Adérito Barbosa in "olhosemlente"
Adérito Barbosa in "olhosemlente"
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Manual da treta converseta
A maneira de empregá-lo é muito simples: inicia-se sempre o discurso
pela 1ª casa da 1ª coluna, passando-se a seguir para qualquer outra casa da 2ª
coluna, depois para qualquer casa da 3ª, depois para a 4ª coluna, voltando para
qualquer outra casa da 1ª coluna (com exceção da 1ª casa) e assim por diante,
de coluna em coluna, sem importar a casa escolhida em cada coluna, mantendo-se
apenas a ordem I, II, III, IV. São possíveis 10.000 combinações para um
discurso pomposo e totalmente inócuo de até 40 horas.
I
|
II
|
III
|
IV
|
|
1
|
Companheiros,
|
a execução das metas do programa
|
nos obriga à análise
|
das condições financeiras e
administrativas exigidas
|
2
|
Por outro lado,
|
a complexidade dos estudos efetuados
|
cumpre um papel essencial na formulação
|
das diretrizes de desenvolvimento para o
futuro
|
3
|
Assim mesmo,
|
a constante expansão de nossa atividade
|
exige a precisão e a definição
|
do sistema de participação geral
|
4
|
No entanto, não podemos nos esquecer que,
|
a estrutura da organização
|
auxilia a preparação e a composição
|
das posturas dos órgãos dirigentes com
relação às suas atribuições
|
5
|
Do mesmo modo,
|
o novo modelo estrutural aqui preconizado
|
garante a contribuição de um grupo importante
na determinação
|
das novas proposições
|
6
|
A prática cotidiana prova que,
|
o desenvolvimento contínuo de distintas
formas de atuação
|
assume importantes posições no
estabelecimento
|
das direções preferenciais no sentido do
programa
|
7
|
Nunca é demais lembrar o peso destes
problemas, uma vez que,
|
a constante divulgação de informações
|
facilita a criação
|
do sistema de formação de quadros que
corresponda às necessidades
|
8
|
As experiências acumuladas demonstram
que,
|
a consolidação das estruturas
|
obstaculiza a apreciação da importância
|
das condições inegavelmente apropriadas
|
9
|
Acima de tudo, é fundamental ressaltar
que
|
a consulta aos diversos militantes
|
oferece uma interessante oportunidade
para verificação
|
dos índices pretendidos
|
0
|
O incentivo no avanço tecnológico, assim
como
|
o início de atividade geral de formação
de atitudes
|
acarreta um processo de reformulação e
modernização
|
das formas de ação
|
Comboio
Sou robusto, rápido, resistente,
silencioso e seguro. Sou comprido e, quando embalo, o meu colo é um baloiço. Minha
pele é em inox e cobre as vigas de aço que trespassam o meu corpo. Possuo dois
olhos à frente e dois atrás, apesar de os dois passarem, por vezes, a quatro. O
meu ventre é fofinho, mas tempos houve em que desgastava e calejava os rabos.
Testemunho diariamente coisas
incríveis. Meu nariz calejado goza de um olfato assaz apurado. Conheço bem
todos os odores, pelo que identifico quem ostenta “Dior” ou “Patchouli.”.
Reconheço de igual forma os que se lhes opõem. Identifico os ensonados, os
distraídos, as grávidas, os velhos e os jovens, todos amontoados, de manhã e ao
fim do dia. Permito-me ver belas pernas, leitores de ocasião, unhas bonitas, unhas
sujas ou unhas roídas. Umas vezes sinto-me cheio como um ovo, e outras não. Todos
os dias passo à mesma hora nos mesmos locais e sigo sempre o mesmo caminho. Sou
confidente de muita gente. Sou capaz de me lembrar de todos os namorados, das
trocas de olhares - que nunca passaram de sonho -, assim como presenciei
algumas cenas de amor das mais fugazes alguma vez vistas.
Testemunho diariamente coisas
incríveis. Meu nariz calejado goza de um olfato assaz apurado. Conheço bem
todos os odores, pelo que identifico quem ostenta “Dior” ou “Patchouli.”.
Reconheço de igual forma os que se lhes opõem. Identifico os ensonados, os
distraídos, as grávidas, os velhos e os jovens, todos amontoados, de manhã e ao
fim do dia. Permito-me ver belas pernas, leitores de ocasião, unhas bonitas, unhas
sujas ou unhas roídas. Umas vezes sinto-me cheio como um ovo, e outras não. Todos
os dias passo à mesma hora nos mesmos locais e sigo sempre o mesmo caminho. Sou
confidente de muita gente. Sou capaz de me lembrar de todos os namorados, das
trocas de olhares - que nunca passaram de sonho -, assim como presenciei
algumas cenas de amor das mais fugazes alguma vez vistas.
Contaram-me que os meus tetravôs
eram pachorrentos, assobiavam quando partiam e deitavam fumo preto pela cabeça.
Para evitar que eu faça
disparates, colocaram-me no coração um sistema tipo “bypass”, a que deram o
nome de “homem morto”.
Sou o comboio!...
Adérito Barbosa
domingo, 8 de setembro de 2013
Fiz a minha parte
Fiz
a minha parte
Fiquei
à tua espera
e de
repente,
senti
o vazio,
o
frio.
Este
jogo é uma ilusão,
é um
rodopio constante,
e com
a mão cheia de sonhos,
plantei
na noite
a voz
que se calou…
O
silêncio!
Duro
é o momento,
parece
inevitável.
É
tarde demais.
Acabou-se!
desiludido
como aço
sinto-me
como gelo,
é o cansaço…
Nesta
caminhada,
no
meio deste ermo,
piso
vidros partidos,
reconheço
a tua partida.
baixo
os braços,
e não
sinto dor…
Vai!...
Adérito Barbosa in "olhosemlente"
8 de Setembro 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Cabo Verde
B...elas mornas
O... ndas beijam tuas ilhas
V...êm e vão com o vento
E...esperas pela chuva
R...emas no mar imenso
D...esistir? nunca!
E...u canto-te, ó Cabo Verde
Tens!
S. Vicente, S. Nicolau
Santo Antão e Santa luzia?
...tens!
Tens S. Filipe
e Boa Vista?
...tens!
Tens gente Brava
e Pico em Santiago?
...tens!
Tens Fogo que aquece
as lágrimas do vulcão?
...tens!
tens virgens praias?
...tens!
…tens!
Deixa-me
lamber
Adérito Barbosa in "olhosemlente"
5 de MAio de2013
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