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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Publicado no Onda Krioulu

Publicado no Onda Krioulu


Democracia, Intolerância e Abuso Sexual de Crianças
E SE TROCASSEM O NOVO ESTATUTO DOS POLITICOS POR UM NOVO ESTATUTO DAS CRIANÇAS?

- Por Adérito Barbosa

Olá Onda Krioulo.
Apesar de haver algumas pessoas em Cabo Verde que dizem à boca cheia que os Cabo-Verdianos que vivem fora - "os Badiu de fora" como nos chamam –devem ficar calados; apesar de ter sido alvo de ameaças por parte de alguns imbecis na sequência da última crónica que escrevi no Onda Krioulo, ficou evidente a inexistência de cultura democrática e mostraram ser avessos ao contraditório- aliás os jornalistas já denunciaram isso.
Aqui estou outra vez e desta vez para o tema; - "abuso sexual e maltrato de criança em Cabo Verde."
Corroboro com o Onda Krioulo sobre a temática da violência sexual e maltratos a crianças que se cifra nos 46%.
46% é a percentagem que os estudos realizados mostra. “Praticamente metade das crianças e adolescentes de Cabo Verde são vítimas de abuso e exploração sexual. Esse número é medonho e foi a conclusão que o 3º estudo do Ministério da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos e pelo Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde chegou.
A pergunta que se impõe: - E agora? Agora que o governo tem o resultado na mão que vai ele fazer? Pus-me a pensar e descobri uma coisa simples. Os deputados, os governantes e os políticos em geral bem que podiam dispensar algum do seu precioso tempo e saber superior sobre o estatuto da criança! Fácil não acham? – Trocavam assim o tempo que perdem na Assembleia com os seus interesses “estatuto da carreira dos políticos” por “estatuto da criança”. A atenção que este assunto despertou na população “ foi coisa nenhuma” o que torna a assunto ainda muito mais preocupante.
Vou tentar ficar calado o máximo de tempo possível, só não sei se serei capaz.

Adérito Barbosa

terça-feira, 31 de março de 2015

PALHAÇO


Palhaço espantalho
Especado no silêncio do nabeiro
Vagabundo e chorão no meio de nada.
Cheio de medo das palmas
De ninguém.
Às vezes só consegue escutar o ruído do mundo ao longe
Noutras esquece-se
De escrever na areia fina
O silêncio que arrepia  o deserto nos dias de tempestade
E a resposta "não sei"
Tem pressa em viver hoje,
amanhã devagar e morrer só depois do luto e da festa.
Sonha soprar o vento

De Leste para Oeste,
De Sul para Norte
De Nordeste para Sudoeste
De Noroeste para Sudeste,
Da Noruega para a Suécia, dali para acolá
De mim para ti
De ti para eles,
Deles para outros,
Do mar para a serra
Do chão para o ar
Das batatas para as papaias
Do açúcar para o sal
Da água para as rochas
Do nada para todo o lado...
Para todo o lado...tudo numa perfeita e harmónica confusão do caos.
Para que ninguém entenda
Nada!

E ri-se, o maroto do palhaço…
Mas depois, depois quer viver
O amainar da brisa no meio da regueira das couves e do escaravelho
E ainda rebolar na samarra na anca da mondadeira.
Quer ver o pescoço sufocado da gola alta,
O fumo sair de um tubo de escape do brinquedo abandonado.
Quer ouvir o choro de uma boneca sem braços,
 De cabelos arrancados sem piedade pela criança que brinca na soleira da porta.
Quer ouvir o apito desalvorado do comboio em marcha atrás
Sentir o silêncio húmido  e frio das estrelas apagadas
E para acabar com isto, ainda quer sentir o vulcão moribundo
A fumegar dentro do cachimbo
De tudo um pouco quer ele fazer circo da sua

Adérito Barbosa in olhosemlente

segunda-feira, 30 de março de 2015

Construção


Construção

Dentro de mim
tenho um nome
encravado na garganta
que chamo sempre
no silêncio das minhas insónias.

Dentro de mim
procuro-te mas
só sinto a gota
do orvalho que me molha a alma.
Dentro de mim
sinto correr nas veias um rio branco
que acelera quando juramos amor.
Vou construir uma cidade
no fundo de mim
a tua cidade!
Espreitar nos ruídos a tua voz e a tua nudez.
levantar uma estátua
no largo do chafariz do teu prazer.
Vou desenhar de novo
o meu esqueleto sim!
Moldá-lo em plasticina e
Abrir no peito uma janela virada para o teu campo
E ver florir os amores perfeitos.
Dentro de mim
vou construir o meu esqueleto em platina
o verdadeiro amante
Das loucas noites.
Quero que o meu esqueleto cheire a baunilha
ter pele de veludo
para te cobrir da razão,
ombro de algodão
para dormires, mesmo que retumbes!
Coracão de papel
para absorver o teu gemido
nos momentos de glória
que só nós sabemos.
Pés de barro,
para nunca ir longe
vir só quando te vieres...
Vou construir de novo o meu esqueleto
com olhos de vidro
vesti-lo à James Dean
pintar um quadro de cigarro na mão,
porque não?
Já agora e que tal
se escrever um poema
em papel celofane
na única forma que sei,
para me livrar das palavras que trago à flor da pele
e dizer sem complicação
que é complicado falar de sentimentos
neste rodopio de emoções, se ainda hoje
vejo no céu do quarto
a marca d'água do teu sorriso.

 Adérito Barbosa in olhosemlente

sexta-feira, 27 de março de 2015

A NAVE




A terra é uma nave
onde viajo  à volta do nada
dentro de si própria.
Quem sou eu neste mistério?
Apenas a matéria da anti-matéria
Que sorri, nada mais!



Adérito Barbosa in olhosemlente

quinta-feira, 26 de março de 2015

Como mereço

Quando saíste deste mundo
Fiquei nu e não acreditei.
Não disseste nada...
Fingi ouvir o adeus
Que não disseste.
Doeu o teu silêncio
Da porta que fechou
Atrás de ti.
Volta atrás, explica-me
Como eu mereço!
Dá-me um beijo,
Pega na minha mão,
Afaga-a como só tu sabes!
Faz-me um carinho
Prova a minha lágrima
Finge ao menos
Que lá no fundo
O teu amor sou eu!
Se bebo um copo
É porque me afundei,
Se fumo um cigarro
É porque quero
Aliviar o tormento.
Faz-me pensar que ainda
Não chorei,
Volta atrás, diz-me
Para acordar do sonho
E conta-me tudo
Do jeito que eu entenda,
Aqui pertinho de mim,
Ainda lembro-me
 Do teu perfume!

Adérito Barbosa in olhosemlente

domingo, 22 de março de 2015

VII Festival Anual dos Estabelecimentos Militares de Ensino


Foi memorável o VII Festival Anual dos Estabelecimentos Militares de Ensino, tradicionalmente um evento musical e gímnico, que se realizou sexta- feira passada, 20 de Março, no Pavilhão Multiusos de Odivelas.
Houve espectáculo de alto nível.
A organização esteve desta vez a cargo do CM, com apoio da Câmara Municipal de Odivelas.
Participaram no evento as classes gímnicas dos três Colégios, com as suas classes especiais de ginástica, tendo sido convidados o Ginásio Clube Português, o Clube de Ginástica de Odivelas e o Clube Recreativo Piedense -  julgo não me ter esquecido de ninguém. Houve ginástica acrobática, rítmica e dança. Os alunos pequeninos do 1° Ciclo também deram uma perninha, mostrando que daqui a uns anitos estarão aí para as curvas. Talento têm, medo não mostraram ter, vontade não lhes falta, é só esperarmos um pouco para os ver ao mais alto nível.

A Orquestra Ligeira do Exército chamou a si a tarefa de abrilhantar o evento, objectivo completamente alcançado; as bandinhas do CM, IO e IPE  e os respectivos coros imitaram a orquestra dos grandes, fazendo-se ouvir e bem. Como convidado, o ex-aluno do CM, Gustavo Pinto Bastos, apoiado pela banda e coro do CM, interpretou de uma forma soberba a canção  “Sempre Nós" de que ele é o autor. Ficámos todos emocionados, com pele de galinha.
Como sempre, a excelente Orquestra Ligeira do Exército mostrou uma vez mais o porquê de ser considerada uma das melhores do mundo dentro daquele figurino;  as vozes estiveram a cargo de três vocalistas geniais, qual deles o melhor!
Quando era aluno da Escola Militar (EMEL) nos anos 80, habituei-me a, nos fins de tarde, depois das aulas, ir assistir aos ensaios da orquestra no auditório. Foi bom voltar a ouvi-los, 30 anos depois e saber que continuam a surpreender.

Durante o espectáculo, espaçadamente, tivemos ainda a oportunidade de visitar, através do vídeo hall, alguns dos colégios de ensino militar do mundo, que se fizeram representar: do Brasil, Rio de Janeiro e Porto Alegre, de Inglaterra – Royal Military Academy,  dos Estados Unidos - US Military Hall of Fame, da Austrália – Royal Military College, da Índia - Rashtriya Indian Military College , e da França - Saint-Cyr Military Academy.

No encerramento usou da palavra o Sr. Vereador da Câmara de Odivelas, em representação da Sra Presidente Susana Amador, onde reiterou a ideia que Odivelas lutará até ao fim pelo seu IO.
Aqui fica o link da canção "Sempre Nós" https://www.youtube.com/watch?v=bmbWlPyolME

Adérito Barbosa in olhosemlente


quinta-feira, 19 de março de 2015

Lista VIP


VIP!

Ontem, em Frankfurt, os cidadãos alemães saíram à rua, incendiaram carros, partiram montras e fizeram Intifada contra a polícia; aquilo foi pedradas para lá, bastonadas para cá, gás lacrimogéneo por ali,  pneus a arder acolá, enfim, um cenário de montras partidas. .
Coisa normal, essas escaramuças, nos países onde o povo luta pelos seus direitos; contudo, em Portugal não existe nada disso. Somos serenos!
Esta  notícia foi abundantemente propalada na comunicação social, mas só quando a desenvolveram, entendi os motivos do protesto.
Os jovens estavam contra a inauguração da nova sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, porque acham que foi graças às políticas desumanasde austeridade e empobrecimento impostas aos países do sul pelo BCE, que há pessoas nesses países que se suicidam, por falta de trabalho, ou por não serem capazes de honrar os diversos compromissos anteriormente assumidos. 
Dizia o jovem alemão: - Há crianças que passam fome nesses países do sul; há famílias inteiras sem rendimentos; por isso é um abuso que o edifício tenha custado uma fortuna, no valor astronómico de 1,3 biliões de euros.
Acrescentaram ainda que nenhum dirigente do BCE foi eleito e que, portanto, não lhes assistia qualquer direito de imporem regras. Eu também concordo!
Enquanto isso, no nosso país,Portugal, andamos entretidos com a lista Vip dos contribuintes, engendrada pelas Finanças. 
É engraçado ver os alemãs preocupados com a nossa marcha para o abismo e ouvir o governo português dizer que estamos no bom caminho.
É caso para dizer: Já que ninguém quer saber do que se passa em Frankfurt, há lista, ou não há lista Vip, afinal?
Adérito Barbosa in olhosemlente


Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...