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sexta-feira, 30 de outubro de 2020



 Putedo no meu prédio 


“A melhor definição que vi até hoje sobre os nosso actuais políticos em Outubro 2020! 

É um retrato de corpo inteiro dos condóminos do ‘’nosso’’ país:

             

O PS é o quarentão bem instalado na vida, que ocupa todo o segundo andar e se divorciou muito recentemente.

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O PSD é um vizinho precocemente envelhecido que vive no primeiro andar, que já foi administrador e tem a mania que ainda manda. Lá em casa ninguém se entende e tem altas cenas de violência doméstica.

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O BE é aquela vizinha trintona, enxuta e de boa aparência, que nunca casou. Não conhece o progenitor e namora o quarentão do segundo andar, mas nada de casamento... cada um em sua casa.

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O PCP é a vizinha da cave, que ocupa todo o logradouro do prédio onde faz umas festas promíscuas e muito barulhentas. Também anda enrolada com o quarentão do segundo, mas secretamente, pois não quer que os amigos saibam. É a típica sabidona que só lá vai para ... e depois baza!

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O CDS é um velho acamado que vive no primeiro andar. Tem o guarda-roupa cheio de fatos "Armani" e camisas "Pierre Cardin" e mantém o velho Mercedes na garagem. A mulher fugiu de casa, mas a família continua a dizer que ela foi de férias com uma prima!... Agora tem um jovem cuidador, reguila e desqualificado para as funções.

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O PAN é aquele tipo que vive no T1 do rés-do-chão com sete cães, três gatos, dois papagaios, nove periquitos e uma tartaruga albina. Só come nabiças e espinafres... e faz sexo tântrico com a mulher durante todo o fim de semana!

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O INICIATIVA LIBERAL mudou-se recentemente para o andar recuado da cobertura, que comprou com um empréstimo do Banco Público, que lhe deu melhores condições do que a Banca Privada. Mas ainda ninguém viu...

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O LIVRE é aquele vizinho simpático que nos bate à porta e passados dez minutos ainda não se percebeu o que pretende...

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O CHEGA é a porteira alcoviteira e intriguista que diz mal de tudo e todos. Não gosta de nada nem de ninguém... e enjeitou a filha que se casou com um futebolista cigano...

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A ADMINISTRAÇÃO do prédio está agora entregue a uma "agência" pois o administrador não pode passear nem dar beijinhos a todos os condóminos por causa do covid, mas não quer armar confusão a bem da nação.


É ou não é um verdadeiro retrato deste ESTADO POLÍTICO”

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Salão na areia


Salão na areia 

A magia do movimento começou
no finalzinho da manhã
já o sol espreitara na vertical
na abordagem um olhar
no sorriso um convite
na simpatia o fascínio do movimento
que transpirara….
esvaindo-se no ar os contornos mágicos
na serenidade daquele corpo.
 
As espumas das ondas vêm e vão
querem abraçar a sombra dela.
No salão da areia;  há mestria
no ar há um bocejo lindo
a flutuar na melodia que não ouço;
e quer descobrir o limite do corpo
- o Theo movement ido Portal.
 
E do nada entendi o prazeroso
alimento da mente calma
o inebriar dum perfume que imagino
na fragrância das palavras inconfessáveis.
Refugiou-se na Ericeira como eu
de pés descalços, o tempo é pouco
para saborear a delícia da nossa conversa!
 
No fundo soube-me a sal 
os salpicos de orvalho
Daquele topázio em forma de flecha
pisando levemente a areia do palco.
De espírito aberto olhei o movimento
como os amantes olham
na penumbra das nuvens obscuras.
 
Vivo secretamente o quebrar das ondas
num sossego das vagas dos movimentos
observo-a da plateia dos arbustos floridos das arribas da encosta
como se estivesse no miradouro lá do alto.
Trouxe-a para dentro de mim
ocultada dos raios do sol
deste outono que quer levitar
o corpo apertado das areias douradas
da Praia do Sul.
 
Sonhei com o nome dela;
Filipa, eu só sei amar escrevendo,
doutra forma não sei e ninguém me entende...
e tu só sabes amar o teu movimento.
Nós sabemos do que somos capazes de fazer sem falhas
eu escrevo e tu danças
sem que saibas quem sou!
 
Deixa-me apertar a tua mão no meu peito,
quero-me preso entre movimentos
do silêncio que se fechou neste poema.
Sabes, o teu sorriso ficou por estas bandas...
Serei talvez sem saberes o mentor do teu bailado.
Façamos então do nosso encontro
um caminho novo – “a movement” …
 
Do nada, um sonho,
do sonho uma ponte,
do acaso... um encontro!
Da queda um passo de dança,
da procura “the moment”,
um sítio onde possa escrever e descrever
o fascínio de te ver dançar só para mim
sem o saberes!
 
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com


 O inferno está cheio deles... 


Texto copiado; autor desconhecido.


"Um Engenheiro morreu e chegou às portas do Céu. (É sabido que os Engenheiros, por sua honestidade, vão sempre para o céu).

São Pedro procurou a ficha do Engenheiro nos seus arquivos mas, como ultimamente anda um pouco desorganizado, não a encontrou na montanha de documentos. Então, disse para o Engenheiro:

- Lamento, mas o seu nome não consta de minha lista...

Assim, o Engenheiro foi ter às portas do Inferno, onde lhe deram imediatamente moradia e alojamento. Pouco tempo passou e o Engenheiro cansando-se de sofrer as amarguras do inferno, pôs-se a projectar e a construir melhorias.

Com o passar do tempo, o Inferno, já tinha, projecto de segurança contra incêndios, projecto térmico e acústico, sistema de monitorização de cinzas, ar condicionado, escadas rolantes, aparelhos electrónicos, redes de telecomunicações, programas de manutenção, sistemas de controle visual, tudo ISO 9000.

E o Engenheiro passou a ter uma excelente reputação.

Um dia, Deus, estranhando a falta de reclamações que normalmente lhe iam chegando das bandas do Inferno, chamou o Diabo pelo telefone e perguntou desconfiado:

- Como estão vocês aí no Inferno?

- Estamos muito bem! Temos projecto de segurança contra incêndios, projecto térmico e acústico, sistema de monitorização de cinzas, ar condicionado, escadas rolantes, etc. Tudo a 100%! Se quiseres algumas dicas de implementação destes sistemas, podes mandar um e-mail para meu endereço, que é “mailto:odiabofeliz@inferno.com”. E olha que eu ainda nem sei qual será a próxima surpresa que o Engenheiro nos reserva!

- O QUÊ? O QUÊ? Vocês têm aí um Engenheiro?! Isso é um erro! Nunca deveria ter chegado aí um Engenheiro! Os Engenheiros vão sempre para o Céu! É isso que está escrito e resolvido. Manda-o de volta para o Céu, imediatamente!

- Nem pensar!!! Estou a adorar ter aqui um Engenheiro na organização... E garanto-te que vou ficar eternamente com ele!

- Manda-o para Mim ou... levanto-te um PROCESSO !!!

E o Diabo, dando uma tremenda gargalhada, respondeu a Deus:

- Ah, sim? Então, só por curiosidade, diz-me uma coisa: Onde vais tu, ó Deus, arranjar no céu um Advogado, um Juiz ou um Procurador? Estão todos aqui !!!”

domingo, 25 de outubro de 2020

Em memória do meu amigo Joaquim Miranda


Em memória do meu amigo Joaquim Miranda
Hoje foi um dia triste para mim; soube do falecimento do meu amigo Joaquim Miranda.
Todos os Paraquedistas o conhecem. O Miranda foi campeão nacional de boxe. Ele era do CFS anterior ao meu. Mais tarde, nos meados dos anos 80, partilhámos o quarto na BOTP1. Era eu, ele, o Camões, o Prucha já falecido também, o Bernardo e o Moura.
O Miranda fazia duas vezes o meu tamanho. Grande, enorme que se fartava, trapalhão a falar quando ficava nervoso, tinha uns braços e umas maõs que metiam medo. Mesmo quando ele não tinha razão, eu dava-lha sempre, para não correr o risco de ele esticar a mãozinha, o que era uma chatice para a minha cara e para a cara de qualquer um.
O Joaquim passava a vida a cravar-me para eu fazer de Largador por ele, nos saltos. Como os pedidos começaram a ser mais do que muitos, disse-lhe:
- Grande, desculpa lá, isso assim não dá! Eu só faço mais de Largador por ti, se a partir de hoje me garantires a entrada no Alcântara- Mar, com direito a bebidas e tudo; sempre que houver por lá festa rija, desfiles e coisas assim, quero entrar pela passerelle; arranjas os convites. Sem isso nada feito!
Fechámos o negócio. A partir daquela data, passei a usufruir da passerelle vermelha no Alcântara-Mar, até que chegou o dia em que o Magalhães, mais conhecido por Detective, descobriu o acordo e passou a pendurar-se em mim, para poder entrar de borla na discoteca.
Eu nem precisava de procurar saber os dias em que havia festa no Alcântara. O Magalhães, Detective que era, sabia de tudo sobre a vida particular da malta, dentro e fora do quartel e tornou-se meu compincha das noites lisboetas.
Com as devidas recomendações do Miranda, fiquei conhecido do porteiro e sempre que chegava à porta lateral, era só entrar e começar a galar as moças que abundavam por lá.
Certo dia, o Detective disse-me que naquela noite havia uma gala qualquer no Alcântara-Mar e lá fomos nós com mais dois penduras. Falei com o porteiro, mas como ele não queria deixar entrar os outros três paraquedistas, armei um escândalo com ele e lá entrámos.
Aquilo estava cheio de malta, muitas luzes psicadélicas, uma barulheira dos diabos, raparigas que nunca mais acabavam, a dançar em cima das colunas eram tantas moças, que era mato. De vez em quando ia ao balcão buscar as bebidas para quatro registados em nome do Miranda, mesmo sabendo que só podia pedir três cervejas, apenas para mim, conforme o acordado. Eis que o Detective, já quentinho, lembrou-se do seguinte:
- Kadafi, vamos testar a eficiência dos seguranças do Grandalhão aqui dentro.
Já com umas cervejolas e whiskies não autorizados no bucho, começámos à estalada uns aos outros lá num canto. A música parou, acenderam os holofotes, abriu-se ali uma clareira e eis que aparece o Grande. Com aqueles enormes braços, olhou para mim e perguntou-me:
-Eh, pá! És tu que estás a fazer merda aqui dentro?
Só me lembro de ele me ter pegado pelos colarinhos e sem tocar com os pés no chão, dei comigo fora da discoteca e com uma dor do caraças no rabo pelo pontapé que me deu.
No outro dia, eu estava amuado com ele e ele zangado comigo, por causa dos distúrbios que provocámos lá dentro e o gajo a cobrar as bebidas consumidas, muito para além do combinado.
E assim ficámos. Passados uns dias, disse-me que queria pedir-me um favor, mas respondi-lhe logo de seguida:
- Eu não faço nada para ti, nunca mais!
Andou ali de roda de mim e lá me disse o que pretendia:
- Como falas francês, escreve-me lá uma carta para uma moça que conheci no Alcântara e retomas as entradas na discoteca.
Aceitei o desafio, ele começou a ditar as palavras amorosas e eu, no meu “franciú”, a escrever tudo, menos aquilo que o gajo ditava.
Ele, desconfiado, mandou-me ler a carta. Eu li-lhe a carta de acordo com o que ele tinha ditado, mas nada do que tinha escrito.
A carta seguiu. Passados uns dias, andava doido à minha procura, porque a moça respondeu à carta. Quando cheguei ao quarto, começou aos berros comigo e disse que me matava e aquelas mãos sapudas viraram-se contra o meu nariz. Uns dias depois, com raiva, apanhei-o a dormir, amarrei-o todo à cama e ele faltou à formatura.
Depois disso, pregámos-lhe uma partida, quando o transferimos, virtualmente, para a BOTP2. Furioso, foi ter com o nosso Comandante, dizendo, todo lixado, como é que estava a ser transferido, quando lhe tinha prometido exatamente o contrário.
- Vai lá saber quem é que te transferiu, porque eu não te transferi para lado nenhum!
Foi assim que descobriu que aquilo era tramóia do pessoal da Companhia de Comunicações.
Passados anos fui intervencionado no nariz, pois tinha o septo nasal desviado, todo torto da estalada que me deu.
Esteja ele onde estiver, ele vai ser chefe de segurança e vai cravar-me para fazer de Largador por ele e eu vou entrar novamente no Alcântara-Mar lá do sítio, mas sem o Detective e prometo não provocar distúrbios, nem escrever trapalhadas na carta, com coisas que ele não disse. Por isso, ao meu amigo Zé Grande desejo que descanse em paz, até eu chegar!
Adérito Barbosa in olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Para nunca mais esquecer


No dia 15 de Agosto de 1959 nascia  eu em Cabo Verde, na ilha de Santiago, concretamente na Vila de Santa Catarina, outrora bonita vila de Assomada. Dizia a minha mãe que eu era tão gordo que, ao passar pelo canal e respirar, a deixei muito maltratada; por isso, só pôde levantar-se e levar o bebé um mês depois de ter nascido à presença do Escrivão da conservatória Sr. Garcia , para este confirmar o rebento e o registar. 

Garcia, escrivão atento, sabia melhor que a mãe quem era o pai da criança e o dia do nascimento.

A minha mãe, para se safar da multa e quem sabe do raspanete daquela corja toda, acabou por mentir, dizendo que nasci no dia 1 de Setembro com o título pomposo de filho de pai incógnito - foi assim mesmo que me registaram.

Pasme-se que o Secretário da Câmara, equivalente a Vice -presidente de Câmara actual, era nem mais nem menos primo do pai “incógnito”, ou seja, primo do bebé.

Assim se percebe a razão por que o progenitor não se deu ao trabalho de ir registar o gorducho, talvez atarefado em engravidar outras moçoilas da vila.

 Medonha competição aquela entre os demais nobres da vila!

Com dez anos expulsaram-me da Assomada, num processo sumário por mau comportamento e deportaram-me  para Lisboa. Alegação “Cabeça Rija” era o que constava da acusação, sem referir as muitas agressões à mistura.

Tudo porque o pequenino Adérito questionara a miséria da ilha, a condição de filho incógnito, a educação de merda, as agressões gratuitas da besta de quem sinto alguma repulsa, sabendo que era minha avó.

Levei tanta porrada que jurei que jamais admitiria que verme algum me levantaria a mão no futuro.

Para minha glória, hoje posso dizer que, desde a deportação, ninguém mais me levantou a mão.

Passados 50 anos, atrevi-me a discordar de um dos meus irmãos. Ele achava e acha que o nosso pai era um santo, fora “homem grande” expressão dele. Discordei e pus a nu os podres da coroa do Rei.

Ensaiaram partir-me os dentes e num concílio via redes sociais, formado por quórum meio infantilizado e um tanto ou quanto primitivo, retiraram-me o brasonado nome de Barbosa.

Houve um que até disse que eu não era irmão dele.

Com a independência, apercebi-me que ano pós ano brotava da terra, como cogumelos, gente muito esperta.

Não regressei à Illha, mas fiquei atento e de olho no lote das sumidades que cursavam por correspondência. Isto vem a propósito de o governo do arquipélago ter aberto a fronteira, apesar do país estar à frente do campeonato mundial de Covid19.

Por sua vez, o Sr.  Erlendur Svavarsson, Presidente da TACV disse que a decisão do governo apanhou a companhia aérea de surpresa. 

De acordo com o CEO da fantasmagórica CV Airlines, o facto de as fronteiras de outros países permanecerem em grande parte fechadas aos passageiros provenientes de Cabo Verde, independentemente da nacionalidade desses passageiros, inviabiliza as operações aéreas.


Não duvido: - Quem se mete com os tipos da Ilha, ou apanha como eu, ou fica como eles!

O CEO podia e devia dizer simplesmente isto:

- Não há voos, porque os nossos aviões estão confiscados em MIAMI; nós não temos aviões e portanto a companhia não existe e eu não sou CEO de coisa alguma!

Coisas de gente com cabeça mole.


Adérito Barbosa

In olhosemlente.blogspot.com

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Pastor de vendavais


Pastor de vendavais

Tentaste tocar no meu céu 
com a imaginação patega.
Tentaste desvendar o mistério 
da fragrância da roseira
do meu canteiro
olhaste de dia a luz da minha estrela,
pediste que te ache num ensaio.

Nao te busco!!
Imagino-te escondida
debruçada sobre um olhar triste,
assertivamente insegura...
preferiste continuar o macabro ensaio 
e a bomba explodiu.
Ecoou na minha rua outra vez com estrondo, sentido norte-solidão, 
como sempre acontece.
Veio aninhar-se nas minhas estrelas... 
conta caprichosa a tua aventura, 
desenha alegre as tuas lágrimas caídas sobre o silêncio das palavras que não te 
escrevi e que julgaste um dia ler.
É a minha sina...
Pastorear vendavais, e não os tocar para o curral.

Adérito Barbosa
Foto: Rosa Raposo

olhosemlente.blogspot.com

sábado, 10 de outubro de 2020

Angústia de uma harmónica


 Angústia de uma harmónica 


Alma do poeta sentiu a dor das palavras.

“Enquanto Deus não me levar, 

a janela de oportunidades estará sempre aberta. 

Se esse dia estiver programado, ele acontecerá!”

Pincelarei esta angústia com poesia

até o calor das estrelas aquecer 

a alma nua nos detalhes dos afectos.

É tempo de te contar a verdade,

dizer-te que o teu corpo

tem contornos de um violão,  

cabelo, cordas

dos braços da minha guitarra. 

Deixa-me conhecer a essência 

e não esperes pelas páginas 

do meu romance. 

Afinal já és modelo do meu ideal.


Ah, pára - sabes entender

os gemidos das cordas 

quando acaricio as notas com a ponta dos dedos como quem se masturba?

Pois é... então abre a porta

e tenta entender o som 

da harmónica natural de uma nota.


Adérito Barbosa in

olhosemlente.blogspot.com

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A propósito da proibição de tipos de linguagem na tropa

 


O novo Leopardo ll do exército português com sua  bonita guarnição a caminho do teatro. Uma nova ideia de guerra sonhada pelo MDN.


NEP n°1 


“Exmos Senhoras e Senhores recrutas, exorto-vos a que vos apliqueis nas instruções de treino e tática militar, sem qualquer emprego de força física ou excesso verbal e que vos torneis valorosos militares, audazes como borboletas e sensíveis como o aroma das flores maiatas…

Para a instrução de camuflagem usem o estojo de maquiagem Chanel oferta do instrutor, aos mais rápidos a saltar ao elástico em leggings…”


Para os exercícios nocturnos na Estufa Fria,  levai sapatos de tacão, mochila  Louis Vuitton e lá dentro artigo de higiene íntimo, como águas das malvas para lavar o rabinho depois da queda na máscara.


Uniforme - roupa interior; sem cuecas


A bandeira das companhias de instrução devem conter as cores do LGBT. 


Está disponível uma linha de apoio aos recrutas descontentes e há livro de reclamações.


As camaratas estão equipadas com camas de casal. O máximo de casais  permitidas por cama, quatro - para se evitar muita confusão.


O comandante 

Joseph Castle White


NEP - Norma de execução permanente

terça-feira, 6 de outubro de 2020

CARALHO



Segundo a Academia Portuguesa de Letras, CARALHO é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra.

O CARALHO, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto do mastro) era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco.

Também era considerado um lugar de castigo para aqueles marinheiros que cometiam alguma infracção a bordo.

O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no CARALHO e quando descia ficava tão enjoado que se mantinha tranquilo por um bom par de dias. Daí surgiu a expressão:

-Vai pró caralho!

Hoje em dia,CARALHO é a palavra que define toda a gama de sentimentos humanos e todos os estados de ânimo.

Ao apreciarmos algo de nosso agrado, costumamos dizer:

-Isto é bom comó caralho

Se alguém fala conosco e não entendemos, perguntamos:

Mas que caralho estás a dizer?

Se nos aborrecemos com alguém ou algo, mandamo-lo pro CARALHO.

Se algo não nos interessa dizemos:

Isso não vale um caralho!.

Se, pelo contrário, algo chama nossa atenção, então dizemos:

Isso interessa-me comó caralho.

Também são comuns as expressões:

Essa mulher é boa comó caralho! (para definir beleza);

Essa mulher é feia comó caralho (para definir falta de beleza);

Esse filme é velho comó caralho (para definir idade);

Essa mulher mora longe comó caralho (para definir distancia)

Enfim, não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um CARALHO.

Se a forma de proceder de uma pessoa nos causa admiração dizemos:Este gajo é do caralho

Se um comerciante está deprimido com a situação do seu negócio, diz: Estamos a ir pró caralho.

Se encontramos um amigo que há muito não víamos, dizemos: Onde caralho tens andado?

É por isso que vos deixo este cumprimento do CARALHO e espero que o conteúdo agrade comó CARALHO, desejando que as vossas metas e objectivos se cumpram, e que a sua vida, agora e sempre, seja boa comó CARALHO.

A partir deste momento poderemos dizer CARALHO, ou mandar alguém pro CARALHO com um pouco mais de cultura e autoridade académica ...

E tenha um dia feliz!

UM DIA DO CARALHO

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

animalismo doentio”.


 O “animalismo doentio”. 

O quisto hidatico do pulmão,  provocado pelo

“Echinococcus granulosus”.

“Isto” não é gostar de animais.

Beijar na boca um animal de companhia, dormir com ele na cama e comer com ele do mesmo prato, não é “gostar de animais” é apenas uma paranóia, uma obsessão doentia, uma patologia a precisar de terapia… 

E mais grave do que o problema de os adultos correrem esses riscos, o drama é permitir que as crianças, algumas delas bebés, sejam sujeitas a esse risco, para os quais os Médicos estão constantemente a alertar… 

O quisto hidático pode desenvolver-se no cérebro, no fígado ou nos pulmões, resulta da absorção por via oral, de um parasita que se desenvolve em vários animais, principalmente nos cães...

Esta pandemia obsessiva e doentia, este modismo urbano depressivo, que fomenta o primado da proteção dos animais sobre as pessoas, o “amor” aos animais e o desprezo pelos semelhantes, é apenas isso:

Uma paranóia...

Vivi numa casa onde sempre tivemos cães e gatos. 

A minha avó Helena dizia:

 “os cães não são para andar ao colo…”

Como ela estava enganada… 

A moda do “animalismo doentio”, fez com que do colo passassem para a mesa, da mesa saltaram para a cama e da cama ascenderam às carícias, ocupando o lugar dos seres 

“Eles” não pensam nas consequências para a saúde pública, dos próprios e das crianças, que mimetizam os comportamentos dos adultos…😡

Não, um “animalista doentio”, não respeita a natureza, não gosta de animais, utiliza-os apenas, para satisfação de bizarros caprichos, compensação de profundas carências e sublimação de inconfessáveis frustrações...

Texto de Varela de Matos

Publicação em destaque

Florbela Espanca, Correspondência (1916)

"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinter...